Esporte

Biólogo lamenta estado de lagoas e baías que receberão competições no Rio

25/04/2016 20h09

Rafael Salido.

Rio de Janeiro, 25 abr (EFE).- A 102 dias do início dos Jogos Olímpicos, a situação das águas que receberão competições de vela e remo no Rio de Janeiro é "entre deprimente e trágica", segundo o consultor ambiental Mario Moscatelli.

O biólogo se mostrou especialmente preocupado pelo estado da lagoa de Jacarepaguá, uma área protegida e próxima ao Parque Olímpico, e da baía de Guanabara, que receberá as competições de vela durante os Jogos.

Em entrevista à Agência Efe, Moscatelli lamentou a "oportunidade perdida" de melhorar a situação ambiental da cidade com a organização do evento esportivo.

"Houve algumas poucas melhorias pontuais, mas nada que vá alterar o quadro de degradação ambiental sistemático dos rios, lagoas e baías", declarou o especialista, que se mostra preocupado com uma situação "bastante desesperadora" do ponto de vista ambiental.

A poluição das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde serão disputadas as provas de remo e canoagem, assim como as da Baía de Guanabara, não é apenas um problema ambiental. A situação se tornou uma das principais preocupações dos organizadores dos Jogos Olímpicos, assim como de algumas federações internacionais.

Diversos estudos alertam sobre os riscos de saúde aos quais serão expostos os atletas que entrarem em contato com essas águas, como náusea, conjuntivite, micose, otite e, principalmente, a possibilidade de contrair a hepatite A.

Moscatelli afirmou que esses riscos estarão especialmente ligados às condições climáticas e do mar, já que as chuvas e a maré baixa fazem com que a sujeira das ruas seja arrastada em direção à costa, à espera que as águas subam e arrastem os resíduos para o mar.

Os altos níveis de poluição das águas do Rio de Janeiro às vésperas dos Jogos são resultado de anos de desenvolvimento urbano sem controle e da falta de conscientização da população local, segundo Moscatelli. Além disso, o governo do Estado não cumpriu a promessa de despoluir 80% da Baía de Guanabara para 2016.

"As autoridades brasileiras sabiam dos enormes problemas ambientais da região e se comprometeram a combatê-los, exclusivamente para sediar os Jogos Olímpicos", denunciou.

No entanto, segundo o biólogo, quando a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede olímpica, as autoridades "simplesmente não fizeram praticamente nada a respeito".

De acordo com os estudos de Moscatelli, 70% da baía de Guanabara está comprometida há anos, em grande parte, pelo fato de que apenas quatro ou cinco rios e canais que desembocam nela, de um total de 44, não estão poluídos.

"A maior parte da sociedade permanece apática em relação aos graves problemas ambientais existentes. Parece que aceitou a degradação como parte da paisagem", disse Moscatelli, ao apontar diretamente para um dos principais problemas da cidade: a falta de um sistema de saneamento eficiente.

Além disso, há estações de tratamento de água que não operam em pleno potencial ou, simplesmente, não estão em funcionamento devido ao alto custo ou por não estarem realmente concluídas.

"No aspecto ambiental, foi premeditadamente a maior oportunidade perdida, criminalmente perdida por autoridades que não merecem estar nos cargos que ocupam. A cidade ganhou em mobilidade, graças às novas vias rápidas e ao metrô, mas isso não é nada", criticou.

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