Esporte

Emily Lima admite surpresa por dirigir seleção e sonha com títulos

08/06/2017 20h43

Lucía Santiago.

Getafe (Espanha), 8 jun (EFE).- Emily Lima desafiou a história do futebol brasileiro em novembro do ano passado ao ser a primeira mulher nomeada treinadora da seleção feminina de futebol, fato que ganhou mais destaque que seus trabalhos anteriores em si.

"No dia da minha apresentação, eu me assustei. Nunca tinha visto uma sala de imprensa tão cheia em um evento relacionado ao futebol feminino. Havia muita gente! Lembro que só via câmeras, luzes... Era como se algo de outro mundo fosse acontecer ali", relatou a técnica em entrevista concedida à Agência Efe na concentração da seleção na cidade espanhola de Getafe.

Neste sábado, às 13h30 (de Brasília), o Brasil enfrentará as donas da casa no estádio Fernando Torres, palco onde Emily pretende dar sequência à caminhada vitoriosa à frente da equipe quarta colocada do Rio 2016.

É apenas um amistoso, mas o duelo ganha importância por servir de preparação para a Copa América de 2018. O torneio será o primeiro grande desafio da treinadora, que sonha ser como Silvia Neid para a Alemanha, a qual treina desde 2005, e Pia Sundhage para os Estados Unidos e a Suécia.



Agência Efe: Você está diante do maior desafio da carreira?

Emily Lima: Não acho que é só um desafio para mim, mas também para a sociedade brasileira por ter pela primeira vez a uma mulher à frente de uma seleção de futebol. Estamos atrasados. A minha nomeação como técnica foi algo irreal para todo mundo.



Efe: Você foi a primeira surpreendida?

Emily Lima: Me surpreendeu não pelo fato de ser mulher, mas pelo pouco tempo que tinha passado desde que fiz a transição de jogadora para treinadora. Em sete anos, passei de equipes e seleções de base à seleção principal. Esperava viver esta experiência algum dia, mas, sinceramente, não esperava que a possibilidade de treinar a seleção principal já viria agora.



Efe: Você aceitou o cargo com a exigência de vencer?

Emily Lima: O objetivo principal é classificar a seleção para a Copa do Mundo de 2019, na França, e para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, mas, antes, fazer uma boa Copa América em 2018.

Eu sonho neste momento com o título da Copa América. É nisso em que está o foco agora. Depois, sim, começaremos a falar do Mundial e dos Jogos Olímpicos.



Efe: Esta geração, com Marta à frente, merece triunfar em um grande campeonato?

Emily Lima: Eu vejo a equipe com a expectativa de fazer algo grande. Acredito também que as jogadoras são merecedoras disso. As pessoas no Brasil dizem que elas são 'amarelonas', mas só nós sabemos a dificuldade do futebol feminino em nosso país. Não é nada fácil chegar a um Mundial e competir com as grandes potências.

Sempre lembro que o futebol feminino brasileiro conseguiu duas medalhas de prata olímpica e uma medalha de prata em um Mundial. Vamos trabalhar para que desta vez o desfecho possa ser diferente.



Efe: Uma medalha de prata não é valorizada no Brasil?

Emily Lima: Não, isso é fato. Uma prata lá é só uma prata, nada mais.



Efe: Nos Jogos Olímpicos, ainda com Vadão no cargo, a seleção ficou fora do pódio. Mas houve um triunfo social?

Emily Lima: Sim, porque a mentalidade está mudando. Nos Jogos Olímpicos, as jogadoras abriram os olhos de muitas pessoas, elas se deram conta que também podiam desfrutar do futebol feminino.



Efe: Nesta mudança, há a contribuição de jogadoras que se tornaram grandes referências na Europa, como Cristiane e Formiga, além de Marta?

Emily Lima: Há poucos dias, as duas disputaram a final da Liga dos Campeões pelo Paris Saint-Germain e não li quase nada nos jornais. Há pouca informação, e isso, com certeza, é pela mentalidade do país. Se fosse Neymar em uma final da Champions, a notícia estaria em qualquer lugar.



Efe: Só ocorre com o futebol feminino ou com mais esportes?

Emily Lima: No Brasil deve melhorar a situação da mulher em geral, não só no esporte.



Efe: A sua escolha como técnico a torna um marco dessa mudança?

Emily Lima: Eu me sinto orgulhosa da minha carreira porque sei tudo pelo que tive que passar. Nem sequer sonhava chegar à seleção agora, não era um objetivo para agora, mas tinha claro no meu pensamento que trabalharia para algum dia ter a oportunidade.

Com certeza, isso implica já em uma mudança dentro da CBF. O presidente foi ousado por colocar uma mulher à frente da seleção. E digo ousado porque ele já tinha decidido que colocaria uma mulher à frente da equipe.



Efe: A responsabilidade é maior por ser a primeira mulher?

Emily Lima: Sinto uma responsabilidade muito grande, mas ao mesmo tempo uma felicidade porque sei que agora há mais treinadoras que têm como objetivo chegar a uma seleção principal.

Acho que ainda faltam oportunidades, mas estou convencida de que comigo houve sim uma mudança. O mercado vai se abrir. Não é uma questão de ser homem ou mulher, trata-se de dar oportunidades às pessoas que estão capacitadas para ocupar um cargo.

No meu caso, há alguns meses me sinto realizada por poder fazer o que amo no nível máximo do futebol feminino do Brasil. É um prazer trabalhar pelo futebol feminino e mais ainda fazer isso na seleção brasileira.

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