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Jogo da 2ª divisão do Francês reacende tensão com ilha da Córsega

Ajaccio/Oficial
Imagem: Ajaccio/Oficial

24/05/2018 06h02

Paris, 24 mai (EFE).- O duelo entre Ajaccio e Le Havre, pelo mini-torneio de promoção da segunda divisão do Campeonato Francês, disputado no último domingo, serviu para acirrar as fortes tensões políticas entre a França continental e a ilha da Córsega, governada por nacionalistas.

O jogo, disputado no estádio François  Coty, em Ajaccio, e que terminou com vitória dos donos da casa nos pênaltis, trouxe à tona a conturbada relação do país com a região administrativa, que, geograficamente, está mais próxima da Itália.

Do lado do Le Havre, houve acusação de racismo, enquanto no time anfitrião, se apontou existência de discurso de "ódio" contra a Córsega, que encontrou respaldo no governo regional, que é liderado por coalização entre autonomistas e independentistas.

O primeiro-ministro da França, Edouard Philippe, que foi prefeito de Le Havre entre 2010 e 2017, também entrou na "partida", dizendo-se impactado pela "violência e brutalidade" mostrada contra os jogadores da equipe do norte da França.

Nesta quarta-feira, dois dos principais jornais do país, "Le Monde" e "Libération", também apresentaram debate sobre o que aconteceu na partida do fim de semana, que decidiu o rival do Toulouse, antepenúltimo da primeira divisão, em playoff para definir o último time na próxima edição da elite do Campeonato Francês.

As publicações apresentam, em colunas de opinião, as consequências do reacendimento das tensões, a partir da realização do jogo decisivo, que deveria ter acontecido na sexta-feira, mas foi adiado por causa de ataque dos torcedores do Ajaccio ao ônibus que levava os jogadores do Le Havre ao estádio.

O "Le Monde", por sua vez, foi mais firme contra o governo da Córsega, acusando a administração regional de "vitimismo", por desconsiderarem as ofensas xenofóbicas, feitas contra os jogadores da equipe visitante, que foram chamados de "franceses de merda".

Na ilha, o jogo também acirrou ânimos, inclusive, com o líder do Executivo regional, Gilles Simeoni, vindo a público para denunciar o que classificou como "um clima de histeria anti-córsega", que estaria sendo fomentada pelo alto escalão da administração nacional.

O independentista Jean-Guy Talamoni, presidente da Assembleia Legislativa, garantiu que levará ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos a "onda racista" contra os habitantes da Córsega, que teria sido iniciada após a disputa da partida.

Nos últimos meses, o governo de Emmanuel Macron e a administração da ilha passaram por diversos períodos de tensão, desde a vitória dos nacionalistas nas eleições regionais, em dezembro do ano passado, pela não concessão de autonomia tributária e no idioma, que foi solicitada.

As relações entre a gestão central e a regional, historicamente, são consideradas delicadas. Nos anos 90, a Frente de Libertação Nacional da Córsega se tornou um dos inimigos do Estado, ao assumir ter cometido diversos atentados.

A região administrativa, célebre por ser o lugar de nascimento de Napoleão Bonaparte, conta com apenas 325 mil habitantes e tem renda per capita inferior à média da França.

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