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Mbappé põe em xeque projeto do PSG

20/05/2019 14h09

Luis Miguel Pascual.

Paris, 20 mai (EFE).- Quando Kylian Mbappé entreabriu a porta da saída do Paris Saint-Germain, o clube tremeu frente à perspectiva de perder a sua estrela mais promissora, a primeira que cairia da constelação formada a base de milhões pelos proprietários catarianos.

No Parque dos Príncipes, sabem que o treinador do Real Madrid, Zinedine Zidane, sonha com o jovem francês e que o contato entre o clube espanhol e a família do jogador é permanente desde o retorno de 'Zizou' ao atual tricampeão europeu.

Nesse contexto, a frase pronunciada quando recebia o prêmio de melhor jogador do ano na França provocou um terremoto no clube: "Chegou o momento de assumir mais responsabilidades, em Paris, se for possível. Seria um grande prazer. E se não for em Paris, poderia ser em outro lugar, em um novo projeto".

As palavras contradizem o discurso oficial do jogador até agora, destinado a varrer qualquer suspeita de ambição exterior, a acabar com os rumores sobre uma possível transferência para o Real.

No dia 10 de março, pouco depois da eliminação do PSG nas oitavas de final da Liga dos Campeões e coincidindo com a volta de Zidane ao clube madrilenho, Mbappé garantiu que continuava acreditando no projeto do clube da capital francesa. As palavras pronunciadas ontem à noite significam que essa confiança precisa de provas, que não é um cheque em branco.

Nos mais de dois meses entre as duas frases, o melhor jogador jovem da última Copa do Mundo ganhou importância e destaque na equipe do técnico Thomas Tuchel devido às lesões de Neymar e Edinson Cavani.

Sem as duas estrelas na parte final da temporada, foi ele quem sustentou os alicerces do clube, se colocando na luta pela Chuteira de Ouro da Europa contra o argentino Lionel Messi, do Barcelona. Mbappé marcou 32 gols pelo Campeonato Francês, mais que qualquer outro jogador do país no torneio nacional desde 1966, mas precisa fazer quatro na última rodada, na próxima sexta, em visita ao Stade Reims, para obter o prêmio.

A posição prudente do jovem de 20 anos foi mudando à medida que se viu capaz de suportar nos ombros o peso da equipe. Em paralelo, Neymar não deixou de reivindicar mais importância no seio da equipe. O brasileiro, o jogador mais caro da história do futebol, só retornou nas últimas partidas, mas de forma ruidosa.

Mesmo antes do retorno aos gramados, Neymar se meteu em confusão e recebeu três jogos de suspensão na Liga dos Campeões por ter insultado o árbitro da eliminação para o Manchester United nas oitavas de final do torneio continental. Depois disso, após a derrota na decisão da Copa da França para o Rennes, agrediu um torcedor e cobrou mais dos jovens do elenco, além de exigir mais peso no vestiário.

Agora Mbappé também quer demarcar território. O clube sabe que o segundo jogador mais caro de todos os tempos, pelo qual pagou 180 milhões de euros ao Monaco, e que está pulverizando recordes de precocidade que lhe colocam na mesma trilha que Pelé, não está disposto a ser um mero coadjuvante de Neymar.

Após ter sido campeão mundial pela seleção francesa, o atacante conheceu o sabor da glória e não quer que nada nem ninguém o desvie de seu principal objetivo: fazer história. O filho da periferia parisiense, treinado pelo pai quando criança e formado na base do Monaco quer ter certeza de que o PSG não ficará pequeno para suas ambições.

Além disso, o craque sabe que em sua porta bate o clube europeu com mais títulos na história, que procura uma pedra do tamanho de sua tradição sobre o qual edificar um novo projeto após a saída de Cristiano Ronaldo rumo à Juventus.

A joia, frequentemente enaltecida pela maturidade surpreendente que tem apesar da juventude, não quer limites para os seus sonhos. E os proprietários do clube francês estão advertidos. EFE

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