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14/11/2008 - 08h01

'Tietagem' sobre olímpicos vai de timidez a pandemônio nos Jogos Abertos

Rodrigo Farah
Em Piracicaba (SP)
As reações variam. Desde um pandemônio em quadra causado por centenas de pessoas até gestos mais amenos, como apertos de mão e pedidos envergonhados por fotos ao lado do ídolo. Mas nos Jogos Abertos do Interior, em Piracicaba, a grande maioria dos atletas olímpicos precisa lidar com algo em comum: o assédio da torcida local e, principalmente, dos próprios adversários do campeonato.

ASSÉDIO A TODA PROVA
Rodrigo Farah/UOL
Torcedora fotografa jogo do São Caetano, das olímpicas Sheilla, Mari e Fofão
Rodrigo Farah/UOL
Thaísa foi uma das assediadas após o triunfo do Osasco no vôlei feminino
VEJA FOTOS DA TIETAGEM
TRIO DE URUPÊS REALIZA SONHO
Mais de 17 mil atletas representam 233 cidades na competição estadual. Boa parte deles conta com pouco ou nenhum apoio de sua respectiva prefeitura para estar no torneio. Existem ainda aqueles que praticam as modalidades como um mero hobby semanal. Ao se deparar com uma estrela olímpica, a "tietagem" fica quase impossível de ser evitada.

O melhor exemplo aconteceu na estréia do Finasa/Osasco no vôlei feminino, contra São Bernardo, na última quarta-feira. Com jogadoras no elenco do escalão de Paula Pequeno, Sassá, Thaísa e Carol Albuquerque - campeãs olímpicas em Pequim -, o time lotou o principal ginásio de Piracicaba com a presença de centenas de atletas de outras cidades, além dos próprios habitantes, em minoria na ocasião.

Após o término do jogo e do triunfo tranqüilo de Osasco por 3 sets a 0, uma massa de atletas invadiu completamente a quadra, deixando poucos espaços vazios. Em questão de segundos, as jogadoras olímpicas do time começaram a ser puxadas de um lado para o outro com pedidos de fotos, autógrafos ou até mesmo um simples olhar. Vale ressaltar que todas elas responderam às súplicas da melhor maneira que puderam, com um sorriso de surpresa estampado no rosto.

"É algo realmente surpreendente isso daqui. Não via isso acontecer desde que ganhamos o ouro em Pequim. É o tipo de coisa que nos motiva a continuar com nossas carreiras", respondeu Sassá momentos antes de ser interrompida por um puxão de uma menina trajada com uniforme completo de vôlei de uma cidade do Vale do Paraíba.

A equipe de São Caetano/Blausiegel é outra recheada de estrelas campeãs olímpicas: Fofão, Mari e Sheila. Com isso, o time teve assédio similar e precisou dedicar boa parte do tempo em quadra aos fãs-atletas. A levantadora foi a mais requisitada do grupo e a que teve maior dificuldade para se livrar da multidão.

"É muito legal estar em uma competição em que não importa o nível. Jogar ao lado de um ídolo é um caminho para qualquer um. Por isso, nós torcemos e sempre queremos estar perto das melhores jogadoras", explicou Renan Rodrigues, de 19 anos, que atua como líbero da equipe de Votuporanga.

Nem toda a "tietagem" nos Jogos Abertos chega ao ponto de deixar as estrelas em uma situação difícil de ser contornada. Quando o assédio é mais comedido, ele normalmente é encarado de maneira mais amena pelos olímpicos.

É o caso de Hugo Hoyama no tênis de mesa. Participante dos Jogos Abertos do Interior desde 1983, o atleta paulista afirma que sempre é alvo das investidas dos mais jovens. De fato, enquanto esperava para defender São Bernardo do Campo no torneio por equipes na última quarta-feira, ele foi abordado por vários fãs, sendo a maioria rivais de outras cidades.

"Acontecia a mesma coisa quando eu era mais novo. Aproveitava os Jogos pra ficar olhando meus ídolos e correndo atrás deles. Tenho muito orgulho quando sou abordado e sempre tento ser simpático, conversando e desejando boa sorte para quem falar comigo", comentou o mesa-tenista de 39 anos.

Momentos depois de entrevistar Hoyama, a própria reportagem do UOL Esporte foi abordada por três meninos da cidade de Urupês, que estavam envergonhados e tentavam tirar uma foto com o jogador.

Após serem apresentados e baterem um papo com o campeão dos últimos Jogos Pan-Americanos, os garotos saíram com um sorriso estampado no rosto, destacando a emoção do momento. "Não podia nem imaginar que um dia estaria em um mesmo campeonato que ele. Não tenho nem palavras para descrever o que sinto", declarou Ailon Rezende, de 16 anos.

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