O dia em que Fernando Meligeni destruiu Pete Sampras mentalmente

Por Carlos Padeiro e Giuliano Zanelato

14/06/2017 04h00

Masters de Roma. 10 de maio de 1999. Fernando Meligeni era o 58º do ranking mundial e enfrentava Pete Sampras, um dos maiores tenistas de todos os tempos. A derrota era praticamente certa, inclusive na cabeça do brasileiro. "Eu chegava para o meu treinador e falava: vou perder, vamos ver por quanto".

Mas naquela noite, diante de cerca de 6 mil torcedores, foi diferente. Aos 28 anos de idade, Meligeni fez um jogo perfeito taticamente, explorou à exaustão o ponto fraco do norte americano e venceu com facilidade, por 2 sets a 0 (6/3 e 6/1).

"Falar Sampras, naquela época, era ganhar do Federer no seu auge. Eu consegui ganhar do maior de todos os tempos naquele momento”, comenta Fininho. 
 
A estratégia, elaborada junto com o treinador Ricardo Acioly, o Pardal, era devolver a bola na esquerda de Sampras. Sempre! Por mais que o lado direito fosse a melhor escolha para finalizar o ponto, o tenista brasileiro insistia na esquerda do rival para cansá-lo e perturbá-lo. 
 
“A ideia era: ‘você não vai ganhar porque vai ganhar o jogo. Você vai ganhar porque vai destruí-lo mentalmente. Você vai entrar na cabeça dele’”, conta Meligeni. “Vamos continuar na esquerda, corroendo a cabeça dele. Ele não vai bater uma direita no jogo.”

O ÚLTIMO PONTO DE FERNANDO MELIGENI NA VITÓRIA SOBRE PETE SAMPRAS

A magia do esporte

A vitória sobre Pete Sampras não garantiu a Fernando Meligeni o título do Masters de Roma. Na fase seguinte, ele foi eliminado pelo espanhol Félix Mantilla, tenista cuja carreira não se compara à do ídolo norte-americano.

Mas ganhar aquele jogo  teve um significado muito maior. “Naquele dia eu entendi, pela primeira vez, o que tinha que fazer. Consegui entender a mágica do que é o esporte.”

Fininho compreendeu que o esporte não se resume a técnica e talento. Envolve superação, estratégia, confiança, concentração... E tem um momento que, quando você menos espera, pode ser o maior da sua carreira. Foi um marco na vida do atleta que nasceu na Argentina, se naturalizou brasileiro e conquistou os torcedores por sua raça e entrega em quadra.

"Graças a esse jogo eu fui semifinalista de Roland Garros, eu fui campeão pan-americano. A partir daí você começa a acreditar no improvável", reflete.

Em 4 de junho de 1999, menos de um mês após superar Sampras, Meligeni chegou às semifinais do Grand Slam em Paris, quando sucumbiu diante do ucraniano Andrei Medvedev. Em 2003, na sua última partida como profissional, ganhou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, ao bater o chileno Marcelo Ríos na final.

ESPORTE(ponto final)

A entrevista com Fernando Meligeni foi realizada pelo ESPORTE(ponto final), um canal produzido a partir de depoimentos de ídolos sobre os grandes momentos do esporte.

A cada semana, episódios inéditos serão lançados na página especial do ESPORTE(ponto final). E você também pode acompanhar nas mídias sociais: youtube.com/esportepontofinal e facebook.com/esportepontofinal.  

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Imagem: ESPORTE(ponto final)

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