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"O sistema antidoping russo foi prostituído", diz vice-presidente do COI

12/12/2017 11h44

Madri, 12 dez (EFE).- "Os relatórios não nos permitem falar em termos de doping de Estado, mas o sistema antidoping russo não funcionou e foi prostituído durante os seus próprios Jogos Olímpicos", este é o diagnóstico feito pelo espanhol Juan Antonio Samaranch, vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI).

As irregularidades cometidas pela delegação russa nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, disputados em Sochi, acarretaram a suspensão do Comitê Olímpico Russo e diversas sanções esportivas e econômicas.

Os atletas russos poderão competir em PyeongChang 2018, em fevereiro, desprovidos da nacionalidade, amparados pela bandeira neutra.

"Doping de Estado? Segundo os relatórios das comissões de investigação, não podemos falar nesses termos, mas de calamidade. Não sei a palavra. O sistema não funcionou e foi prostituído durante os seus próprios Jogos Olímpicos. Não chegamos a essa reunião com ideias preconcebidas. Mas, com toda a informação apurada, vimos que o sistema antidoping russo tinha falhado", disse Samaranch à Agência Efe para explicar as sanções adotadas no dia 5 deste mês pelo COI.

"Dada a gravidade, não tínhamos mais remédio a não ser tomar esta decisão de suspender o Comitê Russo. Como signatário do acordo de organização dos Jogos de Sochi, ele é responsável pelo que aconteceu lá", analisou.

Antes de decidir inabilitar o Comitê Russo, o COI já tinha eliminado 25 atletas da Rússia dos livros de resultados de Sochi. Na primeira sentença divulgada após as sanções, a comissão disciplinar presidida por Denis Oswald (Comissão Oswald, à qual Samaranch pertencia) detalhava o sistema de manipulação das amostras de urina nos exames antidoping. Cabia fazer "a dedução lógica" que os atletas tinham consumido substâncias proibidas.

Competir em PyeongChang sob a bandeira olímpica é, segundo Samaranch, "a menor punição possível para os atletas russos limpos, que merecem tanto respeito como os de qualquer outro país".

"Deixamos muito claro: suspendemos o Comitê Olímpico Russo, seus responsáveis nesse momento não serão convidados aos Jogos, mas vamos preservar o direito dos atletas limpos a não ter a carreira impedida", argumentou.

"Uma pequena comissão técnica decidirá com as federações internacionais que atletas serão convidados como 'atletas olímpicos da Rússia'. Temos que ter certeza que eles atendem os máximos padrões de limpeza", afirmou.

O vice-presidente do COI afirmou que as sanções não puderam ser adotadas antes devido à dificuldade do caso.

"Fomos acusados de lentidão, mas a situação era muito complexa. Afeta muita gente: os atletas, os torcedores, o espírito olímpico. Queríamos ter toda a informação possível. Tivemos que fazer uma investigação muito profunda, consultar serviços forenses, fazer testes de DNA, criar padrões. Tudo para ter um conhecimento documentado do ocorrido", explicou Samaranch.

"Uma suspensão era necessária para defender os atletas limpos que tiveram a desgraça de competir com outros que não eram e que não passaram pelo mesmo nível de fiscalização. O processo foi muito longo, penoso e caro, mas também extremadamente garantista", esclareceu.

Samaranch lembrou que "a Rússia é uma parte fundamental da família olímpica por história, participação e resultados, ainda mais nos Jogos de Inverno".

Os russos sancionados, que foram vetados para qualquer outra futura participação olímpica, começaram a recorrer às suspensões perante a Corte Arbitral do Esporte (CAS).

"Me parece justo. Sancionar atletas por algo que aconteceu há quatro anos tem uma gravidade tremenda e há provas para as decisões, mas todos têm o direito a se defender e me parece normal que recorram à CAS. Se querem uma segunda decisão, estão no seu direito", comentou.

Na opinião do dirigente, o que aconteceu em Sochi se resume em "um ataque à integridade do espírito olímpico e aos próprios Jogos Olímpicos".

Se a participação russa em PyeongChang ocorrer sem incidências, "na cerimônia de encerramento os atletas russos voltarão a se reunir para desfilarem juntos como a nova Rússia".

"Queremos olhar para a frente. Na Rússia foram dados muitos passos, mudaram as leis, a sua agência antidoping agora depende de uma universidade, e não do governo. É preciso pensar que os Jogos de PyeongChang são um ponto à parte", disse, esperançoso, o vice-presidente do COI.

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