Esporte

Rússia apresenta equipe olímpica, apesar de ameaças de veto no Rio 2016

20/07/2016 16h24

Ignacio Ortega.

Moscou, 20 jul (EFE).- A Rússia ignorou nesta quarta-feira as ameaças de exclusão dos Jogos Olímpicos devido às acusações de doping de Estado e apresentou sua equipe que tentará ir ao Rio para lutar pelas primeiras posições no quadro de medalhas.

"A maioria de federações internacionais se pronunciou a favor da participação da Rússia nos Jogos Olímpicos", disse Aleksandr Zhukov, presidente do Comitê Olímpico Russo (COR).

Zhukov, que mencionou as federações de natação, ginástica, vôlei e luta como contrárias ao veto, afirmou que devem ser estas, e não o Comitê Olímpico Internacional (COI), as entidades que devem tomar uma decisão sobre a participação de cada atleta russo de maneira individual.

O COI indicou que cogita "a exclusão coletiva dos atletas russos", mas também admitiu que as federações é que devem decidir a sorte dos atletas russos após analisarem seus históricos em exames antidoping.

"Os atletas limpos estiveram durante meio ano sob o controle das agências antidoping internacionais. Os testes foram feitos por especialistas estrangeiros e analisados em laboratórios no exterior. Isto deveria dissipar todas as dúvidas", reiterou Zhukov.

Um total de 387 atletas russos, alguns dos quais já estão treinando no Brasil, foram selecionados pelo COR para competir em 30 modalidades olímpicas.

"Praticamente em todas as modalidades nossos atletas podem lutar pelas medalhas. A idade média da equipe é de 26 anos", destacou Zhukov, que admitiu que os atletas russos estão submetidos a um grande estresse.

O ministro dos Esportes, Vitaly Mutko, garantiu que a Rússia lutará pela vitória em 26 modalidades, previsão que, caso se cumpra, permitiria aos eslavos recuperar o terceiro lugar no quadro geral, que o país perdeu em 2012 para o então anfitrião dos Jogos, o Reino Unido.

A Rússia, que nunca liderou o quadro de medalhas olímpico desde a queda da União Soviética, conquistou 79 medalhas (22 ouros, 25 pratas e 32 bronzes) em Londres.

Entre os escolhidos estão os 68 membros da equipe de atletismo, cuja presença no Rio depende da decisão que será emitida amanhã pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) sobre seu recurso contra o veto da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF).

"Agora, o mais importante é a decisão da CAS, já que, de fato, o tribunal determinará se a responsabilidade dos atletas deve ser coletiva ou individual", reconheceu Zhukov.

Caso a CAS decida pela responsabilidade coletiva, ele advertiu que "atletas inocentes serão punidos" pelos erros de outros.

"Nossa posição é de que a responsabilidade deve ser pessoal. Não há motivo para não confiar em nossos atletas. Esperamos que a decisão da CAS nos seja favorável", ressaltou.

Entre os atletas que não foram punidos por doping está a bicampeã olímpica do salto com vara, Yelena Isinbayeva, que espera encerrar sua carreira no Rio conseguindo sua terceira medalha de ouro (ganhou em 2004 e 2008, além de ter sido bronze em 2012).

"A IAAF decidiu autorizar só os atletas que moram há vários anos no exterior. Este critério só é cumprido por (a saltadora em distância, Daria) Klishina. Isso é uma total discriminação", criticou.

Quem está fora dos Jogos é a tenista Maria Sharapova, porta-bandeira da delegação russa em Londres e que foi punida por consumo do fármaco cardiovascular Meldonium, proibido desde 1º de janeiro.

A maior parte da equipe russa vai embarcar rumo ao Brasil em 28 de julho, caso a decisão do COI seja favorável, segundo Zhukov.

O COI disse que levará em conta a decisão da CAS e as denúncias divulgadas na segunda-feira pelo relatório McLaren, que acusa a Rússia de promover um programa de doping de Estado para liderar o quadro de medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi (2014) e no Mundial de Atletismo de Moscou (2013), entre outras competições.

A respeito, Zhukov voltou a acusar os EUA de exercer "pressões políticas" sobre o COI ao pedir a exclusão da Rússia dois dias antes de o relatório McLaren, encarregado pela Agência Mundial Antidoping (Wada) e que era confidencial, se tornar público.

Entretanto, o Kremlin e Zhukov descartaram hoje o boicote aos Jogos Olímpicos no Rio, como ocorreu em Moscou 1980 (quando os EUA boicotaram a competição devido à invasão do Afeganistão pela URSS), e Los Angeles 1984 (quando o bloco comunista respondeu na mesma moeda).

"Estamos contra qualquer boicote por motivos políticos ou de outro tipo. O uso do movimento olímpico, que é o que une os países, como arma, é coisa do passado. A Rússia nunca participará de algo parecido", frisou o presidente do Comitê Olímpico Russo.

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