Esporte

Refugiada síria carrega tocha olímpica no país que a fez se sentir "pessoa"

03/05/2016 20h23

Alba Santandreu.

Brasília, 3 mai (EFE).- Hanan Daqqah é uma menina síria de 12 anos, mas tem a maturidade de um adulto. Chegou a São Paulo há um ano fugindo da guerra e, nesta terça-feira, foi uma das portadoras da tocha olímpica no Brasil, país que a fez se sentir uma "pessoa" após viver mais de dois anos em um campo de refugiados na Jordânia.

Em suas mãos, enquanto conversa com a Efe, ela carrega a chama que hoje passou por ruas de Brasília, o que a fez perceber "que não era uma refugiada, mas mais uma brasileira".

Hanan sente-se feliz de saber "que é a primeira refugiada a levar a tocha no Brasil", ao lado de grandes nomes do esporte brasileiro, como os campeões olímpicos Fabiana, do vôlei (em 2008 e 2012), e Joaquim Cruz, do atletismo (1984).

A menina representa o otimismo no meio da tragédia que afeta a Europa, onde milhares de refugiados tentam sem sucesso entrar em algum de seus países em uma fuga desesperada das guerras.

"Minha vida só começou no Brasil. Na Síria não sentia que era uma pessoa, estávamos sentindo que éramos animais", disse ela, sem perder o sorriso e com um português impecável, apesar de só ter aprendido o idioma nos últimos meses.

Antes de chegar ao Brasil junto com a família, a menina síria viveu na Jordânia, onde chegou após "caminhar mais de 16 horas". Hanan contou que, no país vizinho da Síria, trocou um "horror por outro".

"Na Jordânia, ficamos muito mal. Não tínhamos casa, fazia muito frio, muitas crianças morreram e não se podia trabalhar. Falta comida, falta água", lamentou.

No Brasil, ela disse ter uma vida "muito boa" e "muito bonita". Mora em um pequeno apartamento no centro de São Paulo junto com seus pais, seus dois irmãos, seus tios e quatro primos.

Em poucos meses, se unirá a eles um novo membro da família, já que sua mãe está grávida, e em breve ela terá um irmão brasileiro.

Na Síria a vida também era "boa", até que chegou a guerra. Sua casa ficava em Idlib, no nordeste do país, hoje transformada em um dos palcos do conflito entre as forças governamentais e os grupos rebeldes.

Sem segurança para permanecer em seu país, a família de Hanan decidiu ir à Jordânia, e chegou ao Brasil graças a um programa de vistos especiais concedido pelo governo que facilita a entrada ao país de pessoas afetadas pelo conflito sírio.

Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (Acnur), a guerra na Síria gerou mais de 4,8 milhões de refugiados, que vivem principalmente em países vizinhos ao conflito.

No Brasil existem cerca de 8.700 refugiados, dos quais pouco mais de 2.000 são sírios.

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