Esporte

Muhammad Ali, o campeão eterno do boxe

04/06/2016 03h38

Houston (EUA), 3 jun (EFE).- O lendário ex-pugilista americano Muhammad Ali morreu nesta sexta-feira aos 74 anos, mas sua lenda, mito, símbolo,que foi além do esporte como nenhum outro, vai continuar presente e será sempre o campeão eterno.

Ali dizia sempre: "Não quero ser líder, mas livre", por isso era maravilhoso ver como enlouquecia os torcedores com seus movimentos no ringue, que realizava como se fosse um dançarino, sempre em perfeita harmonia e liberdade de ação.

O lendário pugilista se aposentou do boxe em 1981 com um recorde de 56 vitórias e cinco derrotas, conquistou o título mundial dos pesos pesados e foi sem discussão o melhor de todos os tempos.

Podia, além disso, boxear em qualquer parte do mundo, todos o queriam por perto, até os presidentes africanos, e o promotor Don King faturou mais de US$ 10 milhões quando levou a luta dos pesos pesados entre o campeão George Foreman e Ali, em 30 de outubro de 1974, em Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Foi a maior luta da história em termos financeiros até aquele momento. Levar 100.000 mil torcedores ao estádio de futebol para ver o combate, foi a prova inequívoca de que Ali era o maior de todos.

Ali sabia como cativar e atrair o grande público, além de gerar sempre o confronto com o branco opressor, como demonstrou ao trocar o nome de nascimento de Cassius Marcellus Clay - porque era nome de escravo -, e sempre defendia que representava o povo, o povo negro.

Contra Foreman, apesar de saber que estava atrás nas apostas, Ali declarou em entrevista coletiva de maneira taxativa: "Eu sou um sábio do boxe, um cientista do boxe. Essa é uma realidade cientificamente demonstrada. Lá vocês se esquecem, por sua conta e risco, que sou mestre do baile, um grande artista".

A "Batalha da Selva" não viu o Ali de sempre, mas o contrário, enconstado nas cordas esperou e lá destroçou Foreman, a quem nocauteou no oitavo assalto e conquistou pela segunda vez o cinturão.

Ali elevou, ainda mais, seu nome. E se tornou, após vencer um terceiro campeonato em 1978, o Desportista do Século.

King foi o que melhor soube explorar a figura de Ali, ao perceber no atleta que desde 1960, depois de ganhar a medalha de ouro do peso meio-pesado nos Jogos Olímpicos de Roma, era a figura mais importante dos Estados Unidos e do mundo, dentro e fora do quadrilátero.

O rapaz que começou a lutar aos 12 anos, sob a supervisão do policial Joe Martin em Louisville, jogou a medalha olímpica no rio Ohio porque não quiseram atendê-lo em um restaurante por discriminação racial.

Mais tarde também foi o jovem que desafiou o rude campeão mundial Liston, ao vê-lo com o cinturão, com um par de perguntas: "Para que você quer isso? Para segurar as calças?".

E ao destroná-lo em 1964, aos 22 anos, apregoou ser "o melhor pugilista da história". Promoveu os combates como nenhum outro, antecipando e acertando sobre o assalto em que os rivais cairiam, mostrando em ação qualidades difíceis de igualar por lutador de 200 ou mais libras: agilidade, finura, inteligência e força.

O campeão que em pleno esplendor, quando 'flutuava como borboleta e picava como abelha', em 1967, foi despojado por se negar a prestar serviço militar e lutar na Guerra do Vietnã, o que dividiu os Estados Unidos e o mundo.

Havia quem o apoiava e seguia suas palestras em universidades da nação (não podia sair do país, por ter-lhe sido retirado o passaporte) com o discurso da paz e quem o considerava antipatriota por não defender a bandeira americana no conflito armado.

O homem que mesmo assim atraía um como a outro grupo, porque retornou, ao ganhar a briga judicial, e venceu de novo no ringue, embora encaixando golpes que antes não lhe davam, depois de inatividade de três anos, sete meses e quatro dias, em 1970.

Ali obteve novamente a oportunidade do título mundial no dia 8 de março de 1971, contra Joe Frazier, no Madison Square Garden, de Nova York, no "Combate do Século".

Embora tenha perdido por pontos, depois de cair no 15º e último assalto ao receber o gancho de esquerda mais famoso do mundo, foi capaz de conseguir por duas horas parar a guerra do Vietnã, quando os soldados abandonaram as armas e se sentaram em frente ao televisor para ver a luta.

Ali se converteu ao Islã, lutando mais forte fora do ringue que dentro contra a desigualdade social, afirmando: "(...) Tomei a decisão de ser um negro o qual não se deixa ser pisado pelos brancos".

No final, Ali conseguiu que todos, brancos e negros, o aceitassem como uma lenda única dentro do mundo do esporte e sobretudo dentro da sociedade americana, ao ganhar a batalha da igualdade de direitos para todos sem importar a cor da pele, sua crença ou religião.

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