Esporte

No reencontro de "times irmãos", Chape vence e fica em vantagem na Recopa

04/04/2017 21h17

Chapecó (SC), 4 abr (EFE).- Unidos depois da tragédia de 29 de novembro de 2016, Chapecoense e Atlético Nacional enfim puderam se encontrar em campo nesta terça-feira, na Arena Condá, no jogo de ida da Recopa Sul-Americana, e a equipe da casa saiu de campo com uma vitória por 2 a 1.

Os dois times deveriam ter se enfrentado no fim do ano passado, na final da Copa Sul-Americana, mas a queda do avião que levava a delegação da Chape, profissionais de imprensa e convidados para a Colômbia deixou 71 mortos e impediu a realização daquela decisão.

Desde então, os dois clubes se tornaram unidos não só pelas cores, o verde e o branco, mas também pela solidariedade demonstrada pelo povo colombiano. Isso ficou demonstrado com a série de homenagens realizadas desde esta segunda em Chapecó como forma de retribuição.

O reencontro acontece na Recopa porque o Nacional foi campeão da última Taça Libertadores, enquanto a Chape, com aprovação dos 'verdolagas', foi declarada vencedora da Sul-Americana.

Com a bola rolando, a Chapecoense fez 1 a 0, em pênalti convertido por Reinaldo, sofreu o empate, graças ao gol de Torres, mas obteve o triunfo em cabeceio de Luiz Otávio, que começara no banco e substituiu o capitão Douglas Grolli no intervalo.

O resultado dá ao vencedor ao representante brasileiro a vantagem do empate na volta, marcada para 10 de maio, em Medellín. Como o gol fora de casa não é levado em conta, qualquer vitória do Nacional pela diferença mínima provocará a realização de prorrogação e, se necessário, de uma disputa de pênaltis.

Vagner Mancini fez quatro mudanças em relação ao time dos dois primeiros jogos da Chapecoense na atual edição da Libertadores. Apodi entrou na lateral direita, e João Pedro entrou no meio-campo, o que representou o fim do esquema com três volantes. Na frente, Niltinho e Wellington Paulista deram lugar a Arthur e Túlio de Melo.

O Nacional manteve a base que ficou em terceiro lugar no Mundial de Clubes do ano passado, mas perdeu peças importantes, como o meio-campista Alejandro Guerra e o centroavante Miguel Borja, que agora defendem o Palmeiras, e o atacante Orlando Berrío, negociado com o Flamengo.

Antes do pontapé inicial, houve uma série de ações como demonstração de gratidão aos colombianos e em memória das 71 vítimas da tragédia, a começar com um "abraço" de torcedores das duas equipes no estádio, rodeando-o de mãos dadas. Já dentro da Arena Condá, aconteceu o chamado show de gratidão, com um vídeo com homenagens a Medellín e discurso de autoridades e de quatro dos sobreviventes, os jogadores Folmann, Neto e Allan Ruschel e o radialista Rafael Hanzel.

Com o jogo em andamento, aos 26 minutos do segundo tempo, ou seja, 71 no tempo agregado, em referência ao número de mortos na queda do avião da LaMia, houve uma salva de palmas acompanhada do já tradicional "Vamo, vamo, Chape!".

Nenhum dos times tomou a iniciativa, e o começo de jogo foi morno. O primeiro ataque foi dos 'Verdolagas', aos nove minutos e bola rolando, com Bocanegra, que lançou Ibargüen. Contudo, o atacante errou o domínio e saiu com bola e tudo.

A Chape enfim incomodou aos 17 minutos, em descida pela esquerda de Reinaldo. O lateral encheu o pé direito e ia acertando o canto, mas o goleiro Armani se esticou todo e espalmou.

O primeiro time a balançar a rede foi o Nacional, aos 21, com Moreno, mas o atacante foi flagrado em posição irregular. Dois minutos depois, foi a vez de os donos da casa fazerem um gol, esse sim validado. João Pedro chutou, a bola bateu no braço de Bocanegra, e o paraguaio Mario Díaz de Vivar marcou pênalti. Reinaldo bateu rasteiro e fez 1 a 0.

Na tentativa de se redimir, Bocanegra fez o chuveirinho da direita, aos 36 minutos. Artur Moraes não afastou bem, Ibargüen preparou e Torres arrematou rente à trave.

Mais incisiva, a Chapecoense voltou a marcar aos 45 minutos, mas o lance foi invalidado. Rossi escapou pela direita e cruzou na cabeça de Tulio de Melo, que concluiu bem, mas cometeu falta no goleiro.

O panorama não mudou muito na volta ao gramado após o intervalo. As equipes se alternavam no ataque, mas o campeão da Sul-Americana parecia mais incisivo que o da Libertadores. Aos oito minutos, Torres passou para Bernal, que não finalizou bem e isolou.

A resposta foi dada um minuto depois, quando Rossi fez boa jogada individual e adiantou para Apodi, que cruzou a meia altura. Túlio de Melo estava pronto para ampliar, mas foi travado por Bocanegra na hora da conclusão.

Embora o momento fosse favorável à Chape, foi o Nacional quem chegou ao gol. Aos 13 minutos, Ibragüen tocou para Torres, que cortou a marcação e acertou o ângulo. Artur Moraes demorou a reagir e até tocou na bola, mas não evitou que ela entrasse.

Após a igualdade, o jogo perdeu em intensidade e ganhou em violência, com alguns lances mais ríspidos. Num deles, aos 24, Luiz Otávio derrubou Ruiz. Bocanegra cobrou a falta e mandou por cima do alvo.

Preocupação do Nacional durante a preparação para o duelo, a jogada aérea foi a solução para a Chapecoense. Aos 28 minutos, Reinaldo bateu escanteio, Luiz Otávio ganhou pelo alto e marcou de cabeça.

Apesar de ter ficado à frente no placar, o time da casa fez do ataque a sua melhor defesa e foi em busca do terceiro. Aos 35, Reinaldo arremessou o lateral diretamente na área, Wellington Paulista, que entrara na vaga de Túlio de Melo, cabeceou e exigiu grande intervenção de Armani.

Evitando os riscos, a Chape manteve a bola no setor ofensivo e ainda teve uma última oportunidade, aos 43 minutos. Reinaldo cobrou falta fechada e o goleiro afastou com um soco.



Ficha técnica:.

Chapecoense: Artur Moraes; Apodi, Douglas Grolli (Luiz Otávio), Nathan e Reinaldo; Andrei Girotto, Luiz Antônio (Moisés Ribeiro) e João Pedro; Arthur, Rossi e Túlio de Melo (Wellington Paulista). Técnico: Vágner Mancini.

Atlético Nacional: Armani; Bocanegra, Aguilar, Henríquez e Díaz; Arias, Bernal (Mosquera) e Torres; Ruiz, Moreno (Ramírez) e Ibargüen (Rodríguez). Técnico: Reinaldo Rueda.

Árbitro: Mario Díaz de Vivar (Paraguai), auxiliado pelos compatriotas Milciades Saldívar e Roberto Cañete.

Cartões amarelos: Apodi (Chapecoense); Bocanegra, Arias e Henríquez (Atlético Nacional).

Gols: Reinaldo e Luiz Otávio (Chapecoense); Torres (Atlético Nacional).

Estádio: Arena Condá, em Chapecó (SC).

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!

Mais Esporte

Topo