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Tocha olímpica tenta ser mensagem de paz e esperança em área de tragédia

2019-06-26T06:01:00

26/06/2019 06h01

Nora Olivé.

Tóquio, 26 jun (EFE).- Associada, normalmente, a uma mensagem de paz e esperança, a tocha dos Jogos Olímpicos de 2020, que acontecerão em Tóquio, é também um símbolo da reconstrução das regiões mais castigadas pelo terremoto e o tsunami que assolaram o nordeste do Japão, há oito anos.

"Além de gerar entusiasmo em todo o país antes do evento e de promover os valores olímpicos, o revezamento da tocha tem como objetivo mostrar a solidariedade com as áreas que ainda estão se recuperando", disse o Comitê Olímpico Internacional (COI) em comunicado.

O símbolo será aceso em Olimpia, na Grécia, no dia 12 de março do ano que vem, um dia depois do nono aniversário da catástrofe natural que arrasou a região de Tohoku, no extremo norte da principal ilha do arquipélago japonês.

A partir do local onde é recolhida a chama, seguindo a tradição, a tocha será levada para o Japão, para ser exibida nas cidades de Fukushima, Iwate e Miyagi, que sofreram as piores consequências do terremoto e do tsunami de 2011.

Em um ato cheio de simbolismo, o revezamento da chama começará em Fukushima, onde aconteceu um grave acidente nuclear por causa da catástrofe natural. A partir dali, serão 47 municípios percorridos no arquipélago de Tohoku durante 121 dias.

O ponto final é a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos, que acontecerá no Estádio Nacional de Tóquio, no dia 24 de julho de 2020.

O terremoto e o tsunami deixaram mais de 18 mil mortos, além de grande número de desaparecidos. O desenho da tocha, inclusive, relembra a pior tragédia acontecida no Japão desde a Segunda Guerra Mundial.

Com peso de 1,2 quilo e um comprimento de 71 centímetros, o objeto foi fabricado a partir do alumínio reciclado dos alojamentos temporários que foram construídos para desabrigados e desalojados pela catástrofe de 2011.

O formato da tocha é inspirado em uma flor de cerejeira, com cinco pétalas, como cinco são os anéis olímpicos. O intuito principal é passar uma mensagem forte para o futuro das áreas afetadas e de todo o país.

"A esperança ilumina nosso caminho", diz o lema do revezamento.

Nos Jogos Olímpicos de 1964, também realizados em Tóquio, a chama já havia sido utilizada para recordar um episódio trágico da história do Japão. Na ocasião, o último portador da tocha foi Yoshinori Sakai, que nasceu em 6 de agosto de 1945, um dia depois dos Estados Unidos lançarem a bomba atômica sobre Hiroshima.

O revezamento do ano que vem terá 10 mil participantes, entre homens, mulheres e crianças, de diferentes faixas etárias, muitas com ligações próximas à cidade em que vivem. Também serão escolhidas diversas pessoas que tenham superado adversidades, além de gente que represente aceitação e tolerância com povos de todas as origens.

No total, além da área atingida pelo terremoto e tsunami, a tocha olímpica passará por 857 cidades japonesas, com direito a visita a lugares emblemáticos, como o monte Fuji e o santuário de Itsukushima, ambos considerados Patrimônios da Humanidade pela Unesco. EFE

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