Esporte

Polêmica sobre doping gera troca de farpas entre medalhistas de EUA e Rússia

09/08/2016 02h47

Rio de Janeiro, 9 ago (EFE).- A rivalidade entre Estados Unidos e Rússia no esporte ganhou mais um episódio na madrugada desta terça-feira, com uma troca de indiretas entre a americana Lilly King, nova campeã olímpica dos 100m peito, e a russa Yulia Efimova, que ficou com a prata da prova no Rio de Janeiro após ser vaiada pelo suposto envolvimento em escândalos de doping.

Em coletiva de imprensa após subir ao pódio, Efimova foi bombardeada por perguntas que buscavam um posicionamento da atleta a respeito das acusações de dopagem e sobre como ela se sentia após ser criticada pela torcida e por outros competidores.

Com a voz trêmula e os olhos lacrimejando, a russa disse se sentir "feliz" com a conquista, mas garantiu não saber o que aconteceu e responsabilizou uma suposta interferência da política no meio esportivo pela polêmica, que segundo ela busca "derrotar a Rússia".

"Não sei o que acontece com a política. Venho treinando nos Estados Unidos ao longo dos últimos quatro anos e visitei a Rússia durante um mês a cada ano. Não sei o que estava acontecendo lá e conheço muitos atletas limpos que foram banidos por causa disso. Isso é quando a política se mete no esporte. Estão tentando encontrar uma maneira de derrotar a Rússia", acusou.

A russa já foi flagrada pelo antidoping duas vezes. A primeira ocorreu em outubro de 2013 e acarretou uma suspensão de 16 meses devido à presença da substância proibida meldonium, a mesma do segundo caso, divulgado em fevereiro deste ano.

Provisoriamente suspensa dos Jogos Olímpicos pela Federação Internacional de Natação (Fina), Efimova viu a entidade voltar atrás, retirando as acusações semanas antes do início da competição, e foi liberada para disputar medalhas.

"Uma vez cometi erros e fui suspensa por 16 meses. Na segunda vez não foram meus erros e não tenho o que explicar, não posso falar para deixarem de fazer iogurte ou proteínas. Se o doping der positivo, vai ser sua a culpa?", indagou.

Sentadas à mesma mesa e sorridentes com os resultados obtidos, King e a medalhista de bronze, a também americana Katie Meili, foram questionadas sobre o que pensavam ao competirem contra uma adversária que já foi reprovada no exame antidoping, duas vezes no caso da russa.

A campeã olímpica foi enfática e não economizou nas palavras para discordar da decisão de permitir que atletas flagrados participem dos Jogos, inclusive mencionando a recente conquista pessoal como exemplo a ser seguido.

"Essa é a minha primeira participação olímpica, e ser bem-sucedida competindo limpo é o que acho melhor para mim. É uma vitória do esporte limpo. Tenho que respeitar a decisão, mas acho que pessoas pegas no antidoping não deveriam competir. Isso deveria ser resolvido de uma vez, não pode haver dúvidas e idas e vindas. Mas a decisão deles é que importa, a minha não", declarou King.

Chorosa a cada pergunta, Efimova, que concedeu metade da entrevista em inglês, pediu para falar em russo, de modo a poder se expressar melhor. Em clara resposta não apenas aos jornalistas, mas também à americana, a russa lamentou que muitos atletas acreditem nas acusações veiculadas e questionou a eventual postura dos demais caso estivessem em seu lugar.

"É muito triste que atletas acreditem nisso, apenas no que leem ou veem na televisão. Não conseguem imaginar como seria se trocassem de lugar comigo. Muitos atletas me apoiam, aqueles que me viram treinar sabem que dou o melhor de mim e faço tudo o que posso. Eu gostaria de incentivar atletas a não deixarem a politica entrar no meio do esporte", disse a medalhista de prata.

Ao término da prova, as americanas comemoraram entre si os resultados e deixaram a russa fora da festa. Questionada sobre o motivo pelo qual não parabenizou Efimova, Lilly King disse que não gostaria de receber as felicitações de uma pessoa que não acreditasse em sua versão da história.

"Na posição de Yulia, eu não gostaria de ser parabenizada por quem não me entende. Se ela queria ser parabenizada por mim, apenas peço desculpas. Eu estava concentrada na comemoração com a Katie", disse King em referência à compatriota, que foi ofuscada durante a coletiva de imprensa.

O ponto de vista de King é similar ao do nadador americano Michael Phelps, que foi questionado sobre a polêmica após se classificar para a final dos 200m borboleta, que será disputada na noite desta terça-feira.

Atleta mais premiado da história dos Jogos Olímpicos com 23 medalhas, a mais recente conquistada no revezamento 4x100m masculino nesta edição, Phelps não citou nomes, mas condenou que atletas flagrados no antidoping sejam liberados para competir, em evidente indireta a Efimova.

"Acredito que o esporte deveria ser limpo. E triste que, hoje em dia, testem positivo não apenas uma vez, mas duas, e ainda têm a oportunidade de competir. Isso parte o meu coração e gostaria que alguém pudesse fazer algo para resolver isso", criticou.

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