Esporte

Da Cidade de Deus ao título olímpico, Rafaela Silva celebra ouro da superação

08/08/2016 18h32

Lucas de Vitta.

Rio de Janeiro, 8 ago (EFE).- A judoca Rafaela Silva comemorou a medalha inédita em sua carreira com um desafabo contra aqueles que a criticaram e a ofenderam depois da desclassificação em Londres 2012, mas também com uma mensagem de esperança para milhões de crianças do país que veem no esporte uma alternativa para superar a pobreza e ficar longe do crime.

"Isso é para todos que me criticaram, que falaram que eu era uma vergonha para a minha família, que eu não tinha capacidade de estar numa Olímpiada, que era para eu estar em uma jaula", desabafou a atleta após a vitória, lembrando as declarações racistas que ouviu depois de aplicar um golpe considerado irregular pela arbitragem contra a húngara Hedvig Karakas há quatro anos.

Natural da comunidade da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a história de superação de Rafaela vai além do caminho entre a favela e o primeiro ouro do Brasil nos Jogos de 2016. Envolve obstáculos como o próprio drama olímpico em Londres, o quase abandono dos tatames e o descrédito de muitos daqueles que acreditaram no retorno da judoca após a conquista do ouro no Mundial de 2013, também no Rio.

"Depois da minha derrota em Londres, eu ia largar o judô. Comecei a fazer um trabalho psicológico com minha coach Nell Salgado. Ela que não me deixou abandonar. Meu técnico me incentivava a cada dia. Em 2014 e 2015, não tive bons resultados. Fui eliminada no Campeonato Mundial na primeira rodada. Em 2014, fiquei em quinto. Falaram que eu era uma icógnita porque eu vinha perdendo para atletas que nunca tinham me derrotado antes", completou.

Superação requer trabalho, uma receita que Rafaela já conhecia desde a infância. O judô, que começou como uma brincadeira, quando seu pai a colocou no Instituto Reação, projeto social criado pelo também medalhista olímpico Flávio Canto, se transformou em ferramenta para dar a volta por cima. Um processo pelo qual a nova campeã já tinha passado e sabia que seria capaz de repetir.

"Treinei o máximo que eu podia nesses dois últimos anos e o resultado veio. A torcida me ajudou bastante. A arena chegava a tremer. Vi as adversárias sentirem a pressão, e eu não. Eu queria receber todas essas pessoas que vieram torcer por mim dentro da minha casa", destacou a carioca após a vitória.

O desabafo também veio com uma mensagem de esperança para tantas crianças que hoje são como ela foi no passado. "Se eu puder ajudar a mostrar que o judô começou para mim como uma brincadeira e agora sou campeã mundial e olímpica, acho que seria inexplicável", disse.

"Se elas têm um sonho, elas têm que acredita que ele pode se realizar. Dedico a medalha ao povo brasileiro que veio torcer, minha família e meus amigos que convivem comigo diariamente", concluiu a mais nova medalhista de ouro do Brasil.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

Mais Esporte

Topo