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Temporada do Everest termina com façanhas, tragédias e alto nº de ascensões

28/05/2018 11h58

Sangam Prasai.

Katmandu, 28 mai (EFE).- Mais de 460 montanhistas chegaram ao cume do monte Everest pela face sul, que fica do lado do Nepal, o segundo número mais alto na história, durante a temporada de primavera (hemisfério norte) de 2018, que acaba de ser concluída e ficou marcada por façanhas, mas também por tragédia, após a morte de quatro escaladores.

"O número exato (de ascensões bem-sucedidas) ainda está sendo computado, mas as informações preliminares indicam que mais de 460 montanhistas subiram com sucesso ao cume do Everest pela face sul no Nepal", disse nesta segunda-feira à Agência Efe Gyanendra Shrestha, representante do Ministério do Turismo do Nepal.

Shrestha destacou que a temporada de montanhismo começou em 13 de maio e a janela de bom tempo permaneceu aberta até o dia 25.

"Os montanhistas tiveram uma longa janela de tempo estável para completar sua missão este ano, exceto o dia 15 de maio. Isto proporcionou menos concorrência na hora de atacar o cume", acrescentou o representante do governo nepalês.

O renomado cronista do Everest, o americano Alan Arnette, estima em seu blog que 476 montanhistas alcançaram o cume pelo lado nepalês nesta temporada, um número que, se for confirmado, será o segundo mais alto, somente superado pela temporada de 2013, quando 578 montanhistas chegaram ao teto do mundo.

Daquele ano e até 2016, as ascensões ficaram interrompidas. Em 2014, uma avalanche acabou com a vida de 16 pessoas no Everest e, em 2015, o terremoto surpreendeu os escaladores na montanha, vitimando 19 pessoas.

As ascensões foram retomadas em 2016, quando 451 pessoas alcançaram com sucesso o cume, seis a mais que em 2017.

Este ano, além do alto número de escaladores que chegaram ao cume, ocorreram algumas façanhas individuais, como a do xerpa (etnia do leste do Nepal que constitui a maioria dos guias de montanha no país) Kami Rita Sherpa, que se transformou no homem que mais vezes chegou ao topo do mundo com 22 ascensões.

Outra façanha que será recordada durante muito tempo foi a ascensão do chinês Xia Boyu, um escalador de 70 anos que se transformou no primeiro biamputado de ambas as pernas a chegar ao cume do Everest pelo lado nepalês.

A história de Boyu provocou a admiração do mundo inteiro por sua persistência para conseguir chegar ao topo do mundo, em sua quinta tentativa, e após perder há 43 anos os dois pés por congelamento na mesma montanha.

O escalador chinês não desistiu mesmo após perder ambas as pernas por consequência de um linfoma.

Outra façanha marcante foi do australiano Steve Plain, que se transformou no escalador a subir mais rapidamente os sete cumes mais altos de cada continente, num período total de 117 dias.

Plain chegou ao topo do Everest após escalar por mais de sete horas partindo do acampamento 4, a 8 mil metros de altitude.

A temporada, no entanto, também trouxe momentos de tragédia com a morte de quatro escaladores.

O macedônio Gregori Petkov morreu por um problema cardíaco no acampamento 3, a 7.200 metros, enquanto tentava a ascensão final.

Outra vítima da montanha foi o japonês Nobukazu Kuriki, um escalador que tinha perdido os dedos por congelamento em uma tentativa anterior e que foi o primeiro a tentar escalar (sem sucesso) o Everest após o terremoto de 2015.

Kuriki chegou a 7.400 metros e fez contato com o acampamento base pedindo ajuda. O corpo do japonês foi encontrado a 7.000 metros, provavelmente após uma queda na qual perdeu a vida.

Além disso, os xerpas Lam Babu e Damai Sarki morreram este ano.

A temporada, no entanto, termina com menos mortes que no ano passado, quando seis pessoas faleceram.

"É certo que não podemos prever o tempo, que é a principal causa de morte no Everest, mas as mortes no Everest devido a erros humanos diminuíram significativamente", disse à Efe Ang Tshring Sherpa, ex-presidente da Associação de Montanhismo do Nepal.

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