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Federação Belga admite repensar após escolher rapper polêmico para música

07/03/2018 10h36

Bruxelas, 7 mar (EFE).- A Federação Belga anunciou nesta quarta-feira que reconsiderará a decisão de contratar o rapper Damso para compor o tema oficial da seleção do país para Copa da Rússia, após o artista ter sido acusado de sexismo pela associação feminista Conselho de Mulheres da Bélgica.

"Os seus textos são cheios de repugnância, desprezo e agressão verbal contra as mulheres", denunciou o coletivo de mulheres, que lançou uma campanha nas redes sociais com o slogan: "o sexismo está impedido".

Em uma carta aberta aos patrocinadores da seleção belga de futebol, entre eles Carrefour, AB InBev, ING, BMW, PwC, Coca-Cola e Adidas, esse coletivo denunciou que é "inaceitável que alguém como Damso, conhecido pela linguagem grosseira e sexista, represente a Bélgica como porta-bandeira musical oficial".

"O que essa escolha diz sobre a nossa sociedade, que não vemos nenhum problema para divulgar comentários de ódio para a metade da humanidade?", acrescentou.

A União Belga de Futebol, através do porta-voz, Pierre Cornet, assinalou que a federação está "aberta ao diálogo com os seus sócios e patrocinadores sobre o hino da seleção".

"Estamos verificando o texto e contratualmente temos a última palavra", apontou o porta-voz da federação em declarações ao jornal "Le Soir" em meio à polêmica sobre a contratação do rapper bruxelense de origem congolesa, de 25 anos.

O artista, que compõe em francês, também foi criticado por políticos do governo como o vice-primeiro ministro, o liberal Alexander De Croo, e o secretário de Estado de Igualdade de Oportunidades, o nacionalista Zuhal Demir.

Damso reagiu no Twitter divulgando um artigo da imprensa que falava sobre a polêmica, além de uma mensagem que mostrava três emojis: dois nadadores e um pêssego.

Em entrevista concedida em maio do ano passado ao jornal belga "DH" por causa da publicação do seu disco "Ipséité", o artista disse que utiliza uma linguagem direta nas letras, mas rejeitou que por isso pudesse ser considerado machista.

"Falar de sexo não significa ser sexista, são duas coisas completamente diferentes. Gosto da mulher em todas as suas formas. Faz parte da minha vida. Mas a sexualidade também", declarou Damso. EFE

jaf/vnm

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