Esporte

País de Gales vira contra a Bélgica, evita "Brexit" na Euro e vai às semis

01/07/2016 18h00

Lille, 1 jul (EFE).- Última seleção representante do Reino Unido na Eurocopa, já que a Escócia não se classificou para o torneio e Irlanda do Norte e Inglaterra ficaram pelo caminho, o País de Gales se classificou para as semifinais nesta sexta-feira ao vencer a Bélgica por 3 a 1, de virada, no estádio Pierre-Mauroy, em Lille.

Nainggolan marcou um golaço para os 'Diabos Vermelhos' logo no começo do jogo, e o adeus dos galeses pareceu próximo. Entretanto, Ashley Williams, Robson-Kanu e Vokes viraram o placar e evitaram um novo 'Brexit' (acrônimo pelo qual ficou conhecida a saída dos britânicos da União Europeia, decidida em referendo), desta vez da competição da Uefa.

Estreante na Euro, a seleção galesa terá pela frente Portugal, que ontem eliminou a Polônia nos pênaltis. Dessa forma, o estádio Parc Olympique Lyonnais, em Lyon, será palco de um duelo entre os craques do Real Madrid Cristiano Ronaldo e Gareth Bale - que hoje passou em branco.

Já a chamada "ótima geração belga" não aproveitou a chave favorável, sem seleções com títulos europeus ou mundiais, e voltou a ficar pelo caminho nas quartas de final. O mesmo aconteceu na Copa do Mundo de 2014, quando caiu diante da Argentina.

O técnico Chris Coleman manteve a formação-base utilizada por Gales nesta Eurocopa. A única dúvida voltou a ser no comando de ataque, entre Sam Vokes e Hal Robson-Kanu. O segundo ganhou a titularidade, mas os dois foram à rede em Lille.

Na Bélgica, Marc Wilmots teve dois desfalques, o zagueiro Thomas Vermaelen, que cumpriu suspensão, e Jan Vertonghen, que vinha jogando de lateral-esquerdo e voltaria a atuar na posição de origem. Com isso, Jason Denayer entrou da zaga, enquanto Jordan Lukaku, irmão mais novo de Romelu, foi o escolhido para o lado canhoto do sistema defensivo.

O jogo começou com pressão total dos 'Diabos Vermelhos', que massacraram a defesa galesa aos seis minutos e por muito pouco não balançaram a rede. Ferreira-Carrasco chutou e parou no goleiro Hennessey, mas o rebote ficou com Meunier, cuja batida foi bloqueada em cima da linha. Na terceira tentativa, Hazard soltou a bomba, o arqueiro desviou com o pé, e a bola saiu por cima.

Um dos fortes da equipe britânica é a verticalidade, e isso foi demonstrado pela primeira vez aos oito. Bale acelerou pela esquerda, bateu forte e acertou a rede, mas pelo lado de fora.

No entanto, o lance de ataque dos galeses foi isolado. A Bélgica sufocava e abriu o placar aos 12 minutos. Hazard dominou na esquerda e rolou para Nainggolan, que encheu o pé de fora da área e acertou o ângulo direito para marcar um golaço.

Depois do gol, os belgas mantiveram a bola no pé, mas o ímpeto nas ações ofensivas já não era o mesmo. Isso permitiu um crescimento do País de Gales, que iniciou uma ofensiva pelos lados do campo. Aos 25 minutos, Bale adiantou, Ramsey cruzou por baixo e Taylor emendou de primeira da marca do pênalti. Courtois fez linda defesa e evitou o empate.

Quatro minutos depois, porém, o goleiro do Chelsea nada pôde fazer. Ramsey cobrou escanteio da direita, Ashley Williams por trás de Jordan Lukaku e cabeceou firme para deixar tudo igual.

Empolgado com gol, Gales se soltou e teve as melhores chances até o fim do primeiro tempo. Aos 33 minutos, Bale trocou de lado e desceu pela direita, mas bateu com o pé ruim e não colocou força, facilitando o trabalho do goleiro.

O time britânico então voltou a apostar na receita do gol realizou um bombardeio aéreo pouco antes do intervalo, com dois bons cabeceios. Aos 42 minutos, Ashley Williams teve outra oportunidade após o escanteio, mas mandou à direita do alvo. Aos 44, foi Robson-Kanu quem concluiu, mas Courtois pegou.

Fellaini então foi nomeado para fazer a "defesa antiaérea" belga e entrou na volta dos vestiários em lugar de Ferreira-Carrasco. O panorama mudou, e a Bélgica voltou a pressionar. Logo aos dois minutos, de cabeça, Romelu Lukaku tirou tinta da trave direita. Na sequência, aos quatro, Hazard tentou por baixo, em chute cruzado da esquerda, mas também errou a meta.

Se a pontaria dos 'Diabos Vermelhos' não estava boa, os 'Dragons' se mostraram certeiros e viraram o jogo aos nove minutos. Ramsey tocou da direita para o meio da área. Entre dois belgas e com um terceiro na espreita, Robson-Kanu dominou, cortou a marcação de maneira desconcertante, e finalizou tirando de Courtois para fazer 2 a 1.

Bastante experiente, mesmo tendo apenas 24 anos de idade, o goleiro belga pareceu ter sentido o golpe e soltou uma bola fácil no bico da pequena área, aos 14. Para sua sorte, o chute de Ledley veio em cima, e ele defendeu.

Nos pés de De Bruyne, estiveram duas boas chances para o time de Wilmots. Aos 18 minutos, o meia do Manchester City cobrou falta frontal, mas Hennessey. Aos 25, ele dominou no peito com estilo pela direita e cruzou rasteiro procurando Romelu Lukaku, mas Chester se antecipou e cortou.

Pouco acionado até então, Fellaini esteve a centímetros de empatar aos 28. Alderweireld foi à ponta e levantou na cabeça do atleta do Manchester United, que cabeceou no contrapé de Hennessey, mas viu a bola sair à direita. Dois minutos depois, o meio-campista tentou um cabeceio para o meio buscando Romelu Lukaku, mas o goleiro segurou.

Nesse momento, a Bélgica ainda parecia viva no confronto, mas seu último suspiro foi dado aos 34 minutos, em chute de longe de Witsel que encobriu o travessão. Na sequência, aos 37, Nainggolan dividiu na área, caiu e pediu pênalti, mas o árbitro corretamente deixou seguir.

O golpe de misericórdia, ou melhor, o não ao 'brexit' na Eurocopa aconteceu aos 40. Gunter levantou da direita, Denayer não achou nada e Vokes cabeceou de forma precisa para marcar o terceiro e garantir a classificação galesa.



Ficha técnica:.

País de Gales: Hennessey; Taylor, Chester, Ashley Williams, Davies e Gunter; Ledley (King), Allen e Ramsey (Collins); Bale e Robson-Kanu (Vokes). Técnico: Chris Coleman.

Bélgica: Courtois; Meunier, Alderweireld, Denayer e Jordan Lukaku (Mertens); Witsel, Nainggolan e De Bruyne; Ferreira-Carrasco (Fellaini), Hazard e Romelu Lukaku (Batshuayi). Técnico: Marc Wilmots.

Árbitro: Damir Skomina (Eslovênia), auxiliado pelos compatriotas Jure Praprotnik e Robert Vukan.

Cartões amarelos: Davies, Chester, Gunter e Ramsey (País de Gales); Fellaini e Alderweireld (Bélgica).

Gols: Naingollan (Bélgica); Ashley Williams, Robson-Kanu e Vokes (País de Gales).

Estádio: Pierre-Mauroy, em Lille (França).

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