Esporte

De menino louco por futebol, Alison torna-se lenda no vôlei de praia

19/08/2016 01h07

Bruno Guedes.

Rio de Janeiro, 19 ago (EFE).- No calçadão da praia da Copacabana um gigante de 2m03 se destaca em um grupo de brasileiros facilmente identificados pelas camisas amarelas e verdes: uma observação mais atenta revela, mais do que a altura, a presença de Alison, agora campeão olímpico de vôlei de praia.

A cena foi comum nesse mês de agosto, já que mesmo após complicados duelos, como na vitória sobre os americanos Philip Dalhausser e Nicholas Lucena, nas quartas de final dos Jogos do Rio de Janeiro, o capixaba de Vitória dava atenção ao público na praia de Copacabana enquanto aguardava o ônibus da organização que o levaria de volta para a Vila dos Atletas, na Barra da Tijuca.

"Eu dou atenção para a torcida, dou pelo tempo que for, porque eles ficam aqui, são pessoas que gostam do voleibol. Nosso país precisa referências. Não que eu me considere uma, só amo o voleibol", disse o parceiro de Bruno Schmidt logo após uma das vitórias da dupla.

Toda entrevista que Alison, também chamado de Mamute, concedia durante esses Jogos tinha o mesmo tom, o de orgulho de vestir as cores da bandeira nacional, tanto em sua segunda Olimpíada como no Circuito Mundial, em que as duplas são sempre formadas por atletas do mesmo país.

"Eu me vejo como um cidadão brasileiro que ama sua pátria. Eu adoro representar meu país e o defendo unhas e dentes", revelou.

Campeão do Circuito Mundial em 2011, com Emanuel, e do Campeonato Mundial no ano passado, com Bruno Schmidt, Alison nunca mostrou medo da cobrança que os atletas brasileiros costumam sofrer, especialmente nos Jogos Olímpicos, em que todas as atenções se voltam para os resultados obtidos no evento.

"Pressão? A vida do atleta é essa: superação. Dias de luta, dias de glória", respondeu o capixaba, revelando o lema que serve quase como um mantra em quadra.

Quem vê Alison se agigantando em quadra diante dos rivais, pela altura e, principalmente, pela força e determinação que impõe, mal sabe que o vôlei entrou na vida do medalhista de ouro graças a uma imposição materna, ainda em Vitória, há quase duas décadas.

"Com 11 anos de idade, minha mãe me colocou em uma escolinha, mas eu não queria. Eu sempre gostei de futebol, acompanho até hoje, mas eu era menor, né? Eu achava vôlei estranho, diferente. Mas ela me matriculou, e desde então eu a agradeço por isso", contou.

Essa é uma das lembranças que passam na cabeça de Alison em cada comemoração, por pontos, vitórias e títulos. Assim como as críticas que surgiram após anúncio da formação da dupla com Bruno Schmidt, de 1m85, logo em seguida do fim da parceria com Emanuel.

"Começamos em 2014, superando dificuldades, pouca gente acreditava na gente. Diziam 'o Alison perdeu uma final olímpica', 'o Bruno é baixinho'. Mostramos para o mundo que o trabalho foi bem feito e que superamos as dificuldades", sacramentou o Mamute.

A recordação do duelo com os alemães Julius Brink e Jonas Reckermann segue forte. Uma cicatriz, como diz Alison, garantindo que isso o fortalece. A disputa do ouro na capital britânica teve parciais de 23-21, 16-21 e 16-14, com uma quase virada brasileira no tie-break, mas sensação de dever cumprido também.

"Não me arrependo de nada. Eu e Emanuel nos encontramos várias vezes, conversamos e sabemos que fizemos todo o nosso melhor", admitiu.

Daquele jogo até 2016, no Rio de Janeiro, uma rápida olhada na lista de medalhistas olímpicos poderia sugerir uma caminhada tranquila para o Mamute avançar até o topo do pódio. Muita coisa aconteceu desde então, com direito a uma operação no joelho direito, em novembro de 2014, o que faz o capixaba se dizer um "iluminado" por conseguir chegar a uma segunda final olimpica.

"Passei por muita coisa, cirurgia e acho que hoje sou um cara muito mais grato às pessoas. Eu acredito muito mais no nosso potencial", afirmou Alison, comparando-se com o atleta de quatro anos atrás.

Nem tudo mudou no estilo do jogador, contudo. E esta talvez seja a melhor explicação para o sucesso do menino que só queria saber de futebol e que na madrugada desta sexta-feira colocou o nome, definitivamente, na lista dos grandes da história do vôlei de praia mundial.

"A agressividade é a mesma, a gana é a mesma. No dia que eu não tiver isso, não entro mais em quadra", disse Alison, em frase que pode ser repetida em uma entrevista, mas também na praia de Copacabana ou em qualquer outra Brasil afora.

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