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Felipão lembra ausência de Romário em 2002 para destacar futebol coletivo

Matthew Lewis/FIFA via Getty Images
Felipão está desempregado desde que deixou o Guangzhou Evergrande, da China Imagem: Matthew Lewis/FIFA via Getty Images

05/04/2018 12h51

Bilbao, 5 abr (EFE).- Campeão mundial à frente da seleção brasileira em 2002, o técnico Luiz Felipe Scolari valorizou nesta quinta-feira o futebol coletivo em detrimento da dependência do talento individual e lembrou que conquistou o título há 16 anos mesmo sem convocar o atacante Romário.

Em entrevista concedida durante o Bilbao International Football Summit (BIFS'18), congresso realizado na cidade espanhola, Felipão disse achar difícil que um jogador se destaque na Copa do Mundo deste ano, na Rússia, sem companheiros de bom nível.

"É difícil que algum jogador faça a diferença nesta Copa porque o aspecto coletivo atualmente tem importância máxima", declarou o treinador, que vê a seleção de 2002 como exemplo de coletividade.

"Às vezes, um jogador melhor tecnicamente não é o melhor para a equipe. A decisão mais difícil que eu tive para a Copa de 2002 foi convocar o Ronaldo e deixar fora o Romário, um grande ídolo brasileiro", relatou.

Ainda sobre a campanha vitoriosa na Coreia do Sul e no Japão, Scolari, que está desempregado desde a saída do Guangzhou Evergrande, no fim do ano passado, recordou o duelo com a Bélgica, pelas oitavas de final, em que o Brasil encontrou grande dificuldade para vencer por 2 a 0.

"Nosso momento mais difícil foi a partida contra a Bélgica, que entrou em campo sem pressão alguma. A pressão estava toda sobre nós, e tivemos medo de nos equivocarmos", disse.

Ainda sobre pressão, Felipão, que também dirigiu a seleção brasileira no último Mundial, admitiu que pesa ainda mais jogar em casa. "É fundamental uma boa gestão da pressão nos grandes campeonatos. Comparando a Copa de 2002 com a de 2014, jogar em casa é mais difícil devido por causa disso", considerou.

Com relação ao Mundial deste ano, Felipão vê a seleção pentacampeã mais uma vez entre as favoritas e deixou de fora de sua lista a de Portugal, da qual foi treinador de 2003 a 2008 e que é a atual campeã europeia. "Argentina, Brasil, Espanha, França e Alemanha são os candidatos exponenciais para ficarem com o título", opinou.

O técnico também foi perguntado sobre o gol de bicicleta de Cristiano Ronaldo, com quem trabalhou na seleção portuguesa, na vitória do Real Madrid sobre a Juventus na última terça-feira, e exaltou a capacidade de finalização do craque.

"Cristiano faz gols de todo tipo, dessa forma, dentro da área, de fora, de cabeça, com o pé esquerdo e com o pé direito. Todo mundo fica admirado com os gols que ele faz, com efeito, com a capacidade de se levantar que demonstrou no outro dia... Mas ele tem em casa uma máquina com a qual trabalha o dia todo, diferentemente de muitos outros. É um obsessivo com o futebol", salientou.

Técnico do Guangzhou por três temporadas, Felipão acredita que o futebol da China está se desenvolvendo e que a seleção local voltará a uma Copa em breve. Até hoje, a equipe asiática esteve em apenas um Mundial, em 2002.

"Acho que a China poderá se classificar para uma Copa em um prazo de sete a dez anos porque está começando a dar passos nesse sentido. O presidente chinês adora futebol e o incentiva, é uma matéria obrigatória nas escolas do país", enalteceu.

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