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Tóquio-2020: Presidente de comitê japonês é acusado de corrupção ativa

Tsunekazu Takeda recebe diploma de candidatura de Tóquio de Jacques Rogge, presidente do COI - REUTERS/Marcos Brindicci
Tsunekazu Takeda recebe diploma de candidatura de Tóquio de Jacques Rogge, presidente do COI Imagem: REUTERS/Marcos Brindicci

11/01/2019 08h07

O presidente do Comitê Olímpico Japonês, Tsunekazu Takeda, foi acusado na França de "corrupção ativa", confirmaram à Agência Efe, fontes judiciais. O dirigente é suspeito de ter subornado membros africanos do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que Tóquio conseguisse ser a cidade escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2020

Takeda, considerado um dos principais responsáveis pela vitória em 2013 da capital japonesa sobre Madri e Istambul, foi interrogado no mês passado por um juiz francês que há três anos investiga supostas irregularidades, acrescentaram as fontes.

Os investigadores franceses rastreiam o pagamento, pouco antes do voto de Buenos Aires dado a Tóquio para os Jogos Olímpicos de 2020, de 1,8 milhão de euros a uma empresa interposta, atrás da qual estava o senegalês Papa Massata Diack, filho do então presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, segundo revelou o jornal "Le Monde".

Esse dinheiro, oficialmente para a elaboração de dois relatórios, serviu para subornar membros africanos do COI através do influente Diack, que fez campanha então pela capital japonesa.

Foi precisamente a investigação aberta contra o ex-dirigente senegalês e seu filho, ambos acusados na França por suposta corrupção, o que evidenciou esses pagamentos suspeitos, o que levaram a investigar Takeda.

Interrogado pela primeira vez em Tóquio em fevereiro de 2017, o presidente do comitê japonês confirmou esses pagamentos, mas não conseguiu justificar a elaboração dos relatórios.

Um segundo interrogatório, ocorrido em 10 de dezembro, abriu as portas para sua acusação.

Segundo os investigadores, o dinheiro circulou através de uma empresa baseada em Singapura, denominada Black Tidings, antes de chegar aos bolsos do filho de Diack.

O primeiro pagamento, de quase 800 mil euros, data de 30 de julho de 2013, e o segundo, de 1 milhão de euros, de 28 de outubro desse mesmo ano, apenas dez dias antes do voto em Buenos Aires da Assembleia Geral do COI.

Tóquio ganhou no segundo turno de Istambul, que tinha desbancado Madri na primeira após um voto de desempate. A capital japonesa obteve 42 votos na primeira votação e 60 na segunda, frente aos 36 da cidade turca.

Segundo o "Le Monde", na capital argentina Diack fez campanha por Tóquio entre os eleitores africanos, oficialmente pelo apoio que a candidatura tinha prometido à IAAF.

Takeda, bisneto do imperador Meiji, preside o comitê japonês desde 2001 e tudo aponta que será reeleito em junho para um 11° mandato, apesar de já ter superado a idade máxima regulamentar de 70 anos.

Após ter participado dos Jogos Olímpicos de Munique 1972 e Montreal 1976 no hipismo, em 2012 foi nomeado membro do COI em razão de seu cargo à frente do comitê japonês. Desde 2014, preside a Comissão de Marketing do organismo internacional.

Como presidente da candidatura de Tóquio, em seu país é considerado o artífice da vitória, embora atualmente seja vice-presidente do Comitê Organizador dos Jogos previstos para entre 24 de julho e 9 de agosto.

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