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André Gomes revela que já deixou de sair de casa por vergonha de jogar mal

12/03/2018 14h06

Barcelona, 12 mar (EFE).- Principal alvo de críticas da torcida do Barcelona entre os jogadores do elenco atual, o meia português André Gomes concedeu entrevista de rara sinceridade à revista "Panenka" e admitiu ter vergonha de sair de casa por não estar jogando bem.

"Já me aconteceu mais de uma vez, muitas vezes, de não querer sair de casa. Isso de que as pessoas podem te olhar e de ter vergonha por terem uma opinião sobre você. Afinal, é o teu trabalho, mas todas as pessoas têm opinião porque todas elas gostam (de futebol). Mas sair à rua, ou ter medo de sair, por vergonha de toda a situação que estou vivendo...", declarou André Gomes ao periódico espanhol.

O jogador de 24 anos foi contratado pelo Barça em agosto de 2016. Um ano e meio depois, os torcedores ainda se perguntam o que aconteceu com o meia que era referência no Valencia.

"Estou um pouco mal em relação à confiança e isso se nota nos treinamentos. Às vezes joguei um dia antes ou dois dias antes e ainda fico com a imagem negativa da partida na cabeça e isso não me permite seguir em frente", revelou.

"A sensação que tenho dentro de campo é ruim. Não me sinto bem em campo, não estou desfrutando e fazendo tudo que posso fazer", acrescentou o meia.

André Gomes repassou sua trajetória no Barcelona e disse que o problema não foi a adaptação ao clube catalão e sim a pressão que colocou sobre si mesmo com o passar do tempo. Segundo ele, após ter sido vaiado diversas vezes, há agora uma ferida que ele não sabe como cicatrizar.

"Tive dois ou três meses bastantes tranquilos, com meu tempo de adaptação. A partir dos seis meses, porém, as coisas mudaram um pouco para mim. Talvez a palavra não seja a mais correta, mas passei a viver um inferno. Passei a ter mais pressão, e lido bem com ela, mas não com a pressão vinda de mim mesmo. Não tolero me equivocar, nunca", destacou o português, que agora tem apenas uma meta: voltar a ser ele mesmo.

"Neste momento, estou trabalhando fisicamente e também na parte mental para superar essa barreira. No fim das contas, o que quero não é nada além de ser eu mesmo. Muita gente que me conhece na Espanha e em Portugal, e muitas vezes me incomoda, e me incomoda em um bom sentido, me diz que eu posso ir muito além, posso fazer muito mais coisas boas, e eu me pergunto: 'por que não as faço'?", encerrou.

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