Melhor do mundo com a pior dor: a superação de Paula Pequeno em Pequim-2008

Por Carlos Padeiro e Giuliano Zanelato

26/09/2017 04h00

Paula Pequeno entrou para a história do esporte nacional ao ser considerada a melhor jogadora durante a conquista do primeiro ouro olímpico do vôlei feminino brasileiro. Foi em 2008, quando a seleção comandada por José Roberto Guimarães subiu ao topo do pódio nos Jogos de Pequim.

Cameron Spencer/Getty Images
Paula Pequeno, durante a final contra os Estados Unidos, nas Olimpíadas de Pequim, em 2008 Imagem: Cameron Spencer/Getty Images
É uma história de superação, e o grande adversário foram as contusões. A mais grave delas ocorreu meses antes da Olimpíada de 2004 - a ponteira sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo, quando defendia o time do Osasco, passou por cirurgia e ficou fora dos Jogos de Atenas.

Depois de perder praticamente o ano inteiro para se recuperar, Pequeno retornou à seleção em 2005, para iniciar o ciclo olímpico que culminaria em Pequim.

“Como tinha me machucado, havia um trauma. Em 2005, foi meu primeiro Grand Prix após a contusão, e ganhei o prêmio de MVP, de melhor jogadora. Ali foi um momento de pensar ‘meu Deus, acho que superei de verdade’”.

O joelho estava recuperado. Porém, dores nos pés passaram a atormentá-la.

“Meu joelho estava muito bom, só que eu estava com 80% de ruptura na fáscia plantar do pé. É uma dor insuportável, e eu tinha nos dois pés. Mal conseguia andar quando acordava. Nos treinos, começava a aquecer antes e treinava mais depois, porque sabia que se esfriasse em algum momento não conseguiria dar sequência”, lembra a atleta, hoje com 35 anos. A fáscia plantar é um ligamento que se estira na parte inferior do pé, e a dor quando há ruptura é mais forte pela manhã. 

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O medo de se machucar

Além de suportar as dores nos pés, Paula Pequeno lidava com o receio de se lesionar novamente e ficar fora da Olimpíada de 2008.

“Foram momentos de muita provação pra mim mesma, de muita superação interna. E de muita dor e insegurança psicológica, durante aquela espera infinita pelas Olimpíadas que eu tanto sonhava”.

A camisa 4 embarcou para a China como uma das principais atletas daquela seleção, que entraria em quadra em busca do primeiro ouro olímpico.

“Eu lembro que, quando cheguei lá, sentei no meio-fio e liguei pra minha mãe, meu pai e minha avó. A única coisa que pedi a eles foi: ‘orem e não me deixem machucar, pelo amor de Deus. Só isso. Acendam vela de 7 dias, gruda uma na outra, mas não me deixem machucar. Orem por isso, por favor”, revela Paula, emocionada.

As preces funcionaram, e Paula Pequeno viveu na China aquele que considera o seu maior momento no esporte.

“Fui ganhando confiança. O time estava voando baixo, todo mundo jogando muito bem. A Fofão fazendo mágica. A gente se sentia imbatível, principalmente por ela estar ali. Foi um momento de êxtase total, um dos momentos mais lindos da minha vida, uma fusão de sentimento, de alegria, de alívio, de superação, de orgulho".

O prêmio de craque da Olimpíada

As lesões não vieram, e a medalha de ouro estava garantida, após uma vitória por 3 a 1 sobre os Estados Unidos, no dia 23 de agosto de 2008. Aliás, a campanha das brasileiras se aproximou da perfeição – em oito partidas, perderam um set apenas.

Paula Pequeno terminou como a sétima maior pontuadora dos Jogos, além de figurar entre as dez melhores em três fundamentos: ataque, bloqueio e defesa.

Faltava o grand finale: a camisa 4 ser eleita a melhor jogadora da competição.

O curioso foi a forma como ficou sabendo do prêmio. Paula se recorda de que estava comemorando o título, com as colegas e com os atletas do time masculino, quando o fisioterapeuta da seleção passou por ela e lhe deu parabéns. Ela retribuiu, já que o time todo fora campeão. O membro da comissão técnica percebeu naquele instante que a atacante ainda não sabia do prêmio de MVP e deu a notícia.

“Aí voltou todo aquele sentimento e caí de joelho. Os meninos começaram a fazer farra, a bagunçar meu cabelo. Eu chorava, ria, chorava, ria... Era uma confusão dentro de mim, eu agradecendo a Deus por ter me dado força por passar por tudo aquilo e chegar a um ápice enlouquecedor. É o alto do pico, não tem mais para onde ir. Foi realmente o momento mais especial da minha vida, indescritível.”

Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, Pequeno sagrou-se bicampeã olímpica, como reserva da equipe de Zé Roberto Guimarães. Atualmente, ela defende o Bauru.

ESPORTE(ponto final)

A entrevista com Paula Pequeno foi realizada pelo ESPORTE(ponto final), um canal produzido a partir de depoimentos de ídolos sobre os grandes momentos do esporte.
 
A cada semana, novos episódios serão lançados na página especial do ESPORTE(ponto final). E você também pode acompanhar nas mídias sociais: youtube.com/esportepontofinal e facebook.com/esportepontofinal.

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