Esporte

Refugiados do Rio 2016 dizem estar realizando sonho e destacam seus méritos

30/07/2016 20h00

(Corrige 6º parágrafo).

Rio de Janeiro, 30 de jul (EFE).- Quatro dos dez atletas da equipe de refugiados que representará a bandeira do Comitê Olímpico Internacional (COI) falaram neste sábado sobre o significado da iniciativa e as expectativas de disputar os Jogos do Rio de Janeiro.

Em entrevista coletiva realizada no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, local que receberá a maior parte das competições esportivas do evento, a chefe da missão dos refugiados, a ex-maratonista queniana Tegla Loroupe, destacou que todos foram escolhidos não só pelo status de refugiados, mas também por seus méritos esportivos.

"Temos um time olímpico aqui, e estou muito feliz de representar esses atletas. Graças ao presidente do COI, Thomas Bach, que se preocupa com essas pessoas, isso foi possível", afirmou Tegla.

O momento mais marcante da entrevista foram as declarações finais do congolês Popole Misenga, atualmente refugiado no Brasil. O atleta, que foi separado de sua família quando tinha apenas 9 anos devido à guerra civil em seu país, se emocionou ao ser pedido para enviar uma mensagem para eles.

"Não lembro nem mais o rosto de alguns dos meus familiares. Talvez só o do meu irmão mais velho. Se ele estiver me vendo pela televisão, quero que saiba que estou aqui lutando por ele, para pagar a passagem dele para que ele possa estar aqui comigo", disse.

Misenga e a também congolesa Yolande Makiba treinam no Instituto Reação, uma ONG criada pelo medalhista olímpico brasileiro no judô Flávio Canto, que fica na Rocinha, no Rio de Janeiro. Depois de chegar ao Brasil para a Copa do Mundo de Judô, em 2013, Yolande chegou a dormir na rua e passar fome, mas afirmou que neste ano a sorte voltou a ficar do seu lado.

"O Brasil já é a minha casa. Depois de tudo que eu passei, agora vou mostrar tudo que aprendi. (...) Sou uma lutadora, não só de judô, mas da vida. Cada um de nós tem sua história aqui, mas estamos juntos. Vou lutar por todos os refugiados", frisou a atleta.

O técnico de ambos, Geraldo Bernardes, que participou de quatro Jogos Olímpicos como treinador da seleção brasileira de judô, destacou a importância do trabalho social a equipe do COI e o fato de os dois atletas já serem vencedores só por estarem no Rio representando os refugiados de todo o mundo.

"A maior medalha deles foi a social, de ter oportunidade de novo, a medalha na humanidade. Participei de quatro edições dos Jogos Olímpicos como técnico do Brasil, e sei que a minha medalha agora já está no peito. A deles também", afirmou Geraldo.

Os sírios Rami Anis e Yusra Mardini, ambos da equipe de natação dos refugiados, falaram sobre o sentimento de competir como refugiados e disseram que não competirão apenas por si mesmos.

"Vamos representar todos os refugiados, queremos que eles aprendam uma lição com nossa história. Que a vida nunca vai facilitar a situação, mas que eles continuem lutando e nunca desistam dos seus sonhos", disse Yursa, que atualmente vive na Alemanha.

Já Anis expressou um desejo ainda maior: que não haja mais refugiados no mundo daqui a quatro anos, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, e que todos os atletas possam competir pela bandeira de seus países de origem.

"Não estou participando como sírio, mas estamos aqui representando pessoas que perderam suas vidas, suas famílias. Espero que possamos transmitir uma imagem positiva, que em Tóquio não haja mais refugiados e todos possamos representar nossos países", disse. EFE

lvl/dr

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