Esporte

ONG denuncia exploração de trabalhadores em obras da Copa do Catar

31/03/2016 01h09

Londres, 31 mar (EFE).- A organização humanitária Anistia Internacional (AI) fez um alerta nesta quinta-feira sobre a exploração dos trabalhadores imigrantes que contribuem para a preparação da Copa do Mundo do Catar.

A AI publicou o relatório "O lado escuro do esporte rei: exploração trabalhista em uma sede da Copa do Mundo do Catar 2022", no qual fez duras críticas à Fifa por sua "escandalosa indiferença diante do péssimo tratamento dado aos trabalhadores imigrantes" no país-sede do evento.

Em comunicado emitido de sua sede em Londres, a organização de defesa dos direitos humanos afirmou que o relatório é o resultado de entrevistas com 132 imigrantes que trabalham na construção do Estádio Internacional Khalifa, a primeira das sedes que ficará pronta para a Copa, dentro de seis anos.

"O abuso sobre os trabalhadores é uma mancha na consciência do futebol mundial. Para os jogadores e torcedores, um estádio da Copa do Mundo é um lugar de sonho, mas para algumas das pessoas que conversaram conosco, é um pesadelo", disse Salil Shetty, secretário-geral da AI.

"Cinco anos de promessas já se passaram, mas a Fifa fracassou quase que completamente para evitar que a Copa seja disputada em um lugar no qual ocorreram violações dos direitos humanos", continuou Shetty.

A organização também entrevistou 99 operários que trabalham na construção dos espaços verdes do complexo esportivo Aspire Zone, onde treinaram equipes como Bayern de Munique, Everton e Paris Saint-Germain durante o recesso invernal.

A AI se reuniu no Catar com os trabalhadores, cuja maioria é oriunda de países como Bangladesh, Índia e Nepal, entre os meses de fevereiro e maio do ano passado.

Todos os trabalhadores imigrantes denunciaram que vivem em condições sub-humanas e sem direitos básicos, pois não possuem permissão para entrar ou sair do país, nem para mudar de empresa ou empregador. Além disso, tiveram seus passaportes e documentos de identidade retidos e não estão recebendo o pagamento estipulado.

"Eles têm dívidas, vivem em condições paupérrimas em acampamentos no deserto e recebem uma miséria. A vida dos trabalhadores imigrantes contrasta com a dos jogadores que pisarão no gramado desse estádio", frisou Shetty.

"Todos querem ter direitos: querem receber o estipulado, querem poder sair do país se for necessário e querem ser tratados com respeito e dignidade", acrescentou o secretário-geral da AI.

A ONG pediu às empresas Adidas, Coca-Cola e McDonald's, as principais patrocinadoras da Fifa, que pressionem a entidade máxima do futebol mundial para que trate da situação dos trabalhadores imigrantes no Estádio Khalifa e para que elabore um programa que evite possíveis abusos em futuros projetos da Copa do Mundo.

"Sediar um Mundial ajudou o Catar a se promover como um destino de elite para algumas das equipes mais importantes do mundo. No entanto, o mundo do futebol não pode passar por cima desta série de abusos nas instalações e estádios onde serão jogadas as partidas", ressaltou Shetty.

"Se a nova liderança da Fifa quer, de verdade, apagar tudo e recomeçar do zero, não pode permitir que um evento desta magnitude seja disputado em um estádio construído por trabalhadores imigrantes que foram submetidos a maus tratos", concluiu o secretário-geral da AI.

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