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03/06/2009 - 07h00

Estabilidade e salário motivam olímpicos a virarem "marinheiros"

Maurício Dehò
Em São Paulo

OLÍMPICOS NAS FORÇAS ARMADAS
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Equipe de judô, com as atletas (da esq. para dir.) Danielle Yuri (e), Erika Miranda, Ketleyn Quadros, Camila Minakawa e Sarah Menezese durante a cerimônia no Rio
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Time de boxe tem nomes como Washington Silva e Everton Lopes, da seleção brasileira
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Ketleyn Quadros (f), bronze nas Olimpíadas de Pequim, é outra que virou "marinheira"
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Do taekwondo, Diogo Silva (c) trocou seus dread-locks por um corte mais comportado
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Everton Lopes (d), faz parte da seleção brasileira de boxe. E agora da Marinha
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Com a proximidade dos próximos Jogos Mundiais Militares, em 2011, o Brasil não quer fazer feio. País sede da próxima edição, que será realizada no Rio de Janeiro, a aposta é em nomes que os brasileiros conhecem bem de outros Jogos, os Olímpicos. Atletas, pugilistas e judocas estão entre os convocados pela Marinha brasileira e se formaram na terça-feira, tornando-se oficialmente marinheiros e militares brasileiros.

Para entrarem no militarismo, os brasileiros passaram por um treinamento com toda a rigidez das forças brasileiras. Com direito a uniformes, continências e horas em salas de aula, os cerca de 100 atletas que se formaram no Rio de Janeiro passaram por três semanas de preparação, em um estágio de adaptação. São nomes como a medalhista de bronze em Pequim Ketleyn Quadros e Danielle Yuri (judô), Diogo Silva (taekwondo), Washington Silva e Everton Lopes (boxe), Matheus Inocêncio e Joana Costa (atletismo).

Em um país que ainda vive em função de ciclos olímpicos e da proximidade dos Jogos, a oportunidade logo após os Pequim foi única. "A estabilidade que teremos é um dos pontos positivos", afirmou o pugilista Washington Silva, quinto colocado na China, um dos novos "atletas-militares". "Esta porta devia ter sido aberta muito tempo atrás. A estrutura na Marinha é muito boa."

Por parte da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, que atualmente recrutam de modo conjunto os atletas, o objetivo é fazer com que o número de medalhas brasileiras aumente entre as 42 modalidades dos Jogos Militares, principalmente por ser em casa.

"A Marinha e as outras Forças não querem fazer feio. Queremos levar os atletas militares para o pódio. A tendência é de cada vez mais termos atletas de níveis olímpicos", disse Maurício Miranda, capitão de fragata fuzileiro naval e chefe do Departamento de Desporto e Educação Física do Cefan (Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes), no Rio.

"A Marinha está patrocinando, de certa forma, várias modalidades para competirem representando o país. Oferecemos a eles uma carreira profissional e eles ganham um salário mensal, tem auxílio na parte de saúde. Imagine quantos atletas não desistiram porque não tiveram estrutura adequada para competirem", explicou Marcello Claudio, Sargento Fuzileiro Naval e treinador de boxe na Marinha. "Esta mudança vem para somar."

Os olímpicos fizeram o curso de adaptação para se transformarem em militares da ativa - requisito para irem aos Jogos Militares -, mas não tem exclusividade como atletas-militares. A maior parte deles voltará a treinar nos seus clubes e seguirá defendendo o país em competições como Mundiais e Olimpíadas. Como militares, os campeonatos são em menor número - nesta terça-feira, por exemplo, a seleção feminina foi para os Estados Unidos para o Mundial Militar da modalidade.

CAPITÃ ISINBAYEVA
Crédito
Não é só o militarismo brasileiro que conta com atletas oficiais das Forças Armadas. Em outros países, a medida é comum, como no caso da saltadora com vara russa Yelena Isinbayeva, detentora da melhor marca do mundo e campeã olímpica e mundial.

Em agosto de 2005, a musa foi certificada como tenente das Forças Armadas de seu país e em 2008 foi promovida a capitã. Enquanto isso, segue representando o seu país nos Jogos Olímpicos e Mundiais.
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A convocação dos atletas parte dos militares, que buscam junto às federações contatos dos atletas. Quem aceita, participa de exames físicos e provas e, caso tenha sucesso, passa pelo treinamento que leva ao posto oficial de militar. "O atleta entra para a Força, mas não vive a vida militar. Sua única função é competir como militar. O que os atrai é esta relativa estabilidade", afirmou Miranda. Os atletas podem ficar até por oito anos como atletas-militares, mas passam por avaliações anuais.

Emoção na formatura
O pugilista Washington Silva não escondeu a emoção ao se formar como marinheiro. "Foi um momento mágico. É tudo novo para mim aqui", descreveu ele, que não prestou serviço militar aos 18 anos e fez o juramento no Rio para entrar na Marinha. "Nosso país precisa de iniciativas assim. Acredito até que possam surgir parcerias muito boas, entre o Comitê Olímpico e a Marinha."

Washington tem inclusive experiência contra militares, já que em países como no leste europeu e mesmo na América o uso deste tipo de atleta em Jogos Olímpicos é comum. No Pan-Americano do Rio, em 2007, ele caiu diante de Christopher Downs, um militar que posteriormente chegou à medalha de bronze.

Depois da cerimônia, Washington Silva volta as atenções à sua recuperação. O lutador foi para os Jogos de Pequim com os ligamentos do joelho esquerdo rompidos. Na volta, operou e está em fase final do tratamento para voltar aos ringues.

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