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Fracasso dos EUA pode ser exemplo para China seguir fazendo futebol crescer

AFP PHOTO / Johannes EISELE
Imagem: AFP PHOTO / Johannes EISELE

Vitor Escribano

Da EFE, em Pequim

01/03/2017 13h33

As grandes contratações e os salários astronômicos, que colocaram o Campeonato Chinês no mapa do futebol mundial, são uma amostra da ambição do país em se transformar em potência do esporte, no entanto, esta não é a primeira tentativa de afirmação a partir do poderio financeiro.

A primeira rápida ascensão, muito semelhante a do gigante asiático, é datada da década de 70 do século passado, através da North American Soccer League (NASL), a então liga profissional dos Estados Unidos.

As semelhanças são muitas, como a atração de jogadores de alto nível como Pelé, Franz Beckenbauer, Johan Cruiyff e George Best pela NASL. Já a Superliga Chinesa chegaram Carlos Tévez, Oscar, Hulk, anteriormente Didier Drogba.

O dinheiro que atrai astros vem dos proprietários dos clubes, como as imobiliárias Evergrande, dona do Guangzhou Evergrande, atual campeão local, e Sinobo, que comprou em dezembro o Beijing Guoan por quase R$ 1,67 bilhão, ou o grupo Suning, que controla não só o Jiangsu Suning, mas também a Inter de Milão.

Os valores astronômicos, contudo, não envolvem apenas contratações, compras de clubes. Em 2015, a companhia CMC adquiriu os direitos de transmissão de TV de cinco temporadas do Campeonato Chinês, pelo equivalente a R$ 3,76 bilhões.

No ano passado, a LeEco pagou R$ 1,21 bilhão para a detentora abrir mão da possibilidade de exibir a competição em 2016 e 2017. A falta de interesse do público, contudo, faz com que a empresa pretenda repassar os direitos.

O sonho americano do 'soccer' teve interrupção abrupta em 1984, após 16 anos de crescimento que não correspondia com a realidade, diante do baixo número de fãs do esporte e também pela pequena cultura futebolística no país, mais habituado ao basquete, beisebol e futebol americano.

Com isso, a China pode enxergar um exemplo para evitar derrocada. O professor da universidade britânica de Salford e especialista em futebol chinês, Simon Chadwick, o crescimento da modalidade nos dois países é muito claro.

De um lado, o gigante asiático promove expansão a partir de uma "política de Estado", que se traduz em "coordenação central", já os EUA deixaram o futebol nas mãos do livre mercado. Os investidores, a longo prazo, não se envolveram e os lucros não foram os esperados, colocando fim na liga.

O sonho chinês é ganhar uma Copa do Mundo, no entanto, a médio prazo, o especialista aponta que a maior possibilidade é conseguir sediar a competição, crescendo pouco a pouco.

"Ser um dos 20 principais países do muno do futebol, em 2050, é um objetivo razoável", avaliou Chadwick.

Nos EUA, a Copa do Mundo de 1994 serviu para promover novo impulso, com a criação da Major League Soccer (MLS), principal liga local até os dias de hoje. Para o especialista, hoje o país não tem mais comparação com a China, que se assemelha mais ao Catar, pela contratação de veteranos.

"As ambições, visões e metas são muito similares entre China e Catar. No entanto, a China é cem vezes maior, em todos os sentidos", garantiu Chadwick.

O professor aproveitou para lamentar a redução do número de jogadores estrangeiros para três, decisão tomada no início desta temporada, após pressão política, para maior utilização de atletas locais.

"É demais restritivo para estava etapa crucial. A China não deveria dar as costas para o mundo", afirmou.

Quase meio século depois de dar impulso a primeira liga, os Estados Unidos ainda não conseguiram ir além de força continental, nas Américas do Norte e Central, se garantindo constantemente em Copas do Mundo, por exemplo.

Resta saber se a China conseguirá entrar no seleto grupo das potências mundiais, a partir de uma proposta ousada de enriquecer o campeonato local de futebol.

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