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"Cara normal", Klopp tenta levar o Liverpool ao hexa europeu

25/05/2018 17h52

Jorge Peris.

Liverpool, 25 mai (EFE).- "I am the normal one", disse Jürgen Klopp, usando uma camisa social preta e com o característico cabelo bagunçado, durante sua apresentação como técnico do Liverpool, em outubro de 2015.

"Eu sou o cara normal. Vim da Floresta Negra (região da Alemanha) e não posso me comparar com os gênios. Não consigo me descrever. Alguém acredita que posso fazer milagres? Me deixem trabalhar. Não sou o especial, sou o normal", declarou Klopp à época, em uma brincadeira sobre o apelido "special one" do português José Mourinho, treinador do rival Manchester United.

Dois anos e meio depois de arrancar gargalhadas dos repórteres na sala de imprensa do estádio Anfield Road com essa declaração, Klopp demonstrou que é sim um cara especial. O cara que, uma década depois, colocou o Liverpool de volta no mapa futebolístico mundial.

Passaram-se 11 anos desde o vice-campeonato europeu dos 'Reds', com uma derrota para o Milan em sua última final de Champions. Temporada a temporada, as estrelas foram indo embora e, tirando alguns jogadores criados na base, como Steven Gerrard e Jamie Carragher, o time foi caindo na mediocridade e ficando praticamente sem relevância em âmbito continental.

Desde a derrota em 2007 em Atenas, o balanço do pentacampeão na Champions foi pobre: uma semifinal, uma presença nas quartas de final e duas eliminações na fase de grupos. Além disso, o time teve participações ruins na Liga Europa, exceção feita à campanha em 2015-2016, quando perdeu para o Sevilla na decisão. Uma travessia pelo deserto longa demais para um clube tão tradicional.

O espanhol Rafa Benítez, que dirigiu o time no último título da Liga dos Campeões, deixou o cargo em junho de 2010, e nesse momento começou um período de instabilidade no banco do estádio Anfield Road, que se prolongou até outubro de 2015. Nesses cinco longos anos, passaram por Merseyside o inglês Roy Hodgson, o escocês Kennny Dalglish e o norte-irlandês Brendan Rodgers. Todos sem sucesso, embora tenha sido este último o que esteve mais perto de quebrar o jejum de conquistas no Campeonato Inglês, com o vice na temporada 2013-2014.

Contudo, Rodgers também não emplacou e foi demitido em outubro de 2015, depois de um empate com o Everton em 1 a 1, logo no começo do Inglês.

Aprovado por sete temporadas de sucessos e bom futebol no Borussia Dortmund, Jürgen Klopp aterrissou em Liverpool como substituto do norte-irlandês. O técnico foi pouco a pouco melhorando os resultados dos seus antecessores e gerenciado os recursos dados pelos donos do clube, os americanos John W. Henry e Thomas C. Werner.

O carismático Klopp, acompanhado de seu inseparável auxiliar, que deixou o clube em abril deste ano, cativou as pessoas às margens do Mersey, como já havia feito na bacia do Ruhr. Após um começo um tanto quanto titubeante, foi construindo uma equipe cada vez mais competitiva, capaz, inclusive, de fazer frente ao todo-poderoso Manchester City de Josep Guardiola.

Com o seu futebol marcado pela verticalidade e a velocidade, reflexo da filosofia do treinador, os 'Reds' têm voltado a brigar de igual para igual com os maiores. Uma nova filosofia apoiada por uma forte aposta nas categorias de base, como no caso do lateral Trent Alexander-Arnold, misturada com a força de jogadores experientes recentemente contratados, como o zagueiro Virgil van Dijk os meio-campistas Georginio Wijanldum e Alex Oxlade-Chamberlain e os atacantes Mohammed Salah e Sadio Mané.

Salah, que chegou em julho do ano passado, e Van Dijk, contratado em janeiro deste ano, foram os encarregados de colocar o Liverpool um patamar acima. O primeiro a base de gols, com 44, e o segundo, o zagueiro mais caro do planeta, fortalecendo uma defesa que deixava muitas dúvidas com Lovren, Matip e Klavan.

Os 'Reds' não demoraram a esquecer a milionária saída de Philippe Coutinho para o Barcelona em janeiro e, com o trio Mané, Salah e aterrorizaram as defesas com 31 gols e 11 assistências entre eles na Champions, incluindo os jogos contra o Hoffenheim pela fase preliminar.

Agora, Klopp, que em 2013 foi vice da Liga dos Campeões pelo Borussia Dortmund, enfrenta o seu maior desafio profissional e tentará impedir a terceira vitória consecutiva do Real Madrid em finais continentais para tornar o Liverpool ainda maior.

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