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Curso ajuda mulheres a escaparem da violência urbana através do Krav Maga

12/03/2017 13h52

Paulo Ramírez.

Rio de Janeiro, 12 mar (EFE).- Conhecida por ser a técnica de defesa pessoal do Exército israelense, o Krav Maga ganhou centenas de adeptas que fogem da violência urbana neste fim de semana no Rio de Janeiro, graças a cursos gratuitos oferecidos pela federação brasileira da modalidade de luta.

A iniciativa foi motivada pelo Dia Internacional da Mulher e partiu da Federação Sul-Americana de Krav Maga, que ofereceu as aulas exclusivas para mulheres em mais de 100 cidades do continente. O objetivo era conseguir atrair cerca de 100 mil alunas.

No Rio de Janeiro, foram 20 turmas diferentes espalhadas pela cidade. As interessadas buscavam ter, ao menos, uma mínima noção de defesa pessoal, para escapar da violência diária nas ruas cariocas.

"Criamos este curso há alguns anos, com o objetivo de dar as mulheres o conhecimento do que devem fazer no momento em que forem atacadas", garantiu Yaakov Liechtenstein, conhecido como "Kobi" e considerado um dos maiores instrutores da modalidade na América do Sul.

Nascido em Israel, mas radicado no Brasil desde 1990, o professor conseguiu autorização do governo do país de origem para divulgar a arte e formar profissionais da luta no continente.

"A função da Federação Sul-Americana de Krav Maga é fazer sua parte para a sociedade, para ajudar a torná-la melhor. Por isso, fazemos o curso especial para mulheres", explicou.

A aula dura quatro horas, em que, inicialmente, o professor expõe questões teóricas da luta, para, em seguida, passar para a prática. Mulheres de todas as idades podem participar, segundo os organizadores.

"Aqui, vemos que a violência contra a mulher, em vez de diminuir, aumenta. Só neste Carnaval, divulgaram números alarmantes: 19 mil casos de agressões a mulheres registrados em uma semana. Só no Rio de Janeiro", se indignou Kobi.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Datafolha, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, 4,4 milhões de mulheres brasileiras foram agredidas em 2016, o que equivale a uma média de 503 vítimas por hora.

Além disso, duas em cada três brasileiros afirmaram haver presenciado maus-tratos verbais ou físicos contra a mulher, enquanto o 73% dos entrevistados concorda que a violência de gênero aumentou no país durante a última década.

Entre as ações denunciadas pelas mulheres do Brasil que mais se repetiram em 2016 estão a ofensa verbal (22%), ameaça de violência física (10%), ofensa sexual (8%), ameaça com arma branca ou de fogo (4%) e tentativa de estrangulamento (3 %).

O israelense não hesitou em afirmar que as mulheres têm medo de andar pela rua no Brasil, e que as próprias alunas trazem relatos confirmando isso.

"Temos muito medo. Este curso é importante porque está voltado para isso, para que nos defendamos de forma rápida e simples, com o que tivermos na mão", disse Eveline, uma das participantes de aula realizada neste fim de semana.

Kobi afirmou que as lições apresentam táticas fáceis. Ao todo, são dez técnicas em quatro horas.

"É muita técnica, para pouco tempo, mas o objetivo é filosófico, com o que elas podem fazer em geral, não só com as aulas", explicou o instrutor.

No curso se ensina o uso de objetos comuns na defesa pessoal, como se pode usar qualquer coisa a seu ao redor para ampliar a capacidade de defesa e na identificação das partes mais sensíveis no corpo do agressor.

A parte final são exercícios dirigidos, como simulação de estrangulamento, de ataques pelos cabelo, situação de abuso sexual.

"Elegemos um grupo de atividades voltadas a estas necessidades de defesa que existe para a mulher", afirmou Kobi.

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