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Conca revela desejo de ser técnico do Fluminense no futuro

2019-06-25T11:21:00

25/06/2019 11h21

David Ramiro.

Madri, 25 jun (EFE).- O argentino Darío Conca, que se aposentou como jogador de futebol há cerca de dois meses, afirmou em entrevista à Agência Efe que vai começar a se preparar para ser técnico e que deseja voltar ao Fluminense no futuro, na nova função.

O ex-meia ainda citou a conquista do Campeonato Brasileiro de 2010, pela equipe das Laranjeiras, como o ponto alto da carreira. Além disso, ainda destacou o brasileiro Ronaldinho Gaúcho como o melhor adversário que enfrentou, e o técnico italiano Marcelo Lippi, com quem trabalhou no Guangzhou Evergrande, como o melhor comandante.

Conca, que também teve passagens breves por Vasco e Flamengo e encerrou a carreira no pequeno Austin Bold, dos Estados Unidos, concedeu entrevista à Agência Efe em Madri, na Espanha. Confira a conversa com o argentino:.

Pergunta: Com a aposentadoria ainda recente, em que momento pessoal você está?

Resposta: Quero fazer coisas novas, mas seguindo no mundo do futebol.

P: A princípio, você disse que se aposentava para jogar ao golfe.

R: É outra coisa. Comecei a jogar ao golfe e quero aprender mais, tenho curiosidade. Agora, treino todos os dias e vou melhorando para ver até onde posso chegar.

P: Se enxerga como um técnico de futebol?

R: Vou a começar um curso na Argentina dentro de um mês. Quero aplicar a experiência que tenho no futebol, mas também quero continuar aprendendo. Estou feliz e gostaria começar na base, com crianças.

P: Imagina trabalhar na Argentina? Em que times?

R: Eu gostaria treinar na Argentina e o Brasil. Entre os times, no River Plate, Boca Juniors e também no Fluminense.

P: Agora que quer ser técnico, qual mais o marcou?

R: Com todos, você aprende algo e tira boas coisas, mas Marcelo Lippi, com quem trabalhei na China, foi o melhor. Pela forma de trabalhar, pelo desejo de vencer, pelo tratamento aos jogadores. Sabia quando era o momento de forçar um pouco ou de relaxar. Sempre te ensinava e nunca se conformava, graças a mentalidade vencedora.

P: Dos treinadores europeus, qual você gosta?

R: (Josep) Guardiola, pela forma como monta seus times. Os times dele jogam bem, e acredito que tenha revolucionado o futebol. É um exemplo para todos os treinadores. Outro que me surpreendeu é José Mourinho, pelo espírito vencedor que tem.

P: Qual o momento como jogador que fica para você?

R: Em 2010, com Fluminense. Foi o melhor momento. Parecia que tudo dava certo. Tudo foi perfeito.

P: Ficou a mágoa de não ter jogado na Europa?

R: Acho que sim. Todos nós gostaríamos de jogar na Europa, mas não tive uma proposta. Mesmo assim, sou feliz por ter jogado em vários países e lugares que nunca sonhei. De repente, me vi jogando no Maracanã lotado, na China ajudei o nível do futebol subir. Mas sim, ficou o desejo de atuar na Europa.

P: Ao longo da carreira, enfrentou grandes jogadores. Qual foi mais especial?

R: Ronaldinho Gaúcho. Tive a oportunidade de encará-lo e senti algo especial. É o melhor que vi. Por tudo o que fez no campo, o domínio, como a bola cola nele. Foi espetacular.

P: Como você explica, aos 28 anos, ter ido jogar na China?

R: Primeiro, porque chegou a possibilidade de viver uma experiência nova, em uma cultura diferente. Não havia ofertas para ir à Europa, eles insistiram e economicamente era muito bom, para a minha família e para mim, além de ajudar o Fluminense. Esportivamente, também o projeto era bom.

P: Como avalia o nível atual do futebol da Argentina?

R: Argentina é muito mais do que River e Boca. Há uma paixão em todo o país. Hoje em dia, tudo se nivelou mais, qualquer time pode ser campeão, embora Boca e River tenham diferencial por toda a história. Mas, todas as equipes menores vêm crescendo e deixado tudo mais igual.

P: Como argentino, o que significa ter Lionel Messi?

R: É uma alegria saber que podemos curtir ele com a nossa camisa. Somos um país que luta, que não passa um bom momento e o futebol pode nos dar uma alegria. É um orgulho tê-lo, por tudo o que conquistou. É o melhor que nos poderia acontecer. É nosso melhor representante, junto com Maradona.

P: Qual dos dois você gosta mais?

R: Tive a chance de ver mais de Messi. Ele está em outro nível, junto com Maradona. Mas, por tudo o que me proporcionou quando eu era menino, e pelo que vivi, igual a Maradona não há. Não digo que seja o melhor, mas significou muito para mim, pela alegria que deu aos argentinos. Maradona sempre será o melhor da história do futebol, embora eu tenha um carinho especial por Messi.

P: Está vendo a Copa a América? O que está achando?

R: Difícil, como era de esperar. Todos pensávamos que a Argentina e o Brasil poderiam estar um pouco acima, mas o Chile e a Colômbia estão jogando bem. Espero que a Argentina melhore. Também destaco como importante, que seleções como de Venezuela e Peru estejam crescendo.

P: Como avalia a seleção argentina?

R: Não jogou bem a primeira fase. Teve muitos problemas, após a primeira derrota com a Colômbia, perdeu a confiança e isso não é fácil. Agora se recuperou, se classificou. Daqui por diante, veremos a Argentina que queremos, em que os grandes, como Messi, aparecem.

P: O que está achando do trabalho do técnico Lionel Scaloni?

R: Está sendo um momento difícil, porque é jovem e carrega o peso de toda a história da Argentina, que é muito forte, de muitos anos sem conquistar título. Está tentando fazer o melhor possível. Argentina não estava acostumada com um treinador tão jovem, mas esperamos que ele ganhe a Copa América. EFE

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