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Meia da seleção peruana revela recusa a "mala branca" do Brasil na Copa de 78

14/03/2018 21h18

Lima, 14 mar (EFE).- O ex-meia Germán Leguía revelou, em entrevista, que foi contatado por brasileiros com oferta de dinheiro por uma vitória ou derrota "magra" no fatídico com a Argentina, na rodada final da segunda fase da Copa do Mundo de 1978, e levantou suspeitas sobre a conduta do então técnico da 'Blanqirroja'.

A versão surge depois que o ex-volante José Velázquez citou seis antigos companheiros que teriam aceitado suborno para perder por quatro gols de diferença, no mínimo, o que levaria os anfitriões para a decisão, com a primeira colocação do grupo B.

'El Patrón', como é conhecido, deu os nomes, entre outros, do então goleiro Ramón Quiroga, nascido na Argentina, que sempre foi apontado como principal responsável pela derrota. Também foram acusados Rodulfo Manzo, Raúl Gorriti e Juan José Muñante.

Segundo Velázquez disse à emissora de rádio "RPP Noticias", outros dois envolvidos "são famosos e podem ter as carreiras prejudicadas". O ex-volante ainda garantiu que o técnico da seleção em 1978, Marcos Calderón, foi "cúmplice" da armação.

Consultado pela mesma emissora, Leguía não chegou a negar o antigo companheiro de meio, e, lançou uma outra versão garantindo que, antes da partida, realizada no estádio Gigante de Arroyito, em Rosario e que terminou com placar de 6 a 0, foi procurado por representantes da outra seleção com chances de classificação.

"Houve uma oferta do Brasil para, pelo menos, que perdessemos por 3 a 0. Me procuraram, e eu disse ao grupo que havia US$ 10 mil para todos, não só para os que jogariam. Além de passagens para o Brasil. Tudo para seguirmos em frente e jogar. Me disseram que não, que eu era um traidor", contou o ex-meia.

Leguía admitiu "situações estranhas" momentos antes do jogo com os argentinos, como, por exemplo, a retirada da lista de relacionados para a partida dos atacantes Hugo Sotil e Guillermo La Rosa, que não ficaram, sequer, no banco de reservas.

"Se um jogava o primeiro tempo, o outro entrava no segundo. Era a única mudança que estava fixa, e ele mandou os dois descansarem. Descansar para a partida seguinte?", indagou o ex-jogador, lembrando que aquela era a despedida do Peru da Copa do Mundo.

Outra revelação de Leguía foi a escalação como titular do lateral-esquerdo Roberto Rojas, que não havia atuado na competição. Segundo o então meia, a decisão foi tomada por Calderón, consultando alguns integrantes do elenco, sem especificar nomes.

Além disso, o ex-jogador confirmou que o presidente da Argentina à época, Jorge Videla, esteve no vestiário da seleção antes de a bola rolar, e leu uma mensagem do então mandatário peruano, Francisco Morales Bermúdez.

O ditador do país-sede do Mundial exaltou a parceria e a cooperação entre Argentina e Peru, o que, para Leguía, se tratava de uma exigência para não dificultar a classificação da 'Albiceleste' à final da competição.

Diferente de Velásquez, o ex-meia isentou Ramón Quiroga de qualquer facilitação.

"Ele queria fazer história, mas finalizavam na cara do gol. 'El Loco' não teve nada a ver com os gols", garantiu.

Por outro lado, Leguía disse não "colocar a mão no fogo" pelo então capitão Héctor Chumpitaz e pelo atacante Juan Carlos Oblitas, dois dos maiores jogadores da história do futebol peruano, o segundo, inclusive, atual diretor-esportivo das seleções nacionais.

Depois de golear a 'Blanqirroja' por 6 a 0, os argentinos encararam a Holanda na decisão, no estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, em jogo que venceram por 3 a 1, na prorrogação, garantindo inédito título mundial.

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