Esporte

Em "melhor prova da vida", Poliana celebra bronze inédito após drama em 2012

15/08/2016 15h38

Lucas de Vitta.

Rio de Janeiro, 15 ago (EFE).- Do drama da hipotermia em Londres à glória nas águas de Copacabana, a paulista Poliana Okimoto comemorou muito o bronze olímpico conquistado nesta segunda-feira na maratona aquática nos Jogos do Rio de Janeiro, um resultado conquistado no que definiu como a "melhor prova da vida" e que veio com as condições ideais para ela depois do sofrimento vivido com a temperatura das águas do lago Serpentine, há quatro anos.

"Viemos acompanhando as marés, a temperatura da água. Esperávamos que o mar estivesse mexido e frio, e eu me preparei para isso. Mas ele não estava nem mexido, nem frio. As melhores condições eram essas de hoje. O mar mais calmo, com 21 ou 22 graus, é onde eu consigo nadar melhor. Deus é brasileiro, né? Não é possível. Melhores condições para mim e esse quarto lugar que virou terceiro", afirmou a nadadora após a conquista.

Brasileiro ou não, Deus continua escrevendo certo por linhas tortas, pelo menos no caso de Poliana. A medalha de bronze, a primeira de uma mulher brasileira em esportes aquáticos, só veio depois do fim da prova. A paulista terminou com a quarta colocação, mas foi beneficiada pela desclassificação da francesa Aurelie Muller, que fez uma manobra ilegal na chegada e perdeu o pódio.

"Quarto lugar é difícil de aceitar, é ingrato. Dá aquele gostinho de que podia ser melhor. Mas na hora eu que eu cheguei, eu não tinha condições de dar nada mais. Eu saí feliz, saí com o quarto lugar, mas não saí frustrada, triste. Pelo contrário, eu tinha feito a melhor prova da minha vida", comentou a atleta depois da prova.

"Acho que eu merecia muito essa medalha. Eu lutei muito para estar aqui, por essa medalha. Os treinos que eu fiz foram impressionantes. Acho que eu melhorei tudo. Meu aspecto psicológico, hoje eu vim aqui me divertir, eu vim curtir. Estava curtindo cada momento", afirmou Poliana após as duas horas de prova.

Para chegar à conquista inédita para o esporte brasileiro, a atleta teve que deixar de lado a depressão depois do que ocorreu há quatro anos, as dúvidas sobre sua capacidade de continuar em alto nível, mesmo com 33 anos, e uma lesão durante o ciclo olímpico.

"Todo mundo já sabe o quanto eu sai frustrada de lá. Acho que eu comecei a acreditar nessa medalha em 2013, quando eu fui campeã mundial na prova dos 10 quilômetros. Esse Mundial foi para mostrar que eu era capaz, que dava. Mas em 2014 eu tive uma lesão, demorei para voltar, fiquei alguns meses afastada e meu objetivo em 2015 era me classificar. Me classifiquei e voltei a treinar. A treinar muito bem. Os treinos que eu fiz foram inacreditáveis, a minha preparação foi muito boa. Eu acho que eu construí essa medalha a cada dia, a cada treino. As poucas pessoas que conseguem acompanhar meu treino, elas sabiam o quanto eu estava em progressão", afirmou Poliana, revelando que chegou a treinar 100 quilômetros por. semana, algo que classificou como "loucura".

A nadadora disse que a conquista é um sonho muito antigo que voltou com força em Copacabana e acabou se concretizando. E comemorou ter feito a melhor prova de sua vida. "Fiz uma boa prova, não mudaria em nada o que eu fiz hoje. Estava muito concentrada, consciente do que eu estava fazendo, focada na minha prova. Sem pressão, sem precisar mostrar resultado algum. Estava leve e queria fazer isso por mim e pelas pessoas que me ajudaram", destacou, celebrando também o fato de ter sido a primeira mulher a ter uma medalha olímpica nos esportes aquáticos.

"Eu me sinto muito realizada nesse sentido. Acho que eu fui a pioneira na maratona aquática, não só por causa da medalha de hoje. Mas lá, em 2006, quando eu conquistei a primeira medalha mundial para a maratona aquática, para os esportes aquáticos, eu acho que isso foi início de era uma muito boa, de uma safra muito boa. Acho que o Alan e a Ana Marcela vieram nesse lastro meu. O Pan-Americano de 2007 também deixou um legado. Os primeiros resultados que eu tive abriram portas para o meu esporte e para os atletas que estavam vindo e crescendo junto comigo. Eu me sinto muito realizada. Pela medalha e pela carreira que eu tive na maratona aquática. Foi uma carreira muito bonita, na qual eu consegui sair do zero, do nada. Ninguém sabia o que era maratona aquática no Brasil, não tinha resultados expressivos. Fui a primeira, acho que eu merecia muito essa medalha. Lutei, batalhei muito a muito tempo", disse Poliana, que pode ter feito sua última participação nos Jogos Olímpicos nesta segunda-feira.

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