Esporte

Brasil bate "estraga prazeres" Alemanha nos pênaltis e enfim conquista o ouro

20/08/2016 20h36

Douglas Rocha.

Rio de Janeiro, 20 ago (EFE).- A festa pelo hexacampeonato mundial em casa em 2014 estava armada, mas a Alemanha estragou tudo goleando o Brasil por 7 a 1 no Mineirão. Neste sábado, porém, a seleção venceu a rival europeia por 5 a 4 nos pênaltis no Maracanã, na final dos Jogos do Rio de Janeiro, após empate em 1 a 1, e enfim conquistou o ouro olímpico, único título que lhe restava no futebol.

Se era realmente necessária ou não devido à grandeza da única equipe pentacampeã do mundo, a medalha dourada se transformou em uma obsessão ao longo dos anos, e hoje finalmente é pendurada no peito de quem usa a amarelinha.

Neymar fez 1 a 0, em bonita cobrança de falta ainda no primeiro tempo, e Meyer igualou na etapa final. O empate persistiu no tempo extra, e o título foi definido nas penalidades. O Brasil então bateu o mesmo país - mas não os mesmos jogadores - responsável pela água no chopp e as lágrimas de dois anos atrás e subiu ao pódio olímpico pela sexta vez no futebol, mas pela primeira no lugar mais alto. Antes, os brasileiros tinham três pratas (1984, 1988 e 2012) e dois bronzes (1996 e 2008).

Em Seul 1988, uma disputa de pênaltis olímpica contra a Alemanha Ocidental consagrou Taffarel, mas nas semifinais, e na decisão o time então dirigido por Carlos Alberto Silva e que tinha Romário e Bebeto no elenco perdeu o ouro para a União Soviética.

Desta vez, o herói foi Weverton, que foi convocado às pressas para o lugar de Fernando Prass e defendeu chute de Petersen, o quinto dos visitantes. Neymar converteu o seu em seguida e deu fim ao jejum.

Para os alemães, esta foi a primeira medalha com o país unificado após a queda do muro de Berlim. Em 1964, como Equipe Alemã Unida, foi bronze, mesmo resultado da Alemanha Ocidental em 1988. Já a Alemanha Oriental ganhou o ouro em 1976, a prata em 1980 e o bronze em 1972.

O bronze do futebol nos Jogos do Rio ficou com a Nigéria, campeã em 1996 e que hoje venceu Honduras por 3 a 2 no Mineirão. A representante da África abriu 3 a 0 em Belo Horizonte, e os centro-americanos reagiram, mas não o suficiente para chegar ao empate.

Micale teve todo o elenco à disposição para a final e repetiu o que chama de "caos organizado", com quatro atacantes, formação que vem optando desde a última partida da fase de grupos, a goleada sobre a Dinamarca por 4 a 0.

Na Alemanha, o técnico Horst Hrubesch também repetiu o 11 inicial das semifinais, em que a equipe venceu a Nigéria por 2 a 0. Autor do segundo gol, o atacante Nils Petersen, inclusive, ficou no banco e entrou apenas no decorrer do confronto. O único campeão mundial em campo foi Ginter, reserva em 2014 e hoje dono da zaga pela direita.

A torcida fez questão de jogar junto mesmo antes de a bola rolar, anunciado "Alemanha, pode esperar, a sua hora vai chegar". Muitas vezes também cantou que "o campeão voltou" e o tradicional "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor".

Foi necessária também a participação do público logo que a bola rolou, já que o primeiro ataque foi alemão. Aos três minutos, Brandt foi lançado na direita nas costas da zaga e chutou da entrada da área rente à trave. Aos cinco, a tentativa foi de enfiada para Gnabry, mas o goleiro Weverton saiu bem e afastou com um bico para a lateral.

Fez-se o silêncio, seguido de um suspiro de alívio, aos 10 minutos, quando Selke encarou a marcação de Zeca na ponta esquerda e rolou para Gnabry. O camisa 11 ajeitou, chutou mirando o ângulo e carimbou o travessão. Na sequência, a defesa cortou.

O Brasil enfim se mostrou vivo no jogo aos 13, em uma bonita linha de passe na frente da área alemã. Neymar abriu para Douglas Santos, que cruzou da esquerda. Luan chegou pegando de primeira, mas não emendou como queria e Süle bloqueou.

Aos poucos, a equipe da casa foi assumindo o controle das ações e "acampando" na defesa da Alemanha, que tentava, sem sucesso, contra-atacar. Faltava concluir melhor. Aos 22, após escanteio da direita, Rodrigo Caio e Renato Augusto se atrapalharam mesmo livres, e a bola saiu à direita.

Até que aos 26 Neymar encarou a marcação pela meia esquerda, a dois metros da área, e foi derrubado com falta. O próprio capitão do time chamou a responsabilidade, na segunda chance que teve mais ou menos do mesmo ponto, e acertou a gaveta, sem defesa para Horn.

A comemoração merece um parágrafo à parte. Neymar disse "eu estou aqui", já que, nos 7 a 1, foi desfalque por lesão nas costas, e depois imitou o raio do jamaicano Usain Bolt, presente no Maracanã.

O jogo ainda estava longe de ter um desfecho. Aos 30, Meyer cobrou falta da ponta esquerda, dois brasileiros desviaram, e a bola foi no travessão. Na cobrança de escanteio, a defesa cortou mal, o próprio Meyer encheu o pé, e Weverton espalmou. Na sobra, a defesa rechaçou.

O travessão era o melhor amigo do sistema defensivo brasileiro. Aos 34, Meyer levantou em mais uma infração, Sven Bender se antecipou no cabeceio e não empatou por centímetros.

Os brasileiros então passaram a segurar o jogo trocando passes, e levaram a vantagem mínima para o intervalo. Na volta do vestiário, os donos da casa não se deixaram pressionar no começo e assustaram aos seis minutos. Neymar acelerou pela esquerda, ganhou de Toljan e cruzou por baixo, mas Gabigol, brigando com dois, não conseguiu concluir.

A situação parecia tranquila, mas um erro foi fatal para que o empate acontecesse. Aos 13, Marquinhos saiu jogando errado e deu um presente para Brandt, que abriu na direita para Toljan. O lateral-direito cruzou à meia altura, e Meyer bateu de primeira no canto para marcar o primeiro gol sofrido por Weverton no Rio 2016.

Os torcedores então "murcharam", mas acordaram pouco depois, aos 19 minutos, quando Renato Augusto recebeu de Gabigol e partiu em velocidade pela direita até passar para o meio. Gabriel Jesus apareceu para completar, mas foi atrapalhado pela marcação. Dois minutos depois, Gabigol foi acionado nas costas da zaga, mas prendeu demais e foi travado.

Mal na partida, o atacante do Santos deixou o gramado para a entrada de Felipe Anderson. O jogador da Lazio poderia ter decidido aos 32, quando partiu livre, mas se preparou por muito tempo, e a zaga desarmou. No lance seguinte, Neymar tirou Sven Bender com bonito drible e arrematou tirando tinta do poste direito.

A pressão para cima da defesa europeia foi crescendo, mas aquela "bola vadia" por pouco não representou a virada aos 40 minutos. No vacilo do Brasil na intermediária de ataque, Brandt puxou o contragolpe, arrancou da direita para a esquerda e perdeu para Marquinhos. Meyer pegou a sobra, mas chutou mal.

Neymar ainda teve a oportunidade de evitar a prorrogação, aos 47, mas foi fominha e bateu prensado. Logo no começo do tempo extra, aos dois minutos, Gabriel Jesus foi acionado em condição duvidosa e partiu em vantagem, mas foi mais um a demorar e se enrolar. Aos cinco, fui Luan quem teve a chance, também em contra-ataque, mas carimbou a zaga.

Os times pareciam acusar o cansaço, e as escapadas entre os zagueiros ficavam mais frequentes. Aos sete, Petersen puxou o ataque, lançou por cima, e Brandt tirou tinta do travessão.

Logo no começo da segunda etapa, com menos de um minuto, Felipe Anderson poderia ter se consagrado, depois de lindo passe de Neymar, mas arrematou em cima de Horn.

O velho "eu sou brasileiro" voltou a ser entoado, mais como forma de extravasar a agonia do que como apoio. Depois, veio o "eu acredito", seguido de uma vaia ensurdecedora para o toque de bola alemão. Rafinha então teve a oportunidade derradeira, aos 12, mas finalizou em cima da zaga.

Nas penalidades, todos os primeiros batedores converteram. Petersen parou nas mãos de Weverton, e Neymar foi o responsável pelo último e vitorioso chute, que marcou o fim da corrida do ouro.

Pelo menos, a do primeiro ouro.



Ficha técnica:.

Brasil: Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Walace e Renato Augusto; Gabriel Jesus (Rafinha), Luan e Neymar; Gabigol (Felipe Anderson). Técnico: Rogério Micale.

Alemanha: Horn; Toljan, Ginter, Süle e Klostermann; Sven Bender (Christiansen), Lars Bender (Prömel), Brandt, Meyer e Gnabry; Selke (Petersen). Técnico: Horst Hrubesch.

Árbitro: Alireza Faghani (Irã), auxiliado pelos compatriotas Reza Sokhandan e Mohammadreza Mansouri.

Cartões amarelos: Zeca e Gabigol (Brasil); Selke, Sven Bender, Süle e Prömel (Alemanha).

Gols: Neymar (Brasil); Meyer (Alemanha).

Nos pênaltis: Ginter, Gnabry, Brandt e Süle converteram - Petersen perdeu (Alemanha); Renato Augusto, Marquinhos, Rafinha, Luan e Neymar converteram (Brasil).

Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

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