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Lula diz que nunca soube de "negociata" para Rio ser sede dos Jogos Olímpicos

05/06/2018 14h08

Rio de Janeiro, 5 jun (EFE).- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba, prestou depoimento nesta terça-feira, em que negou qualquer irregularidade na vitória do Rio de Janeiro, como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Lula foi interrogado pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, na condição de testemunha de defesa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, em ação penal que apura suposta compra de votos na escolha da cidade que receberia o evento poliesportivo.

"Nunca soube de nenhuma negociata, em nenhum momento. Inclusive assinei um decreto em 2009 que coagia transparência de todos os dados. Lamento muito que tenha surgido essa denúncia 8 anos depois", garantiu o ex-presidente.

Cumprindo pena desde 7 de abril deste ano, por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula apontou para um momento de denúncias indiscriminadas no Brasil e garantiu que não houve ilícito na vitória da candidatura do Rio.

"Eu não sei qual é o critério para alguém que diz que foi trapaça. Esse senhor (procurador) não deve conhecer nada", criticou.

Os acusados por irregularidades são Cabral; o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman; o senegalês Lamine Diack, ex-membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), e seu filho, Papa Massata Diack, ex-dirigente da federação internacional de atletismo (IAAF).

O Ministério Público Federal os acusa de terem participado de um esquema que teria pago suborno de US$ 2 milhões (R$ 7,5 milhões), com objetivo de garantir, pelo menos, o voto de um dos delegados da África a favor do Rio. No depoimento, Lula explicou, inclusive, as vezes em que foi ao continente durante o governo.

"Viajei 34 vezes à África, abri 19 embaixadas na África. Isso dava aos africanos quase uma irmandade com o Brasil. Eu lutava para que os continentes pobres tivessem direito de organizar os Jogos Olímpicos", garantiu.

O ex-presidente garantiu que era fundamental que o país entrasse na briga para que o Rio de Janeiro sediasse o evento, por isso, sempre defendeu a candidatura em eventos internacionais e pediu que o Itamaraty fizesse campanha a favor da cidade.

"Sem a participação do Brasil como um todo, o Rio de Janeiro não teria vencido. O Brasil vivia um momento sensacional e havia se transformado em um protagonista internacional" disse.

Lula também disse nunca ter tido qualquer suspeita sobre a atuação de Nuzman, que chegou a ser preso por duas semanas em outubro do ano passado.

"A atitude dele sempre foi de muito compromisso com as Olimpíadas e com o Brasil. Não vi nenhuma atitude dele que pudesse desabonar o Brasil ou as Olimpíadas", garantiu o ex-presidente.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, Cabral e Nuzman pediram que o empresário Arthur Soares cedesse os US$ 2 milhões para que fosse comprado o voto de um integrante do Comitê Olímpico Internacional.

Papa e Lamine Diack, por sua vez, segundo a versão da acusação, prometeram beneficiar o Rio de Janeiro, em troca de suborno, além de terem prometido interceder, obtendo mais votos a favor da cidade. Carlos Emanuel Miranda, ex-operador de Cabral, disse em depoimento que foram comprados quatro votos de dirigentes da África.

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