Esporte

Promessa de integração sul-americana com jogos do Rio fica só no papel

05/08/2016 19h25

Carlos A. Moreno.

Rio de Janeiro, 5 ago (EFE).- Quando o Rio de Janeiro se candidatou para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, a promessa era de que, em uma eventual conquista do direito, o evento serviria para integrar toda a região da América do Sul, algo que, no entanto, ficou apenas na promessa de governantes e dirigentes esportivos.

Após ter alardeado que a escolha do Rio como sede dos Jogos corrigiria uma injustiça histórica com uma região ignorada até então pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), o Brasil não contemplou os vizinhos sul-americanos nem mesmo no percurso da tocha olímpica.

Das cerca de 500 cidades brasileiras pelas quais o maior símbolo olímpico passou em seus 95 dias de percurso, apenas uma é de fronteira: Foz do Iguaçu.

A escolha do município, no entanto, não se deu por causa da localização, na fronteira tripla com a Argentina e Paraguai, mas serviu somente ao interesse do governo brasileiro em promover seus atrativos turísticos, como as famosas cataratas do Iguaçu.

O Brasil chegou a anunciar um evento especial com a tocha olímpica na cidade, com a participação de autoridades argentinas e paraguaias, para "comemorar a integração sul-americana", algo que também não saiu do papel.

Há sete anos, em Copenhague, quando desbancou Madri, Tóquio e Chicago na eleição para sediar os jogos, o Rio usou e abusou do status de primeira cidade da região a organizar o evento.

"Chegou a hora de um país sul-americano organizar os Jogos Olímpicos", afirmou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente do COI, o belga Jacques Rogge, admitiu então que, apesar do valor das outras três candidatas, a cidade brasileira contava com o "valor agregado" que levaria os Jogos "a um continente não explorado" antes.

Lula aproveitou o enorme carisma e a grande popularidade que tinha na época entre os países da América do Sul para unir toda a região sob a bandeira de que a vitória do Brasil, finalmente, atenderia às reivindicações da região e que o Rio não era uma candidatura exclusivamente brasileira mas sul-americana.

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e atual presidente do Comitê Organizador da Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, chegou a utilizar um mapa mundi na sede do COI, em Lausanne (Suíça), quando apresentou a candidatura carioca, para deixar claro que a América do Sul tinha sido excluída até então da geografia olímpica.

"Os membros do COI sorriram e alguns inclusive aplaudiram", relatou então o secretário da candidatura, Carlos Osório, ao descrever a reação dos dirigentes esportivos na ocasião.

Desde sua primeira edição na Era Moderna, em Atenas em 1896, os Jogos Olímpicos foram realizados em 21 cidades europeias, 5 norte-americanas, 3 asiáticas e 2 da Oceania. O mais próximo que estiveram da América do Sul foi na Cidade do México, que abrigou o evento em 1968.

Tal esquecimento ignorou por mais de um século o grande respaldo da América do Sul ao COI, inclusive desde sua fundação, em 1894, em Paris. Entre os doze países com os quais contou Pierre de Coubertin para constituir o COI, a Argentina aparecia com destaque.

Buenos Aires, no entanto, foi derrotada nas três ocasiões em que se candidatou para organizar os Jogos, a primeira das quais, em 1949, por um só voto (21 a 20), por Melbourne (Austrália).

A capital argentina tentou de novo em 1963, quando o COI optou pela Cidade do México para os Jogos de 1968, e, em 1997, a candidatura foi eliminada no segundo turno na disputa pela sede da edição de 2004.

O Rio de Janeiro postulou sua candidatura duas vezes antes de vencer. Em 1997, tentou organizar os Jogos de 2004 e foi eliminado no primeiro turno. Oito anos depois, concorreu aos de 2012, mas não conseguiu passar na linha de corte do COI.

Entre as cidades latino-americanas, o México organizou os Jogos de 1968 após se candiatar também em 1956 e 1960. Havana, capital de Cuba, quis organizá-los em 2008 e 2012, mas não passou pela linha de corte do COI em ambas as oportunidades.

Até por conta deste histórico de derrotas, a escolha de Rio em 2009 foi encarada como uma vitória regional por vários dos então governantes.

"Essa vitória não é só do Brasil, mas de toda a América do Sul", exaltou na época o ainda hoje presidente da Bolívia, Evo Morales.

Assim como na Copa do Mundo de futebol que o Brasil organizou em 2014, quando os sul-americanos foram os turistas que em maior número visitaram o país, as autoridades brasileiras confiam que os primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul atrairão números recordes de visitantes dos países vizinhos.

Apesar de ainda não existirem dados sobre a venda de entradas para o evento em outros países, o Comitê Organizador admitiu que os países vizinhos estão entre os que mais reservaram ingressos.

Os organizadores esperam que os números dos Jogos superem os do Mundial, quando o Rio de Janeiro, uma das 12 sedes do evento, recebeu 886 mil turistas, dos quais 471 mil estrangeiros, que deixaram na cidade cerca de US$ 2 milhões, quatro vezes mais que o esperado pelo país.

Os turistas sul-americanos foram os que mais tiveram participação nesses números. Os argentinos foram os que vieram em maior número (77 mil), seguidos dos chilenos (45 mil) e dos colombianos (31 mil). EFE

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