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Messi desencanta, Argentina vence freguesa Nigéria e vai às oitavas da Copa

26/06/2018 17h17

São Petersburgo (Rússia), 26 jun (EFE).- Após ter marcado apenas um ponto nos dois primeiros jogos, ser muito criticada por imprensa e torcida e sentir intensamente a ameaça de uma eliminação precoce, a Argentina ressurgiu nesta terça-feira na Copa do Mundo, ao vencer a velha freguesa Nigéria por 2 a 1 e conseguir se classificar às oitavas de final como vice-líder do grupo D, que teve a Croácia na primeira posição.

O placar do duelo, disputado no Estádio Krestovsky, em São Petersburgo, foi aberto por Lionel Messi aos 14 minutos do primeiro tempo. O gol do camisa 10 foi o 100º desta edição do torneio e o primeiro dele na competição.

Apontado como responsável pela escalação da 'Albiceleste' na partida, o volante Javier Mascherano cometeu pênalti no zagueiro Leon Balogun, e o meia-atacante Victor Moses converteu a cobrança aos 6 da etapa final, deixando tudo igual.

O gol fez a Argentina bater cabeça durante quase todo o segundo tempo, inclusive, com diversas oportunidades perdidas. Aos 30, os nigerianos reclamaram de um toque de mão na área, do zagueiro Marcos Rojo. O árbitro turco Cuneyt Çakir conferiu as imagens do lance em vídeo, mas não marcou a infração.

Depois de quase ter virado vilão, o defensor do Manchester United se consagrou como herói ao balançar a rede em linda conclusão dentro da área, dando números finais ao duelo.

A Argentina, com o resultado, terminou como vice-líder do grupo D, atrás da Croácia, que já entrou classificada na última rodada. Dessa forma, a 'Albiceleste' enfrentará a França, primeira colocada do C, neste sábado, na Kazan Arena, pelas oitavas de final.

Na próxima etapa da competição, os comandados por Jorge Sampaoli precisarão superar um retrospecto negativo contra as seleções que avançaram à fase seguinte mesmo sem vencer os dois primeiros compromissos. Das 12 que estiveram nesta situação desde 1998, quando foi adotado o atual formato do torneio, com 32 seleções, apenas duas conseguiram passar das oitavas: a França, que foi vice em 2006, e a Turquia, que chegou às semifinais quatro anos antes.

Esta foi a quinta vez que argentinos e nigerianos se enfrentaram em Mundiais. Todos os outros duelos também aconteceram em fases de grupos e sempre com a 'Albiceleste' levando a melhor com placares apertados. No primeiro, em 1994, os argentinos ganharam por 2 a 1. Em 2002, venceram por 1 a 0, mesmo placar do confronto em 2010. Em 2014, a vitória foi por 3 a 2.

Para o jogo decisivo desta terça-feira, a escalação da Argentina foi cercada de polêmicas, já que a imprensa local aponta que as decisões não foram tomadas pelo técnico Jorge Sampaoli, mas pelos próprios jogadores, liderados pelo volante Javier Mascherano.

Com relação à derrota para a Croácia por 3 a 0, houve mudança no gol, com Armani entrando no lugar do contestado Caballero. Além disso, a formação tática voltou a ter quatro defensores. Outra novidade foi a presença de Higuaín no comando de ataque, escoltado por Messi e Di María.

A Nigéria, que repetiu a escalação da vitória sobre a Islândia, começou o jogo fechada no campo de defesa, esperando para sair nos contra-ataques. Aos 3, a estratégia quase deu certo, até a bola cair nos pés de Etebo, que tentou finalizar, mas acabou bloqueado por adversário.

A insistência dos argentinos em buscar Messi, que persistia desde o início da Copa, foi premiada aos 14 do primeiro tempo. Banega, uma das novidades da 'Albiceleste' no jogo, fez lançamento preciso e achou o camisa 10, que disparou, ganhou de Omeruo na corrida e bateu cruzado para estufar a rede.

Melhor na partida, a Argentina controlou o ritmo jogo, contra um adversário que tentava se reorganizar. Aos 27, em nova bola enfiada, Messi encontrou Higuaín, que se esticou todo, mas não conseguiu finalizar. O centroavante, em seguida, se chocou com a cabeça do goleiro Uzoho, que precisou de atendimento médico.

Pouco depois, Banega acertou mais um passe magistral, que deixou Di María em ótima condição. O meia disparou, mas acabou derrotado por Balogun - que recebeu cartão amarelo pela jogada -, quando partia para entrar na área. Messi foi para a cobrança e acertou a trave esquerda dos nigerianos.

Apenas no último lance da primeira etapa, as 'Super Águias' conseguiram testar Armani. Após bola levantada por Iheanacho da intermediária, Balogun resvalou em direção ao gol, mas parou em tranquila defesa do camisa 12 da 'Albiceleste'.

No segundo tempo, logo aos 4, o árbitro turco Cuneyt Çakir marcou pênalti quando Mascherano agarrou e derrubou Balogun. A infração foi confirmada após consulta aos auxiliares de vídeo, logo em seguida. Moses deu leve toque e deixou tudo igual no placar.

O gol desmontou a seleção argentina, que começou a errar os lances mais simples, como Di María, ao tentar dominar a bola em uma tabela com Messi e deixar escapá-la pela lateral. Sem outra opção que não vencer, os vice-campeões mundiais tentaram se lançar com tudo para frente, inclusive, com a entrada de Pavón no lugar de Enzo Pérez, aos 15 do segundo tempo.

Fechada na defesa, de olho em uma bola para matar a Argentina, a Nigéria teve ótima oportunidade aos 26, quando Moses fez ótima jogada pela esquerda e deu passe para a entrada da área, onde Ndidi apareceu para fuzilar por cima do gol de Armani.

No contra-ataque, por muito pouco as 'Super Águias' não ampliaram aos 30, quando Ighalo se aproveitou de falha de Rojo e emendou de primeira, pela linha de fundo. Depois de reclamação dos nigerianos, de um toque de mão do defensor argentino, Çakir reviu as imagens e avaliou que não houve pênalti.

A 'Albiceleste', de forma desesperada, continuou a tentar chegar ao gol, mas, para aumentar a insatisfação do torcedor, aos 35, Higuaín viveu mais um momento para se esquecer com a camisa da seleção, após receber cruzamento da esquerda e isolar a bola muito acima do gol de Uzoho.

O drama argentino acabou aos 41, quando, após jogada pela esquerda, Mercado cruzou e Rojo, lateral-esquerdo de origem, mas que vem atuando de zagueiro, apareceu na área como um centroavante e emendou de primeira, estufando a rede para marcar o segundo, no último ato antes da eufórica comemoração pela garantia da vaga.



Ficha técnica:.

Nigéria: Uzoho; Ekong, Balogun e Omeruo (Iwobi); Moses, Obi Mikel, Ndidi, Etebo e Idowu; Iheanacho (Ighalo) e Musa (Nwankwo). Técnico: Gernot Röhr.

Argentina: Armani; Mercado, Otamendi, Rojo e Tagliafico (Agüero); Mascherano, Enzo Pérez (Pavón) e Banega; Messi, Di María (Meza) e Higuaín. Técnico: Jorge Sampaoli.

Árbitro: Cuneyt Çakir (Turquia), auxiliado pelos compatriotas Bahattin Duran e Tarik Ongun.

Gols: Moses (Nigéria); Messi e Rojo (Argentina).

Cartões amarelos: Balogun e Mikel (Nigéria); Mascherano, Banega e Messi (Argentina).

Estádio: Krestovsky, em São Petersburgo (Rússia).

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