Esporte

Argentino repete viagem de bicicleta ao Rio para ver Jogos Olímpicos

08/08/2016 06h00

Carlos A. Moreno.

Rio de Janeiro, 8 ago (EFE).- A dureza da viagem de quase 2.900 quilômetros que fez de bicicleta em 2014 para torcer pela Argentina na Copa do Mundo e uma queda que o manteve vários dias parado não desanimaram o argentino Daniel Amadeo Baquin de realizar o sonho de voltar pedalando ao Rio de Janeiro para ver os Jogos Olímpicos.

E fez isso em um modelo antigo e pesado que herdou da família e que conta com uma grande cesta na parte da frente onde carrega tudo o que precisa para passar vários meses fora de casa, desde barraca e saco de dormir até fogareiro e panelas.

Sem ingresso para nenhuma das competições, mas disposto a aproveitar as que são disputadas ao ar livre, como a maratona e as provas de ciclismo de estrada, Amadeo circula em sua bicicleta pelos lugares de maior apelo turístico da cidade em busca de compatriotas ou de qualquer um que escute sua história.

"Foi maravilhoso. Saí de Córdoba no dia 15 de abril e cheguei ao Rio em 21 de julho. Foram três meses e sete dias de viagem. Vim aos Jogos Olímpicos. Foi uma viagem maravilhosa, independentemente das coisas que acontecem, e muitas coisas podem acontecer nesse tempo", relatou à Agência Efe na praia de Copacabana, em frente aos aros olímpicos que atraem milhares de turistas.

Amadeo Baquin, de 55 anos, que trabalhava como caseiro em um sítio em Córdoba, sempre teve o sonho de conhecer o Rio e decidiu torná-lo realidade em abril de 2014 quando, aproveitando as férias, decidiu viajar ao Brasil para torcer pela seleção de seu país no Mundial no qual a Argentina foi vice-campeã.

Há dois anos, no entanto, sua viagem só demorou um mês e cinco dias e o reuniu com os milhares de argentinos que invadiram o Rio durante a Copa, dos quais cobrava alguns pesos para permitir que tirassem uma fotografia a seu lado para ajudar no seu sustento.

Em sua primeira viagem não sofreu um acidente que o atrasasse e viajou diretamente pelas estradas do interior do país, cujo traçado mais direto reduz o número de quilômetros. Neste ano, no entanto, quis conhecer o litoral brasileiro, um trajeto mais longo.

"É a segunda vez que venho de bicicleta. A primeira vez foi em 2014 na Copa do Mundo. Vim pela Dutra e então disse a mim mesmo que, se retornasse algum dia, voltaria pelo litoral. Uma maravilha", comentou.

Apesar de carregar tudo o que necessita para dormir e alimentar-se, em sua primeira estadia no Rio de Janeiro ficou amigo de um reparador de aros de rodas que lhe deu alojamento por várias semanas e desta vez conseguiu outro brasileiro que o acolheu em sua casa.

"Levo barraca, saco de dormir, colchão inflável, fogareiro, levo todos os aparatos para fazer comida. Durmo nos postos de gasolina, mas aqui, quando cheguei ao Rio, me deram abrigo. Quero pagar, mas não querem receber", assegurou.

Embora pretenda ficar no Rio até o final dos Jogos, não sabe se conseguirá porque lhe restam poucos recursos.

"Fiquei com muito pouco dinheiro porque me machuquei em Maresias (no litoral de São Paulo). Os freios falharam e caí. Fiquei 18 dias me recuperando. A sorte foi que não me fraturei. Disse que ia continuar e continuei. Cheguei ao Rio pela segunda vez", declarou orgulhoso.

Em Maresias, Amadeo teve ainda a oportunidade de conhecer o surfista Gabriel Medina, campeão mundial de surfe no ano passado.

O aventureiro ressalta que sua viagem também serve para promover os benefícios de beber água, hábito que, segundo o próprio, lhe permitiu viver sem nenhuma doença e sem tomar nem uma aspirina nos últimos 25 anos.

"Eu tomo dez litros de água por dia. Não me privo de cachaça, uísque, caipirinha, comida... Tudo o que quiser. Mas depois tomo dez litros de água. Há 25 anos não tomo uma aspirina para dor de cabeça. Não tenho estresse", afirmou.

A outra intenção da viagem, segundo acrescentou, é ver os melhores atletas do mundo nos Jogos Olímpicos.

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