Esporte

Um torneio em risco de extinção?

31/03/2016 17h21

Álvaro Blanco.

Miami, 31 mar (EFE).- Considerado um dos principais torneios de tênis depois dos que formam o Grand Slam, o Masters 1000 de Miami esteve envolvido nos últimos anos em uma disputa legal sobre planos de ampliação e melhorias que são indispensáveis para sua sobrevivência, mas que se chocam com seu entorno natural e seus fins públicos.

O complexo onde o torneio é disputado fica no coração de Crandon Park, espaço público que inclui a reserva Bear Cut - uma área de estudo meio ambiental - e diversos ecossistemas como dunas e mangues, destino de aves migratórias e tartarugas marinhas.

O Crandon Park é, além disso, vizinho do Parque Nacional Biscayne, que reúne vegetação tropical e espécies em risco de extinção.

E o Masters 1000 de Miami corre o mesmo risco, pois enquanto outros torneios realizaram investimentos milionários em suas instalações, o Centro de Tênis de Crandon Park envelhece sem que possam ser feitas melhoras que o deixem à altura dos jogadores que a cada ano participam das chaves masculina e feminina.

"É evidente que é preciso fazer algo, é óbvio que todos os torneios estão se desenvolvendo e todos estão fazendo melhorias em suas instalações, e o de Miami não fez nada em um bom tempo", disse o espanhol Rafael Nadal.

Quatro vezes finalista desse Masters, Nadal alegou que a comparação entre este torneio e o de Indian Wells, que o antecede no calendário, não "ajuda" o de Key Biscayne, pois o do deserto californiano "melhora dia a dia".

O problema está na evolução e expansão das atuais instalações deste complexo de tênis, propriedade do condado de Miami-Dade.

O empresário William John Matheson comprou em 1908 esta parte do norte de Key Biscayne para criar a maior plantação de cocos dos Estados Unidos e, após sua morte, seus herdeiros doaram os 327,3 hectares de terreno ao condado.

Mas eles o fizeram com a condição de que as terras fossem usadas unicamente "com propósitos de parque público", e o milionário negócio do tênis não se encaixa bem nesse âmbito.

Em discussão estão os US$ 50 milhões que os organizadores do torneio querem investir no complexo de tênis e a recusa de um dos herdeiros, Bruce Matheson, de 70 anos, que alega que esta ampliação transgride os termos da doação.

Em relação a esta situação, os organizadores já deixaram claro que, mesmo antes que termine o contrato de aluguel - dentro de oito anos -, eles podem transferir o torneio para outro lugar, e já soam possíveis destinos como Orlando, que também fica na Flórida, ou algum país da Ásia.

Os planos da empresa que dirige o torneio, IMG, receberam um duro golpe em dezembro do ano passado quando um tribunal de apelações confirmou as restrições existentes sobre o complexo de tênis.

Embora haja quem tenha um carinho especial pelo torneio e não consiga imaginar seu fim, como o suíço Roger Federer, campeão em 2005 e 2006. Ele disse que tem "muitas memórias do torneio de Miami, boas e más".

"Mas em sua maioria boas, porque quando se ganha o título em um torneio, se apagam todas as coisas negativas", justificou.

Nadal, por sua vez, quer manter o local desse Masters 1000.

"Sem dúvida me encanta estar aqui, me encanta este torneio e eu gostaria de continuar a vê-lo aqui", opinou.

Já a americana Serena Williams, que cresceu como jogadora neste complexo de 26 quadras e é a maior ganhadora do torneio, com oito títulos, foi ainda mais enfática.

"Deixar Miami representaria um golpe ao nosso esporte, à cidade de Miami e a mim", escreveu ela em artigo no "New York Times" no último dia 22.

Moradora de West Palm Beach, ao norte de Miami, na infância, Serena ia a Key Biscayne anualmente com seu pai e sua irmã Vênus para ver as estrelas do torneio.

Por isso, a tenista número 1 do mundo disse que se "entristece" em pensar em que o torneio pode deixar Miami, por isso espera que todos possam trabalhar juntos para melhorar as instalações.

Por sua vez, o diretor do torneio, Adam Barret, declarou que, embora a organização esteja focada no trabalho do dia a dia, olha também "para o futuro" e analisa "todas as possibilidades".

"Estaremos aqui todo o tempo que pudermos para realizar um evento de nível mundial, e vamos continuar fazendo tudo o que pudermos. Temos oito anos para estudar todas as opções, e estão todas abertas", disse.

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