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Arábia Saudita e Egito jogam por "honra árabe" e com técnicos em xeque

24/06/2018 15h28

Javier Martín.

Moscou, 24 jun (EFE).- Já sem chances de classificação às oitavas de final, Arábia Saudita e Egito se enfrentarão pela última rodada do grupo A com dúvidas sobre a permanência dos dois técnicos após uma Copa do Mundo decepcionante.

Os 'Faraós' desembarcaram na Rússia querendo voltar à vitrine do futebol depois de 28 anos de ausência do torneio e com a esperança depositada em uma geração de jogadores que começam a despontar na Europa, como o meia Mohamad Elneny, do Arsenal, além de um dos grandes astros do futebol mundial na última temporada, o atacante Mohammed Salah, do Liverpool.

No entanto, nenhum deles brilhou como se esperava. Depois da lesão no ombro que sofreu na final da Liga dos Campeões, Salah assistiu à partida de estreia, contra o Uruguai, do banco de reservas, e pouco rendeu em campo no jogo contra a Rússia, na segunda rodada.

Apesar de alguns lampejos e de um gol de pênalti, o atacante não conseguia dar continuidade aos lances, em parte pelas más condições físicas, mas também pela deficiência da seleção egípcia no setor de criação. Esse problema já tinha sido apresentado contra o Uruguai, que mesmo com dificuldades no ataque, conseguiu chegar ao gol da vitória no final do jogo, com José María Giménez.

Os números do Egito - duas derrotas, quatro gols contra, um a favor - e as atuações fracas ameaçam a permanência do técnico Héctor Cúper, que trouxe a seleção à Copa do Mundo.

O argentino garantiu que não dará nenhum passo adiante para renovar o contrato se 90% dos torcedores e os diretores egípcios desaprovarem seus métodos.

"Não quero agora falar de renovações de contrato, ponto. Mesmo se tivéssemos conquistado todos os objetivos que eu queria, agora é diferente para mim. Tenho que agradecer aos jogadores. Muitos deles não tinham chegado a este nível, era a primeira vez nas suas vidas que estavam em um torneio deste tamanho", afirmou.

Neste clima, e com o objetivo de conquistar a primeira vitória de um país árabe neste Mundial, a principal novidade pode ser a estreia do goleiro El Hadary, que, aos 45 anos, quatro meses e nove dias, bateria assim o recorde de jogador mais velho a entrar em campo em uma Copa do Mundo, superando o colombiano Farid Mondragón.

No outro lado do campo, o técnico Juan Antonio Pizzi também vai para o último jogo de sua seleção no Mundial marcado por duras críticas.

A Arábia Saudita conquistou com facilidade a vaga nas Eliminatórias asiáticas sob o comando do holandês Bert van Marwijk, que nove meses antes da Copa do Mundo foi substituído pelo argentino Edgardo Bauza. O ex-técnico do São Paulo durou apenas dois meses e cinco partidas no cargo, depois de duas vitórias e três derrotas.

Pizzi chegou em cima da hora, em novembro do ano passado, e quase não deixou sua marca em um grupo que teve três treinadores no último ano e que acabou perdendo pelo caminho parte de sua identidade.

Da mesma forma que Egito, Tunísia e Marrocos, as outras três seleções árabes na Copa - todas eliminadas na segunda rodada -, a Arábia Saudita e seus jogadores mudaram sua rotina diária e treinamentos para se adaptarem ao Ramadã, o mês do jejum sagrado do islã, que coincidiu com maio.

Embora a maioria dos técnicos muçulmanos garanta que mudar os hábitos de alimentação, hidratação e sono, além de passar os treinos para o horário noturno durante 28 dias não afeta o rendimento, mas outros treinadores, médicos e nutricionistas discordam.

A verdade é que, na primeira rodada, que coincidiu com o fim do Ramadã, a Arábia Saudita levou dois dos cinco gols sofridos nos acréscimos, quando as forças dos jogadores começaram a falhar.

Tanto Egito, como Marrocos e Tunísia, foram derrotados na primeira rodada depois dos 90 minutos do tempo regulamentar, após partidas de grande exigência física contra Uruguai, Irã e Inglaterra.

Nestas condições, a escalação que Pizzi escolherá amanhã é um mistério. Ele pode voltar a mudar o goleiro, depois que Mohamad Alowais, titular contra o Uruguai, falhou de forma grosseira na jogada que terminou no único gol da partida, marcado por Luis Suárez.



Prováveis escalações:.

Arábia Saudita: Al Mosailem; Al Shahrani, Hawsawi, Albulayhi e Al Burayk; Aljassam, Otayf e Al Faraj; Bahbir, Al Dawsari e Al Muwallad. Técnico: Juan Antonio Pizzi.

Egito: El Hadary; Fathy, Gabr, Hegazy e Abdel Shafy; Elneny, Hamed, Said, Trezeguet e Salah; Marwan. Técnico: Héctor Cúper

Árbitro: Wilmar Roldán, auxiliado por Alexander Guzman e Cristian De la Cruz. (Todos da Colômbia).

Estádio: Volgogrado Arena.

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