Esporte

Atleta saudita pede fim das restrições ao esporte feminino em seu país

07/04/2017 17h43

Khrystyna Kinson.

Nova York, 7 abr (EFE).- Raha Moharrak, a primeira mulher saudita a chegar ao topo do Monte Everest, pediu nesta sexta-feira uma mudança para eliminar as barreiras que impedem as mulheres de praticar esportes livremente na Arábia Saudita, algo que é mal visto no país.

Durante seu discurso no fórum "Mulheres no Mundo", realizado em Nova York, Moharrak incentivou os sauditas a desafiarem esse tabu e a "seguirem suas convicções" em um reino ultraconservador no qual as mulheres não podem dirigir, trabalhar, votar, viajar, se casar nem estudar sem a permissão de um parente homem.

"Na Arábia Saudita as mulheres cada vez mais sofrem de diabetes e obesidade (...) porque o esporte não é uma prática igualitária", afirmou.

Todas as escolas públicas do país estão divididas por sexo, e as meninas não têm acesso à disciplina de educação física nem podem participar de atividades esportivas, enquanto os ginásios são quase exclusivos para homens.

As leis sauditas, baseadas em uma interpretação estrita da 'sharia' - a lei islâmica -, estabelecem a separação de homens e mulheres nos espaços públicos, o que as impede praticar esportes por conta própria ao ar livre.

Assim, calcula-se que 70% das mulheres sauditas têm problemas de saúde relacionados ao sobrepeso.

"É muito importante para uma menina aprender normas e valores como o trabalho em equipe (...) Realmente, as características do esporte ajudam a construir sua personalidade. Se não pode praticar, como vai aprender?", refletiu Moharrak.

Esta jovem de 30 anos, que realizou 14 expedições em sete países, começou a escalar em 2011 e chegou ao topo de algumas das montanhas mais altas do mundo, como o Everest, o Kilimanjaro e o maciço Vinson.

"Quando chamei meu pai para dizer que queria escalar a montanha mais alta da África, ele me disse que não (...). Decidi confrontá-lo, quando uma semana antes disse que era hora de me casar", explicou Moharrak.

Na opinião da alpinista, a chave para lutar contra este problema em uma sociedade tão tradicional é "mudar a mentalidade dos pais" - uma figura importante no islã - e educá-los na importância dos benefícios que a prática de esportes traz para a saúde.

Segundo a diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch, Minky Worden, na Arábia Saudita existem 150 federações esportivas, todas elas para homens, e as mulheres que conseguem participar de competições regionais e internacionais são obrigadas a fazê-lo com o corpo e o cabelo cobertos.

Worden afirmou que, apesar das mulheres terem acesso permitido para treinar em alguns poucos ginásios particulares e competir fora do país sob a tutela de um treinador, isso é algo que costuma estar acima de suas possibilidades econômicas, o que faz com que só as mais ricas tenham acesso ao esporte.

"Desafiar isto é muito importante (...). É uma questão de saúde. Através do esporte e do exercício, muitas mulheres sauditas conseguiram mudar suas vidas, ter acesso à educação e oportunidades de trabalho", ressaltou.

Por sua vez, Moharrak explicou que nos últimos anos houve alguma melhora neste âmbito, como a designação em agosto do ano passado da princesa Rima Bin Bandar Bin Sultan - membro da família real da Arábia Saudita -, como vice-presidente da Autoridade Geral para o Esporte (para assuntos da mulher).

Em 2012, a Arábia Saudita enviou pela primeira vez duas atletas para competir nos Jogos Olímpicos de Londres, um gesto de abertura que foi aclamado internacionalmente, apesar do país ainda contar com pouca representação feminina em eventos internacionais.

Os clérigos do reino ultraconservador se opõem a esta abertura: em 2009 o mufti - máxima autoridade religiosa muçulmana - saudita afirmou que a prática do esporte é "uma vergonha" para as mulheres e as expõe aos homens.

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