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Presidente da Conmebol elogia VAR e diz que Copa América tem público bom

Agustin Marcarian/Getty Images
Alejandro Dominguez, presidente da Conmebol, concede entrevista a jornalistas Imagem: Agustin Marcarian/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

2019-06-19T19:32:47

19/06/2019 19h32

Hernán Bahos Ruiz.

Rio de Janeiro, 19 jun (EFE).- Na contramão de algumas críticas que vêm sendo feitas por jogadores, técnicos e torcedores, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, disse nesta quarta-feira (19), em entrevista exclusiva à Agência Efe, que a Copa América vem atraindo bastantes torcedores e ainda vai melhorar.

Relaxado depois de ter disputado uma pelada com colaboradores do comitê organizador do torneio na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, o dirigente de 47 anos atendeu à Efe em uma entrevista na qual também analisou o começo da competição continental, elogiou o VAR e apontou alguns dos desafios da confederação sul-americana.

Dentre esses desafios, segundo Domínguez, está a Copa América do ano que vem, que será sediada por Colômbia e Argentina, escolha que abriu brecha para reclamações e desconfiança.

Agência Efe: Em que direção está indo a Copa a América do Brasil?

Alejandro Domínguez: A Copa América está em um caminho muito bom. Eu acho que estamos vendo muita quantidade de público. Muito pelo contrário do que tem sido dito. Estão sendo vendidas mais de 665 mil ingressos. Isso é muito, é lisonjeador.

Estamos vendo jogos de futebol, muito bons com definições espetaculares, com gols bonitos, com talentos dentro de campo. Coisas que fazem, de verdade, o futebol sul-americano algo único.

Continuo dizendo, e não é por propaganda, os melhores jogadores do mundo estão na América do Sul e estão demonstrando isso nesta Copa América. As pessoas deveriam vir e aproveitar porque nem sempre têm a oportunidade de ver tantos craques dentro de campo.

Efe: Apesar do que se diz sobre a baixa presença de público em alguns jogos, você acredita que a procura por ingressos vai subir?

Domínguez: Eu tenho certeza que isso vai melhorar. Estudando um pouco o passado recente da Copa América, e tirando a do Centenário, que foi disputada nos Estados Unidos, a presença de público (no Brasil) é bem superior ao que tivemos no Chile (2015), por exemplo.

Não é porque acho que as coisas foram mal feitas no passado, mas porque quero que o futuro seja sempre melhor. Acredito que houve um avanço. Certamente temos muito público em estádio que talvez seja muito grande. Seria necessário analisar esse ponto quando o sorteio é feito.

O sorteio deveria acontecer com sedes preestabelecidas ou ir juntando as sedes à medida que os sorteios e as equipes fossem demonstrando as cidades com que têm mais proximidade. De repente, dá para uma seleção jogar em um estádio perto da fronteira e ir encontrando um pouco de estabilidade.

Este é um pouco motivo pelo qual estamos colocando a Copa América em dois países. Queremos que torcedores que estejam mais próximos da Colômbia possam ir ver as suas seleções, e que o público de países que estejam mais próximos da Argentina possa fazer o mesmo com as suas seleções. Estamos trabalhando pelo futebol e buscando soluções para que isto seja sustentável no tempo.

Efe: O que você pode dizer aos críticos e contra os rumores que põem em dúvida a ideia da Copa América conjunta?

Domínguez: Que se preparem porque vai haver uma Copa América no ano que vem e ela vai ser disputada na Colômbia e na Argentina. É a única coisa que posso dizer. Assim que tivermos em mãos o estudo encomendado junto à agência Dentsu, que leva o trabalho de comercialização da Copa América, informaremos ao conselho e ao público.

Efe: Ninguém o procurou para dizer: "presidente, vamos desistir da ideia de Copa América conjunta"?

Domínguez: Pelo contrário. Há cada vez mais países que querem compor esse tipo de organização. A Copa América chama muita atenção. De fato, há um dado que não é pequeno: 178 países estão retransmitindo a Copa América ao vivo, e isso é um recorde.

Temos países de fora do continente que quiseram ser sede da Copa América no ano que vem, e nós entendemos que é muito conveniente que continue sendo feita dentro da América do Sul. O que quero dizer com isso é que há muita expectativa. O mundo gosta do futebol sul-americano, e nós temos que saber cuidar dele, valorizá-lo e desfrutar dele.

Efe: O VAR adquiriu um protagonismo superlativo na sua estreia. O que você pode dizer frente aos temores de que a tecnologia acabe minando a segurança dos árbitros ou os tornando dependentes? Ou que afetem a emoção com tantas paralisações para analisar jogadas duvidosas?

Domínguez: Está claro que não é assim. Os árbitros usam o VAR como uma ferramenta para fazer justiça, e acho que desde que nós tenhamos justiça dentro de campo, talvez possamos ajustar um pouco o tempo. Mas mesmo assim acho que facilita para que justiça seja feita.

Na verdade, o que se quer é que os resultados sejam definidos de maneira mais transparente, mas clara e esportiva. Estou feliz que a Conmebol não só tenha sido a confederação que propôs a implementação do VAR, mas que também fomos os primeiros a implementar o VAR em uma competição internacional.

Nossos árbitros foram os primeiros na América do Sul e no mundo a poderem usar essa ferramenta em uma competição internacional. E também vimos que graças a isso nossos árbitros estiveram em partidas muito importantes, inclusive na abertura e na final de uma Copa do Mundo (na Rússia).

Acho que é um triunfo. O VAR tem coisas a serem ajustadas, mas acredito que o fato de fazer justiça é o que nós queremos, e o público também sabe desfrutar disso.

Efe: Como você quer ser recordado após sua presidência da Conmebol?

Domínguez: Como um amante do futebol que trabalhou para transformar o futebol sul-americano e fazer do futebol sul-americano muito melhor do que era. EFE

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