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26/03/2009 - 07h00

'Condenado', esporte americano faz cortes e cria ações para sobreviver à crise

Thales Calipo
Em São Paulo
A foto rodou o mundo no fim de fevereiro. O presidente Barack Obama, com uma cerveja na mão, acompanhando no ginásio à partida entre Washington Wizards e Chicago Bulls. Para muitos analistas, a imagem representou muito mais do que um mero momento de descontração do líder mundial: foi uma grande estratégia de marketing da NBA, a liga profissional de basquete norte-americana.

Molly Riley/Reuters
Presença de Obama em jogo de basquete serviu como propaganda para atrair público
Lenny Ignelzi/AP Photo
Tiger Woods foi um dos atletas que perdeu o seu patrocínio desde o início da crise
Mike Cassese/Reuters
Metade das franquias da NBA fechará o ano no vermelho; Pacers perderão US$ 30 mi
Paul Chiasson/AP Photo
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Ao mostrar que até o presidente acompanhou uma partida ao vivo, a NBA quis reforçar um "convite", nem tão subliminar, para que os torcedores não deixem de frequentar as arenas. O problema é que está cada vez mais difícil convencer o público a manter esse velho hábito.

Independentemente do esporte, a regra geral das franquias é "congelar" o preço dos ingressos. New Jersey Nets e Minnesota Timberwolves, também do basquete, foram além, e prometeram devolver o dinheiro pago nos carnês para os torcedores que perderem seus empregos até o fim da temporada.

Desde o início da crise financeira mundial, no último semestre de 2008, o esporte norte-americano tem se virado como pode para superar um cenário ainda pouco promissor. Com o aumento no desemprego, as pessoas passaram a cortar supérfluos, como o entretenimento com o esporte. A escassez de crédito, por sua vez, fez empresas limitarem gastos e repensarem seus budgets, afetando inúmeros patrocínios esportivos.

A General Motors, que já havia cancelado um contrato de US$ 7 milhões anuais com o golfista Tiger Woods no fim do ano apssado, também optou por não renovar o acordo com o Comitê Olímpico Norte-Americano, além de ficar fora da badalada lista de anunciantes do Superbowl, a final do futebol americano. O New York Yankees, franquia mais bem-sucedida da MLB, viu ruir a possibilidade de o Bank of America "bancar" o seu novo estádio, o que irá representar uma perda de US$ 10 milhões por ano.

"Há 10 ou 20 anos, as grandes empresas passaram a ter um papel cada vez maior no esporte, então as ligas e franquias passaram a ser mais suscetíveis aos altos e baixos do mercado", analisou David Carter, professor de negócios do esporte da Universidade da Carolina do Sul, ao The New York Times.

Somados à saída de patrocinadores, os inevitáveis cortes de empregos já começaram, e não foram poucos. A NFL demitiu 169 pessoas, enquanto seus comissários tiveram uma redução de 20% nos salários. A NBA também perdeu 10% do seu contingente, assim como o Comitê Olímpico Norte-Americano, que se desfez de 54 funcionários, seguido pela Nascar, que teve uma baixa de mais de 100 empregados.

Mesmo com todas essas baixas, o esporte norte-americano ainda não se entregou. Linhas de créditos têm servido para tapar alguns buracos, como aconteceu com metade das franquias da NBA. O Indiana Pacers, por exemplo, localizado no estado em que o basquete tem muita tradição, já anunciou um prejuízo de pelo menos US$ 30 milhões nesta temporada.

Já a NHL, a liga profissional de hóquei no gelo, que havia sido apontada como a mais vulnerável aos efeitos da crise no início da recessão, viu seus 700 atletas devolverem 13% dos seus respectivos salários.

A falência das franquias menos tradicionais do hóquei no gelo, como era prevista, ainda não aconteceu. Mesmo assim, algumas estão quase sendo colocadas a leilão, como a famosa Montreal Canadiens, de propriedade de George Gillett, bilionário que também é dono da equipe do Liverpool, da Inglaterra.

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