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Clube belga integra jovens refugiados à sociedade através do futebol

04/12/2018 10h04

Ana Belinchón.

Bruxelas, 4 dez (EFE).- O Kraainem Football Club, da Bélgica, realiza desde 2015 a integração social de menores refugiados não acompanhados através de um programa de voluntariado no qual os jovens assistem a aulas de francês e jogam futebol em um gramado que os recebe a cada tarde com a palavra "respeito" escrita em letras garrafais.

Quando a crise dos refugiados na Europa se intensificou, há três anos, Benjamin Renauld, jogador e técnico da equipe juvenil do Kraainem entrou em contato com a Fedasil, agência federal para o amparo a quem pede asilo no país, para colocar as instalações do clube, a dez minutos de Bruxelas, à disposição de refugiados.

Assim nasceu o projeto, pioneiro em toda a Bélgica, que conta com o apoio da Comissão Europeia, da qual recebeu neste ano um aporte de 60 mil euros, e da Fundação para a Infância da Uefa.

O financiamento permite ao clube, entre outros benefícios, disponibilizar o vestiário aos jovens e alugar uma caminhonete para transportá-los do centro de amparo ao campo de futebol.

Renauld disse à Agência Efe que a integração social é muito importante no momento de prevenir que os jovens mais vulneráveis se radicalizem, já que, embora a maioria deles esteja na Bélgica há muito pouco tempo, todos se sentem identificados com os valores do clube. É o caso de Mohmmad Ibrahim, um jovem sírio de 17 anos que percorreu diversos países europeus a pé fugindo da guerra.

Durante um ano e cinco meses, Ibrahim atravessou Turquia, Grécia, Bulgária, Macedônia, Sérvia, Hungria, Áustria, Alemanha e Holanda até chegar à Bélgica, onde finalmente está estabelecido.

Junto com Ibrahim estão dois jovens de ascendência palestina nascidos na Arábia Saudita e com nomes muito similares, Mohannad Hussain e Mohammad Hussain, e um garoto da Guiné, Mamadou Dian Diallo, assistem a aulas de francês e treinam futebol três vezes por semana.

Os amigos Hussain têm 17 anos e pedem asilo na Bélgica, país ao qual chegaram depois de passarem por Líbano, Etiópia, Argentina, Peru, Equador, Espanha e pelo Brasil. Mohannad quer estudar uma engenharia, e Mohammad, uma graduação em Tecnologias da Informação e da Comunicação.

Dian Diallo, de 15 anos, vem de outro continente, mas compartilha com os companheiros uma experiência parecida: chegou à Espanha proveniente do Marrocos, atravessou a França e se instalou no mesmo centro de amparo de Bruxelas.

Os quatro fazem parte de um pequeno grupo de trabalho que costuma ser formado por entre seis e dez pessoas, no qual se aprende francês conversando com os professores sobre os países de origem ou sobre as coisas que mais gostam de fazer na Bélgica.

Depois da aula, eles jogam futebol sob a supervisão de um monitor. Durante o treino, socializam em vários idiomas, entre os quais se destacam o francês, o inglês, o árabe e o espanhol.

O impacto do programa, pelo qual já passaram cerca de 1,5 mil menores que pedem asilo, chamou a atenção do rei Filipe da Bélgica, que visitou as instalações recentemente.

"Foi uma grande honra para nós. O rei deu o pontapé inicial de amistoso que organizamos com os jovens do clube e os asilados e chamou muita atenção para o jogo", afirmou Renauld.

Embora qualquer menor que esteja em um centro de amparo da Fedesil possa fazer parte do programa, quase todos os participantes são garotos. "Quase não há mulheres no programa, porque a grande maioria dos menores refugiados não acompanhados é do sexo masculino", explicou.

Segundo dados do escritório de estatística comunitária, o Eurostat, a União Europeia concedeu 538 mil pedidos de asilo em 2017, 25% a menos que no ano anterior.

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