Esporte

Brasil vence pessimismo e é aprovado dentro e fora de competições no Rio 2016

22/12/2016 13h51

Douglas Rocha.

Redação Central, 22 dez (EFE).- A crise política e econômica, a epidemia de zika, a violência e o risco de terrorismo predominaram nas semanas que antecederam a realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto, mas, embora não tenha alcançado a perfeição, o Brasil conseguiu ir bem tanto na organização do evento quanto em sua participação nas competições.

O pessimismo na imprensa internacional e mesmo dentro do país era considerável, já que o impeachment da presidente Dilma Rousseff, os escândalos de corrupção, os incontáveis assaltos e homicídios e o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, dividiam espaço ou até se sobressaíam em relação aos preparativos para os Jogos, que, por sinal, tiveram algum atraso.

A preocupação aumentou, e as primeiras críticas surgiram dias antes do início dos Jogos. Os aeroportos atendiam - e atenderam durante todo o evento - à demanda, mas a Vila Olímpica tinha obras atrasadas e falhas graves.

Algumas delegações enfrentaram problemas, principalmente a australiana, que em um primeiro momento classificou a Vila como "inabitável". Prefeito piorou ao dizer que colocaria um canguru na entrada, mas depois, com os reparos, o "Team Australia" se acalmou.

Aos poucos, porém, a imagem dos Jogos e do Rio como um todo foi melhorando. Nenhuma infecção por zika nem atentado terrorismo foi registrado, e os casos de violência foram menores do que o carioca enfrenta no dia a dia.

As cerimônias de abertura e encerramento encantaram e foram um dos pontos altos. O Maracanã se transformou por dois dias na Sapucaí, e, com recursos do carnaval carioca, os organizadores conseguiram mostrar um pouco das tantas coisas boas que o Brasil tem.

Em 5 de agosto, o responsável por acender a pira olímpica foi Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze na maratona de Atenas 2004, em que foi atacado pelo padre irlandês Cornelius Horan, o que lhe rendeu a medalha Pierre de Coubertin.

Pouco mais de duas semanas depois, no dia 21, o mundo se surpreendeu com a aparição do primeiro-ministro japonês, Shinzu Abe, fantasiado do personagem Mario, dos jogos de videogame.

Sem zika nem terrorismo, um dos maiores problemas foi o transporte. Os aeroportos atenderam à demanda, mas o deslocamento dentro da cidade só funcionou para a chamada família olímpica. O público em geral teve de encarar os engarrafamentos e falhas de planejamento, como metrôs e trens lotados e fechados após algumas competições noturnas. Quem encontrou uma solução, como o BRT com trajeto ampliado, também encontrou ônibus abarrotados de passageiros.

Dentro dos locais de competição, as principais críticas foram voltadas às filas dos primeiros dias, a piscina de água verde do parque aquático Maria Lenk por falha de manutenção, como admitiu o Comitê Organizador, e queda de uma câmera no Parque Olímpico, ferindo duas pessoas.

Com o decorrer dos Jogos, a entrada do público foi melhorada e, embora algumas disputas tenham acontecido com arquibancadas não muito cheias, o brasileiro pôde demonstrar toda a sua capacidade de festejar.

Alguns episódios ocorridos nas arquibancadas marcaram, como os gritos de "pizza, pizza" para apoiar atletas italianos e "sushi, sushi" para japoneses. Também marcou a torcida pelo pugilista equatoriano Carlos Andrés Mina com a música "Pelados em Santos", dos Mamonas Assassinas, e a festa feita para o árbitro brasileiro do boxe, que era ovacionado a cada marcação.

Quanto ao "Time Brasil", a expectativa do comitê olímpico nacional (COB) era ficar entre os dez melhores no quadro de medalha. A delegação acabou em 13º lugar, mas obteve a melhor campanha da história do país, com sete medalhas de ouro, seis de prata e seis de bronze.

Apesar do início irregular, as seleções masculinas de vôlei e futebol foram campeãs olímpicas. Os comandados do técnico Bernardinho conquistaram o tri, enquanto Neymar e companhia obtiveram um título inédito.

Martine Grael seguiu os passos do pai, Torben Grael, e, ao lado de Kahena Kunze, triunfou na classe 49er FX da vela. Outro que honrou o sobrenome famoso foi Bruno Schmidt, sobrinho do ídolo do basquete Oscar Schmidt, campeão no vôlei de praia jogando junto com Alison.

Robson Conceição obteve o primeiro ouro do Brasil no boxe, Thiago Braz surpreendeu ao derrotar o francês Renauld Lavillenie e ser campeão no salto com vara, e Rafaela Silva subiu ao ponto mais alto do pódio no judô.

Para a carioca, a conquista foi ainda mais saborosa por dois motivos: as críticas, inclusive com insultos racistas, recebidas após a desclassificação ainda nas oitavas de final em Londres 2012, e a proximidade do Parque Olímpico do Rio à Cidade de Deus, comunidade pobre da zona oeste da capital fluminense.

O judô nacional ainda teve dois atletas com a segunda medalha da carreira, Mayra Aguiar e Rafael Silva, o Baby, que repetiram o bronze conquistado em Londres há quatro anos.

Quem também deu a volta por cima, mesmo sem a medalha de ouro, foi o ginasta Diego Hypólito. Bicampeão mundial no solo, ele ainda não tinha uma medalha olímpica, mas obteve a prata. Ao seu lado no pódio estava Arthur Nory, bronze. Por outro lado, Arthur Zanetti não obteve o bi nas argolas e teve de se contentar com a prata.

Além disso, pela primeira vez na história, um brasileiro conquistou três medalhas em uma só edição dos Jogos. O autor do feito foi Isaquias Queiroz, prata no C1 1000m e no C2 1000m e bronze no C1 200m.

Entre as decepções, César Cielo, campeão olímpico dos 50m em Pequim 2008 e ainda recordista mundial da prova, assim como dos 100m, sequer se classificou para a competição. O principal representante do país na prova mais curta, Bruno Fratus, foi apenas sexto colocado e ainda ficou marcado por um "fora" dado em uma repórter logo após a final.

Também na natação, Thiago Pereira, prata nos 400m medley em 2012, apostou todas as fichas nos 200m medley neste ano. Na decisão, ele chegou a virar em primeiro lugar e ser segundo colocado nos 150 metros, mas se cansou e terminou na sétima posição.

Porta-bandeira do Brasil na cerimônia de abertura, Yane Marques passou longe do pódio no pentatlo moderno, após a terceira colocação obtida em Londres. Desta vez, ela foi apenas 23ª melhor.

Nos esportes coletivos, a derrota mais sentida foi a da equipe feminina de vôlei, que buscava o tricampeonato. Após campanha irretocável na primeira fase, a seleção do técnico José Roberto Guimarães arrasou a China no primeiro set das quartas de final, mas sofreu um "apagão" a partir da segunda parcial e acabou perdendo por 3 a 2. As asiáticas, com uma equipe bastante jovem, ficaram com o ouro.

A seleção feminina de futebol, liderada por Martha, esteve perto da final, mas perdeu para a Suécia nos pênaltis nas semifinais e sequer foram ao pódio, já que depois caíram diante do Canadá. Já no handebol, as brasileiras, campeãs mundiais em 2013, foram eliminadas pela Holanda nas quartas.

No entanto, o grande fracasso brasileiro aconteceu no basquete, modalidade em que tanto os homens quanto as mulheres foram eliminados ainda na fase de grupos.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

Mais Esporte

Topo