Esporte

Porta-bandeira em 3 Jogos, lenda russa espera reviver tempos de glória

03/08/2016 13h51

Ignacio Ortega.

Moscou, 3 ago (EFE).- O lendário lutador russo Aleksandr Karelin, três vezes consecutivas medalhista de ouro em Jogos Olímpicos na luta greco-romana, tem o inusitado histórico de ter sido porta-bandeira na cerimônia de abertura das edições de Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996 por três potências diferentes: União Soviética, Comunidade dos Estados Independentes e Rússia, respectivamente.

"Em um espaço de tempo muito curto, levei as bandeiras de três diferentes potências: a URSS, a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e a Rússia. Não desejo isso a ninguém", disse à Agência Efe o lutador, eleito três vezes deputado pela Sibéria desde que se aposentou do esporte após a disputa dos Jogos de Sydney, em 2000, quando ficou com a prata.

Embora orgulhoso de suas origens russas, Karelin reconhece que sente uma certa nostalgia dos tempos da União Soviética, país que contava quase 200 etnias diferentes e cuja bandeira com a foice e o martelo ele conduziu nos Jogos de Seul, nos quais conquistou seu primeiro ouro olímpico, com apenas 20 anos.

Após a desintegração da URSS, em 1991, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu que as 15 repúblicas que integravam o Estado soviético deviam competir sob a mesma bandeira em Barcelona.

"Era a bandeira branca com os anéis olímpicos. O COI decidiu corretamente que deveríamos seguir competindo como equipe unificada", lembrou.

Desta forma, Karelin conquistou seu segundo ouro, e a CEI, que incluía as ex-repúblicas soviéticas (exceto Lituânia, Letônia e Estônia) liderou o quadro de medalhas com 112 conquistas, desbancando os Estados Unidos, grande rival durante a Guerra Fria.

Nos Jogos de Atlanta 1996, o lutador foi novamente eleito porta-bandeira, desta vez representando a Federação Russa, que ficou na segunda posição no quadro geral, com 63 medalhas, muito atrás dos anfitriões, que somaram 101.

Naquela edição, o lutador siberiano, 12 vezes campeão europeu e nove vezes campeão mundial, conquistou seu terceiro ouro nos Jogos. Buscando o tetracampeonato olímpico na Austrália, em 2000, Karelin ficou com a medalha de prata após ser batido pelo americano Rulon Gardner, que impôs a primeira derrota do russo em 13 anos.

Embora ainda siga vinculado à luta, o ex-atleta agora dedica quase todo seu tempo à política, atuando como deputado pelo partido do governo (Rússia Unida) por sua cidade natal, a Sibéria.

"Foi difícil a transição do esporte para a política. Meus fãs agora são meus eleitores. Três vezes campeão olímpico soa muito mais convincente do que deputado em quatro mandatos", argumentou.

Karelin não perdoa o Ocidente pela desintegração, em 15 territórios, do que ele considerava "um grande país".

"Não só não podiam perdoar nossa hegemonia militar, mas também nossa irrepreensível reputação como potência esportiva. Fui cidadão da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, russo de origem e continuo a sê-lo", frisou.

Ele admite que o Kremlin, através das vitórias dos atletas soviéticos, queria "demonstrar ao mundo as vantagens do modo de vida socialista", e insiste que "embora tenha deixado de existir, nem tudo que nos ensinaram na URSS era mau".

No plano esportivo, com a dissolução da URSS, desapareceram muitos clubes e academias e os treinadores se venderam aos melhores contratos, o que rompeu a cadeia de seleção dos melhores atletas.

"Nos concentramos na sobrevivência. Mas conservamos os métodos de treino. A tradição não se perdeu. É questão de tempo. O território se reduziu, mas etnicamente somos muito ricos. Sairão atletas competitivos", prevê.

Sobre quem deve carregar a bandeira Russa nos Jogos do Rio, o ex-lutador opina que o escolhido deveria ser algum campeão olímpico que tenha condições de disputar o ouro também nesta edição, exigências cumpridas à risca pela atleta do salto com vara e bicampeã olímpica Yelena Isinbayeva.

Ela, no entanto, não poderá competir por conta da punição imposta à toda equipe de atletismo russa, afastada dos Jogos de 2016 devido aos múltiplos casos de doping denunciados ano passado. Sem a participação de Isinbayeva, o capitão da seleção de volêi do país, Sergei Tetiujin, campeão em Londres, foi o escolhido.

Incluído na comissão independente antidoping pelo presidente Vladimir Putin, criada após o estouro do escandâlo de doping, Karelin considera este um problema global, mesmo que o caso russo possa parecer "mais agudo". O carismático lutador, que apesar do porte ameaçador apresenta trato suave, nega, no entanto, que o Estado tenha atuado de maneira a encobrir os testes positivos.

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