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02/05/2006 - 17h09

Palco do pólo aquático no Pan é inaugurado após três adiamentos

João Paulo Garschagen
Da Redação
No Rio de Janeiro
Depois de três adiamentos, o Parque Aquático Julio Delamare, local que será a sede do pólo aquático nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, finalmente foi inaugurado nesta terça-feira. A solenidade fez parte da inspeção que autoridades da Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) realizam na cidade.

ANTES E DEPOIS

Operário trabalha no parque aquático no mês de janeiro


Depois de quatro meses, local enfim é inaugurado no Rio
No cronograma original, a obra, parte do Complexo do Maracanã, deveria ter sido inaugurada em dezembro do ano passado. A segunda data prevista foi janeiro de 2006, mas uma infiltração nas paredes da piscina fez com que o local passasse mais quatro meses em obras.

As outras obras do Complexo do Maracanã continuam atrasadas. O ginásio do Maracanãzinho, palco do vôlei no Pan, deveria ter sido entregue em abril, mas só deverá ficar pronto em dezembro. Sem o local, o Rio de Janeiro perdeu o direito de ser uma das sedes do Mundial feminino de basquete, em setembro.

Já o estádio do Maracanã só foi liberado parcialmente. Local das cerimônias de abertura e encerramento, do futebol e da chegada da maratona, só deverá ter as obras concluídas em dezembro. O Estádio Olímpico João Havelange, e principalmente o Complexo do Autódromo, em Jacarepaguá, são outros pontos em que o cronograma está atrasado.

Apesar disso, Julio Maglione, presidente comissão de coordenação da Odepa, não mostrou preocupação sobre uma repetição dos fatos ocorridos no último Pan, em Santo Domingo, quando alguns locais só ficaram prontos no meio da competição. "Vai ser um dos melhores Pan-Americanos da história. Não temos que comparar. Em Santo Domingo houve sobressaltos, mas foram corretos. Esse Pan do Rio será uma grande festa, para uma cidade tão bela", disse o dirigente.

AUTÓDROMO NA QUARTA-FEIRA
Nesta quarta-feira, a delegação da Odepa acompanhará as obras do Autódromo, do Estádio João Havelange (Engenhão) e da Marina da Glória. A avaliação do presidente Julio Maglione sobre o andamento do principal complexo do Pan-Americano, o do Autódromo, é muito aguardada.

No Autódromo de Jacarepaguá, estão sendo construídos a Arena Olímpica, onde serão realizados os jogos de basquete e as apresentações de ginástica artística, além do Centro Aquático (natação, saltos ornamentais e nado sincronizado) e do Velódromo da Barra (provas de pista do ciclismo).

Pelo local se desenrola uma disputa jurídica envolvendo a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) e a prefeitura do Rio de Janeiro, responsável pela administração do Autódromo. Por se sentir prejudicada pelo cancelamento de algumas provas graças aos atrasos no início das obras, a CBA quer interromper as mudanças.

Nesta terça, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzmann, não quis comentar o caso. Julio Maglione também preferiu deixar sua avaliação para o dia seguinte, porém não escondeu a sua inquietação.

"Confesso que estou preocupado [com a situação do Autódromo], mas amanhã é que verei como as coisas estão e poderei dizer", disse o presidente da Odepa.
A comitiva da Odepa começou a inspeção às 8h30, no Estádio de Remo da Lagoa, onde R$ 40 milhões serão investidos pela iniciativa privada para reformar todo o complexo. Além de novas arquibancadas, serão construídas seis salas de cinema e uma praça de alimentação, que poderão ser exploradas pela empresa investidora após os jogos.

Por exigência do Comitê Olímpico Internacional (COI), a raia olímpica da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde serão disputadas as provas de remo e canoagem, precisa ter, no mínimo, três metros de profundidade. O trabalho de dragagem do fundo, que será custeado pelo governo do Rio de Janeiro, terá início ainda este mês e estará pronto em outubro para a disputa do sul-americano.

"É um projeto muito bom, que vai deixar o complexo de remo e canoagem com ótimas instalações para o Pan-Americano", disse Julio Maglione, que irá pedir ao COI para eliminar o Pré-Olímpico da modalidade (marcado para outubro de 2007) e tornar o Pan-Americano do Rio classificatório para os Jogos de Pequim-2008.

Da Lagoa Rodrigo de Freitas, a delegação da Odepa rumou para o complexo do Maracanã. Depois de realizarem a vistoria no estádio Mário Filho, as autoridades presentes participaram da solenidade de inauguração do reformado Parque Aquático Júlio Delamare.

Presente no evento, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzmann, se recusou a comentar a maior polêmica deste Pan-Americano: o imbróglio envolvendo a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), que pede a paralisação das obras no autódromo de Jacarepaguá, e a organização do Pan. "Não tenho mais nada a dizer sobre isso. A Justiça já deu a resposta", declarou.

Entretanto, o advogado Felippe Zeraik, que representa a CBA, disse que o caso está nas mãos do Ministério Público. Até o fim dessa semana, um parecer jurídico determinará se as obras param ou continuam. A CBA alega que as obras irão atrapalhar o calendário das suas competições.

Inspeção na Vila é satisfatória
A visita seguiu à tarde, com a inspeção na Vila Pan-Americana, cujas instalações foram muito elogiadas por Julio Maglione. Todos os 17 blocos estão erguidos e a construtora responsável fixou para fevereiro de 2007 a entrega de todo o condomínio.

O ministro do Esporte, Orlando Silva, acompanhou a delegação da Odepa e ficou muito satisfeito com o ritmo das obras, em que trabalham, atualmente, 2.311 pessoas. "Viemos nos certificar de que o cronograma estava sendo cumprido e vimos que ele está até adiantado", disse o ministro, que confirmou a autorização de R$ 60 milhões do governo federal para investimentos no Pan.

O sub-secretário da Comissão Organizadora dos Jogos Pan-Americanos, o ex-jogador de vôlei Bernard, também esteve presente e disse que a Vila do Rio de Janeiro é uma das mais bem estruturadas que ele já viu.

"Como atleta, estive em quatro Pan-Americanos e em três Olimpíadas e posso afirmar que temos um modelo de Vila, que supera o padrão. Ela oferece conforto e comodidade aos atletas até pela proximidade dos locais em que acontecerão os jogos", disse Bernard.

O presidente da construtora, Sérgio Goldberg, informou que a Vila Pan-Americana será um investimento de R$ 240 milhões, sendo parte financiada pela Caixa Econômica Federal. Das 1480 unidades, menos de 50 ainda não foram vendidas. Os proprietários receberão seus apartamentos em dezembro de 2007, com um certificado que informa quais atletas ali moraram durante o Pan.

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