Esporte

Shang Chunsong, a chinesa que superou a pobreza para brilhar na ginástica

12/08/2016 12h56

Pequim, 12 ago (EFE).- Os telespectadores chineses se emocionaram nesta sexta-feira com as lágrimas da ginasta Shang Chunsong, que por pouco não conseguiu uma medalha no individual geral nos Jogos Olímpicos do Rio, para coroar uma história marcada pela superação, luta contra a pobreza e as adversidades.

A pequena Shang, de 20 anos, foi uma das imagens marcantes das finais da ginástica ao cair no choro diante das câmeras da emissora estatal chinesa "CCTV" depois de obter a quarta colocação na competição em que a americana Simone Biles confirmou o favoritismo e levou o ouro.

Apenas 115 milésimos separaram a ginasta de 1m42 de altura da medalha de bronze, que acabou ficando com a russa Aliya Mustafina, em uma final na qual os torcedores chineses se queixaram da nota atribuída à atleta no exercício de solo, que consideraram baixa.

"Não esperava conseguir nada antes dos Jogos, mas após a quarta rotação, quando vi que o resultado de Mustafina estava perto do meu, me senti muito mal, pensei que poderia ter ganhado uma medalha", admitiu Shang sem conseguir conter as lágrimas.

A tristeza de Shang é compreensível em um esporte tão ingrato com a idade como é a ginástica, onde os 20 anos da atleta lhe transformam na veterana da equipe e já podem obrigá-la a ceder espaço para outras promessas nos Jogos de Tóquio, em 2020.

Shang nasceu de uma remota aldeia de Zhangjiajie, nas belas montanhas de Hunan, uma paisagem idílica que inspirou os Montes Aleluia do filme "Avatar", mas onde a vida em nada se parece com o cinema.

A família de camponeses da ginasta nem sempre pôde garantir aos filhos alimentação e roupas necessárias para se proteger do inverno, segundo informava esta semana a imprensa oficial chinesa.

Para ir à escola, ela e o irmão, que sofre de cegueira parcial, tinham que percorrer todos os dias vários quilômetros através das montanhas, algo que ainda ocorre a muitas crianças chinesas em zonas remotas do país.

Seu irmão às vezes a levava sobre os ombros no duro percurso. O maior sacríficio pela irmã, no entanto, foi quando esta iniciou na ginástica, ao 7 anos, e ele abandonou a escola e arrumou um emprego como massagista - ofício habitual entre os cegos chineses - para ajudar no pagamento das aulas de ginástica de Shang.

Foi então que a menina decidiu treinar ao máximo - e nos rígidos centros de treino para ginastas da China isso é especialmente duro - com um único objetivo: juntar um dia dinheiro suficiente para que seu irmão pudesse operar os olhos.

Shang não pôde coroar por enquanto o conto com uma medalha olímpica individual, embora tenha conquistado o bronze nos Jogos do Rio na competição por equipes. O sonho da medalha individual, porém, ainda não está descartado. No domingo ela disputará a final nas barras assimétricas.

A chinesa parte em princípio com as piores notas, mas ela e suas companheiras pelo menos têm a "vantagem" de uma final em aberto, uma vez que será a única sem a presença de Simone Biles, a melhor ginasta do mundo.

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