Esporte

Vírus da zika provoca alarde nos meses que antecederam os Jogos Olímpicos

05/08/2016 14h02

Redação Central, 5 ago (EFE).- Os Jogos Olímpicos sempre atraem a atenção pelas disputas de medalhas, também pela organização estrutural da sede, além de questões próprias de cada país, como foi com a poluição na China, em 2008, e neste ano, no Rio de Janeiro, a propagação do vírus da zika no Brasil causou preocupação mundial.

A doença, que tem como principal via de contágio a picada do mosquito aedes aegypti, também causador da dengue, foi detectada pela primeira vez no país em abril de 2015, mas a rápida propagação obrigou a decretação de emergência de saúde já sete meses depois. Em 1º de fevereiro de 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tornou o alerta internacional.

O grande temor, especialmente dos atletas, foi o risco de microcefalia em bebês, consequência direta da infecção do vírus, que segundo estudos pode ser transmitido via sexual e, posteriormente, da mãe para o feto.

Por causa disso, o australiano Jason Day, número 1 do ranking mundial de golfe, por exemplo, desistiu de vir ao Brasil, enquanto o britânico Greg Rutherford, campeão olímpico do salto em distância, resolveu congelar esperma antes de viajar.

Epidemiologistas de diversos países se manifestaram, favoráveis pela transferência da sede dos Jogos, devido ao vírus, o que causou alarme entre os esportistas. A necessidade, no entanto, foi rechaçada pela própria OMS, pelo governo brasileiro e também pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Uma das justificativas é a realização do evento poliesportivo no inverno carioca, quando as temperaturas caem, o que provoca uma redução da incidência do aedes aegypti, por consequência, do número de casos de zika.



Cronologia da zika no Brasi e a relação com os Jogos Olímpicos:.



2015



- ABRIL: Brasil confirma surto de zika.

- MAIO: Vírus da zika se alastra pela região Nordeste.

- NOVEMBRO: Ministério da Saúde estabelece relação entre o alarmante número de recém-nascidos com microcefalia e a zika.



2016



- JANEIRO: Início de operação com mais de 260 mil soldados para vistoriar casas, identificar e destruir criadouros do aedes aegypti.



Estados Unidos recomenda que mulheres grávidas não viajem ao Brasil.



- FEVEREIRO: Organzição Mundial de Saúde (OMS) declara a zika emergência sanitária de interesse internacional, pela rápida propagação em diferentes países.



- ABRIL: Pesquisadores brasileiros vinculam a zika com uma síndrome auto-imune chamada encefalomielite disseminada aguda (ADEM), que ataca o cérebro e a medula espinhal.



- MAIO: A americana Serena Williams, número 1 do tênis mundial, admite estar seriamente preocupada por causa do vírus.



- JUNHO: Governo brasileiro anuncia investimento de R$ 65 milhões em pesquisas sobre a zika.



Comitê Organizador dos Jogos insiste que zika não é um risco para atletas e turistas que vierem para o Rio de Janeiro.



Ministério da Saúde contabiliza 1.551 casos de microcefalia associados ao vírus.



Ricardo Barros, ministro da Saúe, garante que o risco de propagação da zika durente os Jogos é mínimo, pela redução da população de mosquitos no inverno.



OMS diz que Jogos Olímpicos não representam risco adicional a expansão o vírus da zika, pois o nível de transmissão "já será muito baixo".



JULHO: Michel Temer, presidente interino do Brasil, em mensagem publicada no site oficial dos Jogos Olímpicos, diz que risco de contágio pelo vírus da zika é "praticamente inexistente".



Atletas olímpicos espanhóis terão aplicativo no celular para controlar possíveis sintomas do vírus e serão acompanhados até seis meses após os Jogos.



Governo anuncia que casos de microcefalia ligados a zika chegam a 1.709.



Estudo realizado por grupo de pesquisadores brasileiros identifica o 'Culex quinquefasciatus', conhecido como muriçoca ou pernilongo doméstico, como "potencial" transmissor do vírus.



Pesquisadores britânicos e americanos concluem que 1,65 bilhão de mulheres em idade fértil nas Américas do Sul e Central estão em risco de contrair o vírus da zika na primeira onda da epidemia.

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