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Conheça o time de refugiados que vai jogar a 4ª divisão do futebol belga

Laura Zorzona/EFE
Treino do Syriana, time formado por refugiados que vai jogar a 4ª divisão belga Imagem: Laura Zorzona/EFE

Laura Zornoza

Da EFE

21/06/2017 06h00

Nomes internacionais, talentos e jogadores com potencial para chegar longe no futebol. O Syriana RFC tem os mesmos ingredientes de várias equipes do futebol europeu, mas um detalhe as diferencia: sua estrutura é formada por refugiados.

Em um campo nos arredores da Antuérpia, segunda maior cidade da Bélgica depois de Bruxelas, jovens sírios, palestinos, iraquianos e libaneses treinam com as atenções voltadas para setembro, momento em que o Syriana RFC (sigla de Refugee Football Club, ou Refugiados Futebol Clube, em tradução livre) estreará na quarta divisão do Campeonato Belga.

O presidente e incentivador do clube, Adam Razok, é também um refugiado: chegou à Bélgica vindo da Síria em 2014, fugindo da guerra civil que ainda hoje assola seu país natal.

"Comecei a ver muitos jogadores com enorme talento nos próprios campos de refugiados. Perguntava a eles por que não jogavam em equipes profissionais, e me diziam que não podiam porque não falavam a língua dos países de acolhida e não conheciam ninguém", afirmou Razok à Agência Efe sem deixar de olhar um treino que acontecia no gramado.

No começo de 2016, Razok decidiu tornar realidade a ideia de formar uma equipe de futebol para refugiados recebidos pela Bélgica, um projeto que tem encontrado muitos obstáculos no seu primeiro ano e meio de existência.

"Quando começamos, treinávamos em um parque e não tínhamos nem mesmo uma bola", contou Razok, que acrescentou que após um tempo conseguiu atrair patrocinadores e, assim, pôde comprar material esportivo.

A equipe, que aluga agora um campo ao ar livre para os dois treinos por semana, começará na próxima semana a gravação de um vídeo que pretende enviar a Cristiano Ronaldo para lhe pedir apoio.

"Vimos que Cristiano falou sobre os refugiados e os meninos sírios, assim sabemos que está conscientizado com esta causa", afirmou o dirigente.

Apesar das barreiras financeiras, o ambiente entre os mais de 20 jogadores e o treinador, Ahamed Aoufi, é idêntico ao de um treino de uma equipe profissional.

Aoufi trabalhou nas categorias de base da seleção iraquiana e vive há 16 anos na Bélgica. Ele organiza jogadas, planeja estratégias e diz admirar Josep Guardiola, de quem destaca o "grande carisma" e proximidade com o elenco.

Nos treinos do Syriana, o árabe é o idioma de referência. Razok afirmou que os diferentes dialetos e sotaques não são obstáculo para o entendimento. Afinal, o futebol é uma língua universal.

O verdadeiro desafio chegará em setembro, com a estreia da equipe na quarta divisão belga, algo que a direção do Syriana mal pode esperar para se concretizar.

"Estamos entusiasmados. Isto acontece após um ano e meio de treinos, mais que suficientes para começarmos a competição de verdade", declarou Razok, que confia em um bom papel do time.

"Já jogamos muitos amistosos contra equipes belgas da terceira e da segunda divisão e ganhamos todos", destacou.

A perspectiva de jogar em uma liga nacional europeia não assusta os jogadores, pois muitos faziam parte de equipes profissionais nos países de origem.

Um deles é o lateral Maher Habbel, que passou toda a adolescência atrás de uma bola. Torcedor do Milan e fã de Lionel Messi, ele contou que deixar a cidade natal de Aleppo, na Síria, não foi fácil, e que a situação não melhorou até ele tomar a decisão de pedir asilo na Bélgica e se firmar no país europeu em setembro de 2015.

Agora, o Syriana é sua oportunidade de crescer como atleta e sonhar em se dedicar profissionalmente ao futebol.

Ainda que para treinar os jogadores usem camisas de diferentes equipes internacionais, o Syriana terá prontos até setembro seus uniformes oficiais, nos quais o escudo terá um barco branco no mar sob estrelas.

Esta singela imagem representa o dramático conflito que marcou uma geração de jovens que deixaram seus lares no Oriente Médio e agora buscam uma vida nova através de iniciativas como o Syriana RFC.

"Um time de futebol é uma maneira muito simples de integrar os refugiados à comunidade belga. Todo mundo entende a linguagem do futebol", finalizou Razok.
 

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