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Quando ser genial vira um drama argentino

Henry Romero/Reuters
Lionel Messi fica cabisbaixo após Argentina sofrer gol Imagem: Henry Romero/Reuters

por Giuliano Zanelato

30/06/2018 12h53

Messi ainda disputará o lugar de maior de todos?

Não é novidade para ninguém que Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar teriam vários holofotes apontados para si nesta Copa, quer pelos valores de seus direitos econômicos, quer pelo futebol de altíssimo nível que o trio tem capacidade de desempenhar.

CR7 e Messi, apesar de disputarem Bolas de Ouro, seguem caminhos opostos, quando o assunto é jogar pela seleção principal de seus países. Messi não consegue levar a Argentina a uma grande conquista, enquanto Cristiano Ronaldo tem tudo para se tornar o mais emblemático e importante jogador português de todos os tempos, superando a lenda Eusébio.

Neymar, apesar de já figurar entre os maiores jogadores do mundo, tem muitos anos pela frente para escrever sua história em Copas. Ainda ajudou o Brasil a conquistar uma medalha de ouro olímpica inédita. Seu saldo na seleção é mais positivo do que negativo.

Mas é inevitável que a obrigação de ser protagonista, de ser destaque na Copa, causa uma pressão natural, gerando reações muito diferentes no grande trio do futebol mundial. Dizer que um dos três não sabe lidar com pressão seria uma bobagem, já que em seus clubes passaram com louvor por situações de pressão, dando risada e show.

Mas será que a pressão de vestir a camisa da seleção, ainda hoje, pesa demais?

Não é segredo que, ao vestir a camisa da Argentina e do Brasil, Messi e Neymar "precisam" ser campeões. Embora ninguém esteja desmerecendo a tradição da camisa portuguesa, a real é que CR7 tem um peso maior em ser CR7 do que a pressão da torcida, ao comparar os resultados históricos da seleção lusitana com os de Brasil e Argentina.

Muitos dizem que conquistar pela seleção perdeu importância ao longo dos anos, para se avaliar a grandeza de um jogador. Há quem diga que ganhar uma Champions vale mais do que uma conquista grande com a seleção. Não concordo nem um pouco com isso.

Jogar bem pela seleção sempre valeu e valerá muito para carimbar a carreira de um grande jogador como alguém inesquecível, idolatrado, amado por seu povo e seus torcedores.

É real que a maioria avassaladora dos melhores jogadores vão parar em grandes times europeus. São times montados pela estratégia dos treinadores, regados a um volume absurdo de capital. Talvez estes times ganhem de longe dos investimentos e rentabilidade das seleções e não precisam ficar à mercê do acaso geográfico de onde nascem os gênios.

Messi, ainda menino, foi levado para o Barcelona e aproveitou muito bem a estrutura que lhe foi propiciada. Mal saiu de lá. Isto pode ter sido ótimo para seu futebol, mas será que foi bom para seu desenvolvimento psicológico?

Não estamos imaginando que o Barcelona é o paraíso na Terra ou que não houve momentos difíceis na vida de Messi. La Pulga é um exemplo de atleta que se supera, não se deslumbra com a fama e mantém seu comportamento low profile ao longo dos anos.

No entanto, a estrutura do Barcelona foi tão acolhedora quando necessário, que qualquer um preferiria jogar lá do que ter que “dar jeito” na seleção Argentina, que como uma confederação sul-americana não tem uma administração planejada e de calmarias.

Lionel deu sinal, ao longo dos anos, que jogar pela Argentina não é tão prazeroso para ele.

As questões são: Messi precisaria ser mais cascudo para conseguir jogar a mesma bola que joga no Barça para elevar a Argentina onde todos esperam?

E mais importante: é possível disputar o título de maior de todos depois do tempo implacável bater o martelo que Lionel nunca terá um grande título por seu país?