Fittipaldi diz qual foi seu melhor carro e conta por que quase largou a F1

08/09/2017 04h00

Em setembro de 1972, há 45 anos, o jornal Folha de S.Paulo destacava na sua primeira página: “Temos mais um campeão mundial”. Na foto, Emerson Fittipaldi erguia o troféu após vencer o Grande Prêmio de Monza, na Itália. Pela primeira vez na história, um brasileiro conquistava o título na temporada de Fórmula 1.

À época, com 25 anos, Fittipaldi se tornou o mais jovem a faturar a principal categoria do automobilismo mundial (hoje, o alemão Sebastian Vettel é dono dessa marca, pois foi campeão em 2010 com 23 anos).

Naquele domingo, 10 de setembro, o piloto paulistano viveu o que considera ter sido o auge de sua carreira. Dois anos depois, em 74, conquistou o bicampeonato na F1. Em 89, ganhou o título da Fórmula Indy - foi o primeiro piloto de fora dos Estados Unidos a ganhar o campeonato disputado nas pistas norte-americanas.

“O momento mais importante de conquista, de realização de sonho, foi o meu primeiro título mundial, em Monza, em 1972, com a Lotus preta, que é um carro clássico, o John Player Special”.

Os outros grandes títulos de Fittipaldi ocorreram pela McLaren, em 74, e pela Penske, em 89. Mas ele diz que o seu carro preferido era a Lotus. “O mais bonito e o melhor que eu guiei. Era o carro que eu conversava com ele, e ele conversava comigo. A gente se entendia muito bem, era a extensão do meu corpo”.

O triunfo em Monza foi narrado na rádio por Wilson Fittipaldi, pai de Emerson. "Quando vejo, ainda hoje, a gravação do meu pai transmitindo pela Jovem Pan o filho ganhando um Mundial ao vivo e a minha emoção de vencer o campeonato. É sem dúvida o maior momento da minha história como pessoa, como esportista e como brasileiro".

Allsport/Getty Images
Emerson Fittipaldi pilota a Lotus, em 1972, aquele que considera ter sido seu melhor carro Imagem: Allsport/Getty Images

Ele pensou em deixar a F1

Após consumar o sonho de ser campeão da Fórmula 1, Emerson Fittipaldi cogitou interromper a carreira de forma prematura. O motivo era o medo de sofrer um acidente.

“Eu tinha um trauma na época, dos acidentes que aconteciam. Perdi muitos colegas”.

No dia seguinte à glória da conquista, Emerson conversou com o pai Wilson e com o irmão Wilson Junior.

“Falei: ‘o que mais eu quero na vida? Sou campeão mundial com 25 anos de idade. Não vou mais correr porque o risco é muito grande’”.

A família o aconselhou a permanecer na F1. “Meu pai olhou pra mim e falou: ‘filho, se você sair do automobilismo agora, no máximo em um ano vai querer estar de volta, e vai ser mais difícil. Você tem tanto talento e oportunidade de seguir. Meu conselho é para continuar’. E ele acertou", sorri o bicampeão mundial, hoje com 70 anos. 

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Correu com o carro reserva

Fittipaldi chegou à Itália precisando somar quatro pontos no GP de Monza para ser campeão antecipadamente (ainda restavam os GPs do Canadá e dos Estados Unidos).

Nas nove corridas anteriores, ele havia vencido quatro (Espanha, Bélgica, Grã-Bretanha e Áustria) e ficara em segundo na África do Sul e na França e em terceiro em Monaco (não pontuou na Argentina e na Alemanha). Seus principais adversários eram Jackie Stweart, o “Escocês Voador”, campeão em 1969 e 71, e o neozelandês Denny Hulme.

A semana iniciou problemática para o brasileiro.

“Começou tudo errado. O motorista inglês do caminhão de transporte da equipe dormiu perto de Milão, capotou, e meu carro principal ficou destruído. Trouxeram o carro reserva para tentar desenvolvê-lo e deixá-lo como estava o carro que eu deveria correr”, comenta.

“Classifiquei em quinto, o carro estava razoável. No dia da corrida, de manhã, durante o aquecimento, o tanque de gasolina estava vazando. Tiveram que tirar o tanque e alinhar o carro, e o tempo para fazer isso era quase impossível, mas a equipe conseguiu. Quando largou deu tudo certo, o carro estava perfeito”, completa.

A Tyrrel de Stweart quebrou. E Fittipaldi ficou com o caminho livre para vencer a prova.

ESPORTE(ponto final)

A entrevista com Emerson Fittipaldi foi realizada pelo ESPORTE(ponto final), um canal produzido a partir de depoimentos de ídolos sobre os grandes momentos do esporte.

A cada semana, novos episódios serão lançados na página especial do ESPORTE(ponto final). E você também pode acompanhar nas mídias sociais: youtube.com/esportepontofinal e facebook.com/esportepontofinal.

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